“É preciso ajudar o sistema de saúde”, diz dois-irmonense que vive em Londres

02/04/2020
Marcia Gasparotto mora na Inglaterra desde 2008

Marcia Gasparotto mora na Inglaterra desde 2008

A dois-irmonense Marcia Gasparotto, 56 anos, mora em Londres, na Inglaterra, desde 2008. Ela tem cidadania italiana e por isso pode viver e trabalhar por lá. Em entrevista ao JDI, Marcia contou como o país está vivendo a pandemia do novo coronavírus (Covid-19):


Como está a situação do coronavírus no país?
Marcia
– A Inglaterra tem 25 mil casos confirmados (pessoas que foram testadas) e até a última segunda-feira (30) tinha 1.408 mortos por coronavírus. O problema que eu vejo é a falta de teste. Os trabalhadores essenciais, médicos e enfermeiros, começaram a ser testados nesta semana. O governo diz que estão chegando os testes e que pretendem testar 25 mil pessoas por dia. Tem também o problema de equipamento de proteção para as equipes da saúde. O primeiro médico morreu no final de semana, tinha 55 anos e nenhuma doença preexistente. Outro grande problema são os respiradores. Eles têm 8 mil e precisam de, no mínimo, 30 mil. Grandes empresas já estão produzindo, mas isso demora e tem que ser testado, por isso a importância do isolamento. É preciso ajudar o sistema de saúde ou vai ser catastrófico.


Está em isolamento? Desde quando?
Marcia
– Eu trabalho como “house manager”. Meu boss (chefe) é um bilionário alemão que vive na Suíça e tem propriedades pelo mundo. Cuido da casa dele em Londres. Tenho o meu apartamento em um dos andares e vivo sozinha. Decidi me isolar antes mesmo do primeiro ministro decretar o “lockout”, porque Londres, assim como todas as grandes capitais, tem muita gente e a contaminação certamente seria em grande escala. Hoje (quarta) é meu 18º dia em isolamento.


Como tem sido a rotina durante este período?
Marcia
– A minha rotina não mudou muito. Como moro no meu trabalho, continuo fazendo as coisas que fazia antes. Estou sozinha nesta casa enorme. São cinco andares; sempre tem alguma coisa para fazer. Procuro fazer uma hora por dia de exercícios, mas sem muito exagero, o suficiente para manter a saúde mental principalmente. Nós podemos sair para ir ao mercado, para uma caminhada e exercícios, ou levar os cachorros para caminhar. Não mais de 2 km de onde a pessoa mora e não mais de uma vez por dia. Têm policiais controlando e estão multando pessoas que não respeitam as regras. O governo também pediu para as pessoas que tenham casa no campo ou na praia para que fiquem na sua casa principal, para não sobrecarregar o sistema de saúde nesses lugares.


Como os ingleses encaram o momento?
Marcia
– Em geral as pessoas aqui aprovam a maneira como os governantes estão conduzindo as coisas. São médicos e cientistas que estão orientando o governo. O público, no começo da quarentena, resistiu um pouco, mas aí eu percebi que mais cenas do desespero na Itália começaram a ser mostradas nas notícias. Tem gente que ainda não entendeu a gravidade desse vírus e precisa de um choque de realidade.


Qual sua opinião sobre a pandemia?
Marcia
– Esse é um momento muito interessante. Momento em que os verdadeiros líderes vão poder provar para os seus eleitores que eles fizeram a coisa certa ao votar neles. Ou não. Vamos ficar de olho!


Quais as notícias que chegam aí do Brasil? 
Marcia
– Aqui não se ouve muito sobre a situação do Brasil; nem política, nem coronavírus. Acompanho as notícias pelo Youtube. Fiquei muito feliz de ver a coletiva de imprensa na segunda com todos os responsáveis. Pela primeira vez nessas últimas semanas de notícias aí do Brasil, senti que estão no caminho certo. Entendo a preocupação com a economia, mas e a vida? Do que adianta economia sem vida? Ah, são só os velhos e doentes? Isso é mentira, porque se os leitos dos hospitais estiverem lotados e não tiver respirador, qualquer idade está em risco. 


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