“Sente para ver e viaje”, diz Ney Matogrosso sobre show gravado sem plateia

20/12/2019
Fonte: Folhapress

Fonte: Folhapress

Ney Matogrosso gosta de criar primeiro um novo show para só depois pensar no registro de um disco em estúdio. Em sua mecânica de trabalho, lança o álbum, começa a turnê e aí completa o ciclo com um registro em DVD. Mas agora mudou tudo. O espetáculo que Ney mostra pelo país desde o primeiro semestre, “Bloco na Rua”, não terá as músicas gravadas em estúdio. Sai em DVD e CD ao vivo, mas em um formato tão inovador que mereceria outra classificação.
Ney gravou o show completo, mas sem plateia. Apenas ele, a banda afiadíssima e a equipe de filmagem comandada pelo diretor Felipe Nepomuceno. “Gostei muito do resultado”, conta. “Não é um DVD de show, é uma terceira coisa. O que a gente está oferecendo é um passo adiante do show, um lance visual. Sente para ver e viaje, porque ele tem uma coisa lisérgica no resultado”. A captação das imagens impressiona. São enquadramentos inusitados, muitos close-ups. Impossíveis de registrar em um show compartilhado com plateia. Tudo foi gravado sem parar, nada foi repetido. Quem vê Ney se requebrando a cada canção pode pensar que ele cria coreografias que executa com rigidez. “Não é assim. Tem muito improviso, fico solto. Às vezes faço alguma coisa e gosto muito. Aí, no dia seguinte, eu não sei mais como cheguei naquilo, eu não lembro”, diz, rindo. “Acaba ficando sempre diferente”.
As versões físicas do CD e do DVD devem chegar às lojas em janeiro. O áudio do CD já está nas plataformas digitais, e as músicas do DVD estão sendo lançadas na rede, como clipes. O show abre com “Eu Quero É Botar Meu Bloco na Rua”, de Sérgio Sampaio. Como boa parte das músicas, vem dos anos 1970. Entre elas, há alguns “pares” de canções: duas de Chico Buarque (“Yolanda” e “Tua Cantiga”), duas de Fagner (“Postal do Amor” e “Ponta do Lápis”), duas de Rita Lee (“Jardins da Babilônia” e “Corista de Rock”), duas de Itamar Assumpção (“Já Sei” e “Já que Tem que”), e dois hits do Secos & Molhados, “Sangue Latino” e “Mulher Barriguda”. Ney se surpreende com a observação da reportagem. “Não atinei para isso. Agora, com você falando, é que estou vendo. Não foi de propósito”.


Até quando?
O músico rodou com o show do disco anterior, “Atento aos Sinais”, por cinco anos. “Quando estávamos com dois anos de turnê, achei que era hora de parar. Mas houve uma demanda tão grande, nós não pudemos encerrar”. Com apresentações em São Paulo nos dias 6 e 7 de março, no UnimedHall, Ney seguirá em turnê com “Bloco na Rua” em 2020, mas não arrisca previsões. “Eu não sei o que vai acontecer, porque eu estou com 78 anos. Até quando vou aguentar fazer uma coisa dessas? Eu vou até onde der”.


As 20 músicas do álbum Bloco na Rua:
1. Eu quero é botar meu bloco na rua (Sérgio Sampaio, 1972)
2. Jardins da Babilônia (Rita Lee e Lee Marcucci, 1978)
3. O beco (Herbert Vianna e Bi Ribeiro, 1988)
4. Álcool (Bolero filosófico) (DJ Dolores, 2013)
5. Já sei (Itamar Assumpção, Alzira Espíndola e Alice Ruiz, 1991)
6. Pavão Mysteriozo (Ednardo, 1974)
7. Tua cantiga (Cristovão Bastos e Chico Buarque, 2017)
8. A maçã (Raul Seixas, Paulo Coelho e Marcelo Motta, 1975)
9. Yolanda (Pablo Milanés, 1970, em versão em português de Chico Buarque, 1984)
10. Postal de amor (Raimundo Fagner, Ricardo Bezerra e Fausto Nilo, 1975)
11. Ponta do lápis (Clodo Ferreira e Rodger Rogério, 1975)
12. Tem gente com fome (João Ricardo sobre versos do poeta Solano Trindade, 1979)
13. Corista de rock (Rita Lee e Luiz Carlini, 1976)
14. Já que tem que (Alzira Espíndola e Itamar Assumpção, 2014)
15. O último dia (Paulinho Moska e Billy Brandão, 1996)
16. Inominável (Dan Nakagawa, 2019)
17. Sangue latino (João Ricardo e Paulinho Mendonça, 1973)
18. Coração civil (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1971)
19. Mulher barriguda (João Ricardo sobre versos do poeta Solano Trindade, 1973)
20. Como 2 e 2 (Caetano Veloso, 1971)

 


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