“Jamais apoiei o golpe”, diz Temer sobre impeachment de Dilma

17/09/2019
Fonte: Veja

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O ex-presidente Michel Temer usou o termo “golpe” para se referir ao processo de impeachment que afastou Dilma Rousseff da Presidência em 2016. Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, nesta segunda-feira (16), o emedebista cita um telefonema de Lula na época para alegar que “não era adepto” do processo. Ele diz que “tentou” impedir o avanço do impeachment e não o fez por haver grande “movimentação popular”. 
Em abril daquele ano, quando o processo de impeachment ainda estava no início, o emedebista declarou, por assessoria de imprensa, que “por ser professor de direito constitucional, Michel Temer tem ciência de que não há golpe em curso no Brasil” em resposta a discurso de Lula que utilizava o termo “golpe” para se referir ao caso. Dilma Rousseff teve o mandato cassado em agosto de 2016 após votações na Câmara e no Senado que consideraram haver crime de responsabilidade na prática de pedaladas fiscais em seu governo. Como vice-presidente, Temer tomou posse em definitivo ao fim do julgamento. “Eu jamais apoiei ou fiz empenho pelo ‘golpe’. Aliás, muito recentemente, o jornal Folha de S. Paulo detectou um telefonema que o ex-presidente Lula me deu, no qual ele pleiteava trazer o PMDB para ‘impedir o impedimento’. E eu tentei, mas a esta altura eu confesso que a movimentação popular era tão grande e tão intensa que os partidos já estavam mais ou menos vocacionados, digamos assim, para a ideia do impedimento”, disse Temer, que acrescentou: “Este telefonema do ex-presidente Lula revela, exata e precisamente, que eu não era, digamos, adepto do ‘golpe’”.
Temer faz referência a diálogos divulgados pelo jornal Folha de S. Paulo, em parceria com o site The Intercept, na última semana, que mostram Lula, em conversas grampeadas, relutando em aceitar o convite de Dilma para ser ministro da Casa Civil e tratando do assunto com autoridades da época, como Temer. A defesa do petista afirma que tais conversas enfraquecem a tese usada pelo então juiz Sergio Moro de que o ex-presidente assumiria o cargo para travar investigações sobre ele. Ainda sobra aquele período, o emedebista disse acreditar que se Lula fosse nomeado ministro por Dilma o impeachment não teria ocorrido. “Ele [Lula] tinha bom contato com o Congresso”, avaliou Temer. A nomeação de Lula foi barrada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) após Moro divulgar trechos de uma ligação entre Lula e Dilma tratando sobre o termo de posse.


ELOGIOS A BOLSONARO
Na mesma entrevista ao Roda Viva, Temer elogiou Jair Bolsonaro pelo que considera uma “sequência” de políticas de sua gestão. “O governo Bolsonaro tem um ponto positivo. Esse ponto positivo, modéstia de lado, é porque ele está dando sequência a tudo aquilo que eu fiz”, disse. 
Questionado sobre prisões recentes em operações da Lava Jato, Temer voltou a alegar que as medidas não seguiram “o devido processo legal” e acusa promotores de querem “quebrá-lo psicologicamente” pela menção a sua filha Maristela em acusação em que responde por lavagem de dinheiro. “Depois que tentaram me derrubar do governo, e não conseguiram, tentam me quebrar psicologicamente envolvendo a minha filha”, alegou Temer.

*
HOJE, PORÉM...
Nesta terça (17), em entrevista ao programa Timeline, da Rádio Gaúcha, Temer esclareceu que o afastamento da antecessora foi constitucional. “A Constituição estabelece que o vice deve assumir quando houver impedimento do presidente. As pessoas diziam que era golpe, mas não houve isso. Evidente que não. Se nos Estados Unidos alguém dissesse isso, a pessoa ficaria vermelha. Mas aqui no Brasil não, porque as pessoas não conhecem a Constituição. À época, a pressão popular era tão grande, que os deputados já estavam vocacionados a votar a favor do impedimento”, avaliou o ex-presidente. 
No Roda Viva, a frase sobre o “golpe” veio no contexto da explicação sobre o diálogo entre ele e o ex-presidente Lula, revelado nos últimos dias pelo portal The Intercept e o jornal Folha de S.Paulo, e que daria a entender, segundo Temer, que ele tentou se unir ao PT antes do impeachment — e, portanto, não conspirou contra Dilma.

 


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