Como pessoas mortas ajudam a deixar o seu carro mais seguro

02/09/2021
Fonte: Autoesporte

Fonte: Autoesporte

Os dummies são velhos conhecidos na indústria. Esses computadores em forma de bonecos são feitos para avaliar os ferimentos que pessoas teriam em um acidente de automóvel. Os equipamentos que valem milhões avançaram muito ao longo dos anos, mas ainda não eliminaram um procedimento que nenhuma montadora gosta de falar: o uso de cadáveres em crash-tests.

Esse tema pode parecer mórbido, mas é uma prática comum não só na indústria automotiva, mas também em diferentes áreas onde é preciso coletar dados valiosos sobre o resultado de diferentes acidentes no corpo humano. Mas, antes de tirarmos esse esqueleto do armário das montadoras, primeiro é preciso conhecer a história dos testes de impacto.

 

Profissão de risco

Avaliar o estrago do carro em acidentes é algo quase tão antigo quanto o próprio automóvel. O registro do primeiro crash test oficial data de 1934, quando a GM propositalmente estampou um carro no muro para buscar formas de proteger os passageiros. A tecnologia para fazer com que o veículo colidisse de forma exata no alvo ainda estava engatinhando, e não era raro que uma pessoa acelerasse o carro e pulasse dele nos últimos momentos. Como é de se imaginar, não era o procedimento mais seguro de todos.

Na mesma época pesquisadores passaram a usar um método polêmico, mas eficaz: colocar cadáveres para avaliar os ferimentos. Um dos primeiros estudos desse tipo registrados data dos anos 1930, quando pessoas mortas foram jogadas dentro de poços de elevador para avaliar os tipos de ferimentos que recebiam. Não demorou para que começassem a fazer o mesmo em crash-test, prendendo cadáveres nos carros antes de jogá-los contra paredes ou outros veículos. Em seguida os corpos passavam por medições, raios-X e autópsias e geravam relatórios preciosos sobre os diferentes ferimentos que tinham.

O dummie que conhecemos surgiu apenas em 1949 e originalmente foi projetado para testar assentos de ejeção de aviões. A evolução do boneco que virou até garoto-propaganda de montadoras permitiu que ele passasse também a ser usado em automóveis prestes a serem destruídos e reduziu drasticamente o uso de cadáveres. Mas não os eliminou completamente.

 

Vida após à morte

O grande desafio dos pesquisadores é criar um modelo matemático que cubra todas as variáveis em torno do corpo humano. E, para fazer isso, é preciso ter uma referência, que, adivinhe: vem dos cadáveres. Só depois de jogar pessoas mortas contra o painel, portas e outras partes do veículo é que cientistas souberam quanto de força é necessário para quebrar uma costela ou provocar um ferimento fatal nos passageiros. Com isso em mãos foi possível programar os inúmeros sensores dos dummies para que eles pudessem alertar sempre que uma colisão fosse potencialmente mortífera.

Mas nem sempre esses modelos cobrem todas as necessidades dos pesquisadores, especialmente quando uma tecnologia nova é implementada. Esse foi o problema da Ford ao desenvolver seu exclusivo cinto inflável, que chegou a equipar o Fusion no Brasil. Montadoras não têm estrutura médica para realizar testes com cadáveres, mas podem se associar à universidades aptas a fazer isso. Foi o que a Ford fez, ao financiar testes de seus cintos infláveis junto à instituições norte-americanas. Com os dados coletados, ela pôde projetar um sistema que não tivesse risco de machucar os passageiros.

 

Respeito

Como é de se esperar, usar cadáveres em testes não é simples. Os corpos sempre vêm de doadores — pessoas que permitem em vida o uso de seus restos mortais para pesquisas. Familiares também são informados dos testes que serão feitos e qual será a destinação final do cadáver, que pode ser enterrado ou cremado. O acesso ao veículo e corpo é restrito. Toda a pessoa é enfaixada, por respeito e protocolo. Se necessário seus membros são parcialmente bloqueados com talas e diferentes sensores são colocados no corpo. A retirada do cadáver do veículo também é feita com todo o cuidado.

Ainda que muitos pesquisadores vejam os testes como algo natural — o uso de cadáveres é algo comum nas faculdades de medicina há mais de 100 anos —, esse método está em desuso na indústria automotiva. E o motivo é o mesmo que vai aposentar os próprios dummies. A evolução dos computadores permitiu que as fabricantes fizessem boa parte dos crash-test de forma virtual. Hoje em dia é comum fazer as provas físicas apenas para validar os números já obtidos de forma virtual. Isso permite fazer carros ainda mais seguros a custos muito menores: com o preço de um crash-test dá para fazer milhares de provas virtuais.


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