Aos 83 anos, Maria Scholles passa os dias de quarentena costurando

07/05/2020
(Foto: Arquivo pessoal)

(Foto: Arquivo pessoal)

Dona Maria Scholles está com 83 anos. Perdeu o esposo 6 anos atrás, esposo com o qual conviveu por 59 anos e 11 meses. “Ele adoeceu”, conta ela, “e faltando 1 mês para completarmos 60 anos de casamento ele faleceu e eu fiquei sozinha”. Sozinha, mas não desacompanhada, porque é uma pessoa adorável e adorada por muitos, especialmente pela família. Família grande, aliás, pois dona Maria teve 7 filhos e esses lhe deram 13 netos e 2 bisnetos. “Eles gostam muito de mim, sabe? Eles fazem tudo por mim”, conta ela. 
Foi nesse ambiente familiar adorável que ela precisou se isolar, devido ao risco que sua idade apresenta para o contágio do coronavírus. Sua quarentena começou no dia 9 de março, e daquele dia em diante os filhos, filhas, genros e noras “só chegavam na porta”, conta ela. Essa visita “de porta” durou as primeiras semanas, até que ela disse: “Eu não estou doente nem vocês estão doentes, então entrem e vamos conversar um pouco”. E foi assim que, com todos os cuidados, ela voltou a conversar com os familiares. “No domingo temos 4 cuias para o chimarrão”, diz ela, sorrindo, “cada casal vem com a sua cuia e ficam tomando em separado”.
Os dias ela passa costurando. Costurar foi seu ofício. E agora no isolamento ela passa o tempo na máquina, criando cortinas, roupas de cama, almofadas e tudo mais. Além da costura, a televisão é uma companhia, “mas estão brigando muito”, diz ela, sorrindo, “parece que não se entendem”. 
Dona Maria Scholles foi pega de surpresa pela pandemia. “Nunca imaginei viver algo assim”, desabafa ela. “E não é pouca coisa, porque ver aqueles caixões e as pessoas entrando em hospital e saindo mortas é assustador”. Ela diz estar bem. Não sentiu muita angústia. E se vê como uma mulher “forte”, uma mulher que não tem medo porque tem fé. “Se Deus quiser mandar algo assim eu não tenho o que fazer”, conclui ela, que se alegra com o fato de “agora ter missa pela televisão todos os dias”. Ela infelizmente não consegue assistir a missa de Dois Irmãos, pois não tem Facebook, que é por onde o Jornal Dois Irmãos transmite as missas da Paróquia São Miguel.
Mas vê as outras. Antes da quarentena, a vida dela era bem agitada, e tudo que ela espera é que “isso passe” e que se possa outra vez ir aos bailes da terceira idade, fazer viagens e excursões com o grupo. “E a senhora acha que vai passar?” – lhe pergunto. E ela responde: “Acho que aqui, onde estamos cuidando, vai passar, mas noutros lugares ainda vai longe”.

 


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