“A Covid-19 tem efeito social, econômico e de saúde”, afirma médico

17/04/2020
Arthur Sbroglio

Arthur Sbroglio

Médico conceituado na cidade, o pediatra Arthur Sbroglio foi entrevistado pelo editor Alan Caldas para a TVLocal Dois Irmãos, em transmissão pelo Facebook do JDI. Ele analisou a pandemia do coronavírus e seus efeitos, que vão além da questão de saúde. “Não vai ter gente morrendo só pela Covid-19. Temos que pensar que isso gera um efeito social, econômico e de saúde; são muitas coisas juntas”, observou. Leia trechos do bate-papo:


Como analisa a questão do coronavírus?
Arthur
– Como todo vírus, ele tem um comportamento esperado. A gente ainda não tem certeza se ele se comportará da mesma forma que todos os outros, mas a princípio deverá ser da mesma maneira: por um período vai contaminar muita gente, e à medida que passa a média de 12 semanas, deve começar a cair. A maioria terá um quadro infeccioso leve – fala-se em 85%. Em média 15% terão um quadro mais saliente, com mais efeitos, como dores de cabeça, tosse, febre alta e, hoje se sabe também, perda de paladar e olfato. Algumas pessoas precisam ser hospitalizadas e outras são tratadas em casa, enquanto somente em torno de 5% vão necessitar de UTI e, muitas vezes, ventilação assistida. Essa quarentena, me parece, está sendo feita mais porque não se tem respiradores para todo mundo; serve para achatar a curva de crescimento da doença, pois se todos ficarem doentes ao mesmo tempo não vai ter hospital que chega.

E a situação dos idosos?
Arthur
– Fala-se em ‘isolamento horizontal’, que é todo mundo, e ‘vertical’, que seria apenas para os idosos. Eu, por exemplo, tenho 68 anos e fechei meu consultório (particular), até porque as crianças são portadoras assintomáticas do vírus ou, quando tem sintomas, eles se apresentam de forma muito leve. Por isso essa ideia de não misturar os netos com os avós. Pessoas acima dos 60 anos têm imunidade menor e, em muitos casos, comorbidades. Aqui entra o grande problema das pessoas de idade que vão para uma UTI: hipertensão – em geral muitos hipertensos são diabéticos –, problemas de outras doenças associadas, doenças inflamatórias, problemas renais... Com todas essas coisas juntas, quando a pessoa pega o vírus, o organismo não reage bem. 


Que efeitos uma pandemia provoca?
Arthur
– A pandemia não vai ter só gente morrendo pela Covid-19. Temos que pensar que isso gera um efeito social, econômico e de saúde; são muitas coisas juntas. Daqui a pouco, pensa-se somente na saúde, com todo mundo preso em casa, e nós vamos viver do quê? Quem tem sua boa casa, um bom dinheiro no banco, vai bem. Mas e aquele que trabalha hoje para comer amanhã, como será? Não existe uma regra, uma fórmula perfeita para isso. 


Tem como saber qual é o número real de infectados?
Arthur
– Aqui entra outro aspecto importante: nós não fizemos os testes. Fazendo os testes, teremos um número muito grande de pessoas assintomáticas que têm o vírus. Vai ter muita gente que teve a famosa ‘gripezinha’ e teve a doença, mas que não entra na contabilização dos casos. E isso, comparativamente, acaba puxando o percentual de mortos para cima. Agora, se tivermos 1 milhão de casos, o percentual de letalidade já baixa bastante.


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