Aumento do tabagismo durante a pandemia terá reflexos no crescimento de casos de câncer no RS

28/08/2020
Fonte: GaúchaZH

Fonte: GaúchaZH

Fumantes aumentaram o consumo diário de cigarros durante a pandemia, revela o levantamento ConVid Pesquisa de Comportamentos, realizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais e a Universidade Estadual de Campinas. 
Conforme a análise liderada pela Fiocruz, 34,3% dos fumantes aumentaram a quantidade de cigarros consumidos por dia. Ao comparar o antes e durante a pandemia, 6,4% disseram que aumentaram cinco ou mais cigarros nesse período, enquanto 22,8% passaram a fumar cerca de 10 cigarros a mais. Outros 5,1% acrescentaram 20 ou mais cigarros ao hábito diário. O reforço desse costume terá sérias consequências daqui a alguns anos.  De acordo com a oncologista clínica Ana Gelatti, vice-presidente do Grupo Brasileiro de Oncologia Torácica (GBOT), os principais impactos poderão estar relacionados com o crescimento da incidência de câncer e, possivelmente, maior número de pacientes com doença avançada. “O efeito nocivo provocado pelo tabagismo pode desencadear uma futura epidemia de casos de câncer de pulmão, já que o tabagismo é responsável por 85% dos casos da doença”, ressalta Ana.
Esse aumento no consumo de cigarros acende um sinal de alerta, especialmente, para autoridades de saúde no Sul do Brasil, região que possui o maior número de fumantes em comparação com o restante do país. Levantamentos do Instituto Nacional do Câncer (Inca) mostram que o Rio Grande do Sul, especialmente a capital gaúcha, apresenta os maiores índices de tabagismo, tanto do sexo masculino quanto do feminino. Enquanto em capitais como Aracaju (Sergipe) os índices ficam abaixo de 10%, em Porto Alegre ficam entre 15% e 17%. Conforme o Programa Estadual de Controle ao Tabagismo da Secretaria Estadual da Saúde (SES), Porto Alegre lidera o ranking de fumantes pesados, que usam mais de 20 cigarros por dia. 


Retardando o diagnóstico
A médica alerta ainda para um outro fator que não pode ser desconsiderado: a pandemia também está retardando o diagnóstico precoce de câncer de pulmão porque as pessoas, com receio de sair do isolamento, estão demorando para procurar o médico. E a conjugação desses dois aspectos pode ter um efeito devastador para os pacientes oncológicos.
Ana destaca que o diagnóstico precoce do câncer de pulmão aumenta a expectativa de sobrevida em cinco anos em mais de 40% quando comparado com pacientes que diagnosticam a patologia já metastática. O rastreamento é uma das formas de diagnóstico e pode ser feito com tomografia com baixa dose de radiação. Ele é indicado para pacientes de alto risco, como indivíduos entre 55 a 75 anos e que fumaram uma carteira de cigarros por dia durante 30 anos, duas carteiras diárias durante 15 anos ou três carteiras diárias de cigarros durante 10 anos. No entanto, os pacientes demoram a procurar um médico e 60% a 70% de todos os tumores malignos são diagnosticados quando a doença já se encontra em estágio avançado.
Embora o tabagismo seja a principal causa do câncer de pulmão, a oncologista lembra que entre 15% a 20% dos casos não têm essa vinculação e são provocados por mutações genéticas ou outros tipos de exposição, como ao asbesto e outras substâncias químicas. Por isso, é importante ficar alerta a sintomas como tosse crônica, perda de peso, dor no tórax e tosse com sangramento.


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