“Dois Irmãos é uma das melhores cidades do país”

10/09/2019
Ex-prefeito Renato Dexheimer

Ex-prefeito Renato Dexheimer

Nascido, criado e vivendo em Dois Irmãos até hoje, Renato Dexheimer não esconde seu amor pela cidade. Aos 69 anos, ele se orgulha de fazer parte da vida pública do município, tendo sido duas vezes prefeito, duas vezes vice-prefeito e uma vez vereador, além de secretário em outras oportunidades. Atualmente, está como assessor do deputado federal Giovani Feltes.
Renato é casado com Alice Effting Dexheimer, é pai da Cintia, 36 anos, e do Everton, 32, e avô da Helena e da Alana. Na entrevista a seguir, veja o que ele tem a dizer sobre a cidade, suas memórias, mandatos e vida política.


Como vê Dois Irmãos hoje, aos 60 anos de emancipação?
Renato
- Vejo como uma boa cidade para se viver e criar nossos filhos e netos. Dois Irmãos tem boa infraestrutura, pois ao longo dos anos nossos administradores cuidaram muito bem dela. O município cresceu bastante nestes 60 anos, mas de forma planejada e mantendo uma boa qualidade de vida. Temos opções de lazer, creches, escolas, hospital... É claro que passamos por algumas dificuldades como qualquer outra cidade, mas, na média, Dois Irmãos é uma das melhores não só do Rio Grande do Sul, como do país.


Quais suas principais recordações da cidade de antigamente?
Renato
- Nasci e sempre vivi aqui. As melhores recordações que eu tenho são da nossa gente, do convívio familiar, dos amigos e colegas da época, da cultura, da educação e do respeito do nosso povo, que fazem com que a gente acabe gostando cada vez mais de morar em Dois Irmãos. Antigamente, minha vida era Sociedade Atiradores e 7 de Setembro. Quando menino, com 9, 10 anos, eu era armador de bolão na Atiradores – na época não havia armador automático para arrumar os pinos. Eu ganhava um dinheirinho para ter no fim de semana e ajudar a família em casa, porque a gente era muito humilde. Nós nos criamos no meio de pessoas mais adultas, e acho que o respeito e a educação também vieram dali. No 7, a gente vivia jogando bola... Cresci dentro destes dois clubes e acabei participando desde cedo da diretoria, sendo depois presidente da Atiradores e do 7.


Do que sente mais orgulho nos seus mandatos? 
Renato
- A gente realmente fez muito pela cidade. Tenho orgulho e satisfação de poder ter contribuído com o desenvolvimento de Dois Irmãos. Destes 60 anos, tenho 23 anos como prefeito, vice-prefeito, vereador e secretário. Não esqueço que a Vila Becker, hoje Navegantes, não tinha nenhuma ponte de concreto dentro do bairro, eram apenas pontilhões de madeira quando eu e o Mallmann (João Arnildo, ex-prefeito) assumimos. Casualmente, na véspera de assumirmos, um pontilhão desses quebrou e caiu um caminhão de material de construção. Fizemos três pontes de concreto na gestão dele e outras três na minha. 
No São João, não tinha água. A água vinha uma hora de manhã e uma hora de noite. Começamos a levar água para o bairro. Compramos um caminhão-pipa e depois continuamos com a colocação do encanamento. Naquela época também havia muita falta de residências, pois foi a ‘explosão’ da exportação (de calçados), quando todo mundo só admitia. Por isso, a construção do núcleo da Picada 48 foi um grande projeto social, talvez o melhor. Construímos 170 moradias – 100 nós entregamos no fim do meu mandato e as outras 70 estavam em andamento e foram entregues em abril do ano seguinte. E eu sempre quis que fossem casas, ‘no chão’, porque depois a família pode ampliar e melhorar o espaço. A passarela que liga o bairro Primavera ao Centro é outra obra extremamente importante. Na campanha de 1992, eu me comprometi em construir uma passarela decente, e dois anos depois, no fim de 1994, nós inauguramos. É preciso citar também o Parque Municipal Romeo Benício Wolf. Antes de assumir o primeiro mandato, fui visitar parques em Curitiba e Santa Cruz do Sul. Ali, eu me inspirei e disse: ‘Isso eu tenho que levar para Dois Irmãos’. Comecei a pesquisar a área e vi ali uma opção. Pertencia a uma senhora viúva, de idade. Fui falar com ela um dia, e ela disse que não pretendia vender. Meio ano depois, ela veio me procurar na prefeitura, perguntando se eu ainda estava interessado. Compramos a área de 15 hectares com pagamento em três vezes. O ex-prefeito Juarez (Stein) começou a fazer as obras, dentro do projeto inicial, e nós concluímos e entregamos à comunidade em 10 de setembro de 2007, interligando com o Bairro Navegantes.
Além disso, tivemos outras ações importantes. Em 1994, criamos e implantamos a separação e reciclagem de lixo. A primeira Fest Feira, em 1995, foi um sucesso, com muitas pequenas indústrias participando e muita criatividade para a época. O Natal dos Anjos foi criado junto com a Associação do Natal dos Anjos e se transformou numa das maiores festas não só de Dois Irmãos, mas do Rio Grande do Sul. Enfim, me orgulho de entregar o município com as contas em dia, sem financiamentos ou empréstimos e ainda com dinheiro em caixa. Vale frisar que em 2008 alcançamos o 5º lugar no Estado e o 15º no país no Índice de Gestão Fiscal da Confederação Nacional de Municípios (CNM).


