Modelo dois-irmonense visitou o Afeganistão um ano antes da volta do Talibã ao poder

17/09/2021
Tayline Budinsky Cardenal esteve no país no início de 2020

Tayline Budinsky Cardenal esteve no país no início de 2020

Destaque no mundo da moda, a dois-irmonense Tayline Budinsky Cardenal, de 19 anos, mora há quatro anos em São Paulo. Foi revelada em concursos de beleza como o Garota Estudantil, onde foi eleita 1ª Princesa em 2016, e a partir de 2018 ingressou na carreira de modelo. Já realizou trabalhos para L’Oréal, Taiff, revista Caras Argentina e Vogue Itália, e desfiles para Lethicia Bronstein, entre outros.

A carreira também permitiu conhecer países como Argentina, Colômbia e o Afeganistão, para onde foi a passeio em janeiro de 2020, antes da pandemia e antes, também, de o Talibã retomar o poder e os soldados americanos deixarem o país. Em entrevista ao Jornal Dois Irmãos, ela contou sobre os dias em que esteve no país afegão, especialmente sobre como vivem as mulheres. Tayline é filha de Karine Budinsky e Luís Fernando Cardenal. O pai, mais conhecido como Laco, mora no bairro São João. A mãe e as irmãs não moram em Dois Irmãos.

 

Quando e quanto tempo ficou no Afeganistão?

Tayline – Fiquei sete dias no Afeganistão; cheguei no dia 1º de janeiro de 2020.

 

Em quais cidades esteve?

Tayline – Fui para as cidades de Cabul, que é a capital; Panjshir, que é o campo onde aconteceu a guerra contra os russos no passado; e Mazar-i Sharif.

 

Quais suas principais impressões sobre o povo afegão?

Tayline – Eu tive a impressão de um povo sofrido, como se eles fossem de muito antigamente e não tivessem evoluído ainda. Nada chega lá, tecnologia não existe; eles vivem como nossos bisavós viviam. Um povo bastante pobre, ninguém é muito amigo de ninguém, passa uma impressão de perigo. Lembro de uma cena que nunca vou esquecer na vida: eu saindo do aeroporto no carro, com segurança e guia, avistei uma menina de uns 7 anos, olhos muito verdes, pedindo comida. Ela fazia sinal com a mão na boca, estava com terra na cara, parecia cena de guerra. Estava 0°C nesse dia, caindo neve; essa menina estava com frio e fome, é diferente de tudo que já vi.

No aeroporto, passamos por sete revistas diferentes. Antes de sair do país, mulheres são revistadas em uma sala por mulheres, e homens em outra sala por homens. A revista é para todos que chegam ao país. Obrigatoriamente, fazem isso à procura de bombas no corpo, já que mulheres usam roupas em que se podem esconder muitas coisas debaixo. Tudo nesse país é separado; salas de restaurante para comer, cada sexo tem sua sala.

 

Como vivem as mulheres do país?

Tayline – As mulheres vivem acompanhadas de seus maridos para sair de casa, quase nunca saem sozinhas. Na época ainda podiam ir às escolas; hoje acredito que o Talibã já tenha proibido esse direito.

 

Você precisou se vestir conforme os costumes locais?

Tayline – Me vesti como Muçulmana, com roupa que ia até os pés, cobrindo o corpo todo e o cabelo por completo. Caso não estivesse vestida assim, provavelmente seria complicado sair até do aeroporto. Acredito que não seria presa, mas poderia ser espancada, apedrejada ou até sequestrada e estuprada por homens afegãos. Por isso, já vim do avião vestida como Muçulmana. A vestimenta não é uma escolha, é uma obrigação para se proteger do perigo.

 

Chegou a ter medo em algum momento ou a passar por alguma situação difícil?

Tayline – Tive medo quando quisemos ir à outra cidade que não estava no roteiro e o dono da empresa de turismo ameaçou mandar nos prender, porque ele era nosso guia e “responsável” por nós; se ele não fosse junto, não poderíamos ir com outro guia. No final, fomos embora do país no dia seguinte, e não visitamos Bamyan. Meu namorado voltou esse ano com outro guia e visitou a cidade, antes de ser destruída agora pelo Talibã.

 

Chegou a ver soldados americanos nas ruas?

Tayline – Vi, sim. Eles paravam nosso carro para pedir o documento de autorização para portar armas para nosso segurança. Estavam lá para controlar o perigo mesmo.

 

Como analisa as notícias que chegam de lá? Conferem com a realidade?

Tayline – Sim, as notícias são reais, o perigo é real, as mulheres não têm direitos e se quiserem fazer algo diferente do comum, vão ser maltratadas ou mortas. Usam tudo em nome da religião.


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