Transporte ultrarrápido para ligar Porto Alegre à Serra em 20 minutos deve custar R$ 115 por pessoa, estima empresa

03/09/2021
Fonte: G1 RS

Fonte: G1 RS

O modal ultrarrápido da HyperloopTT, que pretende conectar Porto Alegre a Caxias do Sul, na Serra, em 20 minutos, terá custo estimado ao usuário de R$ 115, conforme o diretor para a América Latina da empresa, Ricardo Penzin. Os resultados do pré-estudo de viabilidade do sistema, o primeiro realizado na América Latina, forma apresentados na manhã desta quinta-feira (2). O acordo para o estudo foi firmado pela empresa junto com o governo do Estado e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Com o sistema, o trajeto de 135 km, que demora duas horas em uma viagem de carro, poderá ser realizado em 19 minutos e 45 segundos, em uma velocidade máxima de até 835 km/h. Ricardo compara a tarifa a uma corrida de carro de aplicativo entre a Capital e a cidade da Serra, que custaria em torno de R$ 250, e levaria ao menos duas horas. Já uma passagem de ônibus custa entre R$ 47 e R$ 60. O trajeto prevê outras duas paradas antes de Caxias do Sul. De Porto Alegre até Novo Hamburgo, a passagem custaria R$ 30. E da Capital até Gramado, seria R$ 105. O estudo de viabilidade considerou o período de cinco anos para o início da implementação do sistema.

O ponto inicial da estação será o Aeroporto de Porto Alegre, com uma área de 55 mil metros quadrados (20 mil para passageiros e 35 mil para cargas). Haverá uma estação subterrânea em Gramado, já que o modal vai passar por debaixo da cidade.

 

Como funciona

O Hyperloop transporta pessoas ou cargas por cápsulas colocadas em um tubo despressurizado, no qual o ar é retirado para eliminar a resistência. Ela se desloca sobre trilhos em um sistema de levitação com uma velocidade semelhante a de aeronaves. Cada cápsula pode ter capacidade de até 50 passageiros, e o sistema poderia oferecer uma viagem por minuto. O motor é alimentado por energia renovável e o projeto prevê a instalação de painéis fotovoltaicos em 80% do percurso acima do solo.

– Nosso footprint [pegada] de carbono é muito baixo. Todos os nossos fornecedores tem uma pegada de sustentabilidade, a maioria na Europa e Estados Unidos. Do ponto de vista de operação, temos um sistema que gera mais energia do que consome. Além disso, não usamos combustíveis fósseis e não emitimos som – explica Ricardo.

– O grande diferencial desse projeto é a dimensão ambiental e a pegada ecológica com a utilização de energia limpa e renovável – afirma o coordenador do projeto pelo Laboratório de Sistemas de Transportes da UFRGS, Luiz Afonso Senna.

 

Busca por investidores

O pré-estudo projeta que o Hyperloop deve se tornar rentável em 14 anos. De acordo com a pesquisa, o custo de implementação, estimado em 7,71 bilhões de dólares, é compensado já nos primeiros cinco anos de funcionamento, principalmente com receita proveniente dos passageiros (52%) e empreendimentos (35%), além de aluguel de lojas nas estações (2%), publicidade (2%) e transporte de carga (1%).

A partir da divulgação dos resultados, a empresa parte para a busca de investidores. Um novo estudo, dessa vez do ponto de vista executivo, deve ser realizado nos próximos dois anos. Como observa Ricardo, operadores de logística e construtoras são os negócios que mais investem nesse tipo de projeto. O estudo de viabilidade analisou os impactos do projeto no decorrer de 30 anos de funcionamento do transporte no sul do país. Em 30 anos, haverá uma redução de R$ 2,3 bilhões no custo operacional, estima o projeto.

– Os resultados do estudo de viabilidade são muito animadores, com redução de custos de operação, payback em tempo recorde em se tratando de um modal de transporte e um impacto enorme na geração de empregos e no turismo local. Nós esperamos engajar entidades ligadas à área de logística, operadores de rotas e governantes para dar esse grande passo em direção à inovação e ao desenvolvimento sustentável no país – completa Penzin.

O governador do RS, Eduardo Leite (PSDB), afirma que o governo do Estado disponibiliza as informações, dentro do termo de cooperação que foi firmado com a empresa, que dão base para o estudo.

– A tecnologia é nova, que pode parecer estranha, ser encarada com desconfiança, mas contamos com as análises científicas que identificam que o projeto é viável. Estamos, quem sabe, diante de uma possibilidade real e concreta da implementação de uma obra que vai beneficiar muito a população gaúcha – afirma.



 

Empregos e impacto regional

Dentre os principais benefícios para a economia local, segundo o estudo, estão a criação de 50 mil empregos diretos no setor de construção durante o período de obras, 9.243 empregos diretos e indiretos e 2.077 empregos no setor de energia solar anualmente durante 30 anos, crescimento do PIB e o aumento da receita tributária. Dessa forma, os ganhos serão cerca de 31% superiores aos custos envolvidos no projeto.

Além disso, nos 30 anos do período de análise, a projeção é que as cápsulas evitem 67 acidentes com mortes, 1.203 acidentes com feridos e 651 acidentes com danos apenas materiais. No total, são quase 2 mil acidentes a menos no Estado em três décadas. Além da mobilidade urbana, outro setor que promete ser beneficiado na região é o imobiliário. Com cerca de seis anos de implementação, deve ocorrer uma valorização de R$ 27,4 bilhões dos terrenos e propriedades no entorno das estações.

O estudo ainda supõe a participação da HyperloopTT em 20% dos novos empreendimentos de incorporação imobiliária, gerando ganhos não operacionais adicionais de R$ 18 bilhões, que se caracterizam como uma parte vital da receita do modal.

– Isso exigiu a articulação de vários saberes e o trabalho em equipe de profissionais de áreas como energia, previsão de demanda de carga, estudo de rotas, dentre outras, na Universidade. A gente sente que todos os nossos esforços foram recompensados com o lançamento desse estudo sólido e promissor – declara a Dr. Christine Tessele Nodari, coordenadora do projeto pelo Laboratório de Sistemas de Transportes da UFRGS.


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