Qual sua avaliação sobre a administração da prefeita Tânia da Silva?
Renato
- Entendo que tem sido uma boa administração. A gente sabe que existem muitas dificuldades hoje em dia, principalmente na área da saúde. Todos os prefeitos estão sofrendo, no Rio Grande do Sul e país afora, pois é uma área complicada. A União e os Estados deixaram muito para os municípios, sobrecarregando as prefeituras. No mais, a gente vê que a atual administração tem feito muitas obras, como pavimentações, ampliações de creches e escolas. No geral, é uma boa administração.


Seu primeiro mandato como prefeito foi na década de 90 e o segundo, no início dos anos 2000. Qual a diferença entre um período e outro?
Renato
- Não vejo muitas diferenças, pois as responsabilidades e obrigações são as mesmas. Nos anos 90, vivemos um período em que Dois Irmãos cresceu mais rapidamente em termos de população. Tivemos um grande trabalho para acompanhar esse crescimento nas áreas de escola, creche e saúde. A exportação estava no auge e muitas famílias vieram morar em Dois Irmãos. Para acompanhar aquele ritmo, tivemos que trabalhar muito. Em razão do rápido crescimento da cidade, nós também tivemos que dar uma resposta rápida. 

E o embate político, como era?
Renato
- Era mais acirrado porque eram apenas dois partidos: PP (antiga Arena e PDS) e MDB. Hoje, vendo o desenvolvimento da cidade e o que os dois partidos fizeram por Dois Irmãos, a gente percebe que os objetivos sempre foram os mesmos: todos queriam fazer mais e melhor pela sua cidade.


O senhor tem participado da vida partidária ou está mais afastado?
Renato
- Participo, sim, talvez não mais da forma como era antes. Até a primeira eleição da Tânia (da Silva), eu ‘puxava a frente’. Depois, me afastei um pouco, até porque estive quatro anos em Porto Alegre vinculado ao Governo Sartori (José Ivo, ex-governador). Mas nunca deixei de participar do partido. Durante o ano, se tem dez reuniões, participo de seis ou sete. Desde 1974, quando foi refundado o partido, não faltei a nenhuma convenção.


O que dizer do acordo entre PP e MDB para 2020?
Renato
- É um acordo que deve ser respeitado (PP indica o candidato a prefeito, que deve ser Jerri Meneghetti, e MDB indica o vice). Nós, pelo lado do MDB, sempre procuramos respeitar os acordos. Foi assim em 2008, quando o MDB, mesmo contrariado, procurou cumprir. E agora não deve ser diferente, a não ser que mude alguma coisa ou dentro dos partidos haja algum outro acordo quando chegar mais próximo da eleição. A princípio, entendo que deve ser mantido o que foi tratado.


Pensa em voltar a ser candidato a prefeito no futuro?
Renato
- Uma coisa é certa: estamos aí para colaborar, para ajudar a cidade. Eu amo Dois Irmãos e na minha vida jamais vou dizer ‘nunca mais’. No entanto, como existe esse acordo e ele deve ser cumprido, espero que surjam candidaturas que possam ocupar este espaço.


O que esperar dos próximos 60 anos de Dois Irmãos?
Renato
- É muito difícil fazer uma projeção dos próximos 60 anos, ainda mais do jeito que corre a evolução tecnológica. Não saberia me posicionar nem sobre daqui a 20 anos, pois a transformação é muita rápida. Espero que Dois Irmãos continue crescendo ordenadamente, de forma planejada. À medida que se cresce muito, crescem também os problemas. Por isso, entendo que o crescimento deve ser ordenado e que as pessoas possam continuar convivendo bem, de forma sadia – tem que ter emprego, escola e saúde para todos. 


Renato recorda que as eleições eram mais acirradas


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