Vacina de Oxford já em teste em humanos mostrou bons resultados em macacos

18/05/2020
Fonte: GaúchaZH

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Uma das vacinas contra o coronavírus em estudo que mais atraiu olhares da comunidade científica internacional recentemente, a imunização experimental da Universidade de Oxford, na Inglaterra, teve resultados promissores da fase de testes em macacos destacados em artigo. Em abril, as doses já entraram na fase de testes em humanos – 1,1 mil pessoas estão sendo testadas desde o dia 24 de abril. O governo britânico e parte da comunidade mundial esperam que ela esteja no mercado ainda no final deste ano. 
Segundo os pesquisadores, os macacos imunizados mostraram sinais de anticorpos presentes no organismo 28 dias após a vacinação e eles conseguiram combater a ação da covid-19 sem danos aos pulmões. De acordo com o relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgado no último dia 11, 110 vacinas estão em desenvolvimento em todo o mundo. Dessas, oito já estão em avaliação clínica. Os estudiosos explicaram que o teste foi feito em macacos, porque eles têm a maioria de seus genes parecidos com os de seres humanos. Após a seleção de nove animais, os primatas receberam metade da dose da vacina batizada de ChAdOx1 nCoV-19.
Com a imunização agindo no organismo, foi percebido que os seis primatas vacinados desenvolveram anticorpos para o vírus 14 dias após a vacinação e que, depois de 28 dias, todos os animais apresentaram sinais de anticorpos protetores no organismo. Soma-se a isso o fato de que os macacos foram capazes de frear  a ação da covid-19 antes que ela tivesse acesso aos pulmões, característica que é a principal causa de morte de pacientes com a doença. Isso porque, com a vacinação, as cargas virais no sistema respiratório foram reduzidas nos primatas vacinados.  

Avanço é animador, mas a vacina poderá levar 1,5 ano para chegar ao mercado, diz infectologista
Para Luciano Goldani, professor de infectologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o estudo traz grandes esperanças para que a vacina seja eficaz também em humanos.
— Esta vacina é baseada na spike proteína (que são aquelas espécies de alfinetes do coronavírus). Essa proteína gera imunidade protetiva com grande produção de anticorpos. O grande desafio será testar e avaliar a eficácia da vacina em um grande grupo de pessoas, já que o estudo está na fase sua fase inicial nesse momento — observa. 
A aposta da comunidade internacional neste estudo em específico é alta porque a equipe envolvida nestes ensaios clínicos é a mesma que desenvolveu uma proteção promissora para outra doença do coronavírus, a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (Mers). 
Goldani faz coro a essa expectativa: 
— Sou otimista, pois essa proteína tem se mostrado muito imunogênica. Acredito que chegaremos na vacina, mas não este ano. Isso exigirá mais 1,5 ano de pesquisa e trabalho. Os resultados são excelentes, mas foram demonstrados em animais e não em humanos. Vale destacar que o estudo foi divulgado no site BioRxiv na modalidade pré-print. Quer dizer, não passou por um processo de revisão por uma banca de especialistas antes de ser publicado. 


Testes em humanos 
Em abril, os pesquisadores injetaram em 320 voluntários a vacina extraída deste estudo aplicado em macacos, que é a combinação do adenovírus de chimpanzé e do material genético de uma proteína encontrada na superfície do coronavírus. Um segundo grupo de pessoas recebeu uma vacina para meningite, já que os efeitos colaterais da imunização são similares aos causados pela vacina em teste, como febre. Isso é necessário para que os pacientes não saibam qual das duas vacinas receberam. 
Para descobrir se a imunização funciona, é preciso medir o nível de infecção dos dois grupos. E, para isso, é necessário que um pequeno grupo desenvolva a covid-19. E é justamente nesta etapa que os pesquisadores se encontram. John Bell, um dos líderes do estudo, afirmou à BBC Rádio que espera "receber algum sinal sobre se está funcionando até meados de junho". Ele pontuou ainda que todos os testes clínicos devem ser finalizados até "meados de agosto". 
Pascal Soriot, executivo-chefe da AstraZeneca, farmacêutica que fabricará e distribuirá a vacina contra o coronavírus em desenvolvimento pela Universidade de Oxford, afirmou à BBC que, se o tratamento se mostrar eficaz,  uma “vacina para uso limitado pode estar disponível até o final deste ano”.  


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