Concessionária da freeway arremata nove aeroportos no Sul, incluindo três no RS

07/04/2021
Fonte: GZH

Fonte: GZH

Em meio à crise vivida pela aviação civil, 22 aeroportos passam para administração de grupos privados no país. Válida por 30 anos, a concessão dos terminais foi confirmada nesta quarta-feira (7), durante leilão promovido pelo governo federal na bolsa de valores de São Paulo (B3). Ao atrair o interesse de investidores, a disputa garantiu uma arrecadação inicial de R$ 3,3 bilhões para a União.

Os 22 aeroportos foram divididos em três blocos. O principal é o Sul, que reúne nove terminais. Três operações ficam em municípios gaúchos: Bagé, Pelotas e Uruguaiana. A Companhia de Participações em Concessões (CPC) venceu a disputa pelo Bloco Sul com uma proposta de R$ 2,1 bilhões. Ou seja, superou com folga o lance mínimo exigido para a concessão. O montante representa ágio (valor excedente) de 1.534% em relação ao preço mínimo estipulado para o lote (R$ 130,2 milhões). A CPC é uma empresa do Grupo CCR, já conhecido dos gaúchos. É que, em 2018, o grupo venceu o leilão das BRs 101, 290 (freeway), 386 e 448 (Rodovia do Parque).

O Bloco Central, com seis aeroportos, também foi arrematado pela CPC, por R$ 754 milhões, ágio de 9.156%. O Bloco Norte, com sete terminais, foi concedido para a francesa Vinci, por R$ 420 milhões, ágio de 777,47%. Conforme o governo, o investimento em melhorias nos 22 aeroportos chegará a cerca de R$ 6 bilhões ao longo dos 30 anos de concessão. Dessa quantia, R$ 2,8 bilhões devem ser destinados para o Bloco Sul, também composto por Curitiba (PR), Foz do Iguaçu (PR), Navegantes (SC), Londrina (PR), Joinville (SC) e Bacacheri (PR).

 

Aporte de R$ 206 milhões

O Ministério da Infraestrutura informou que o aporte previsto para Bagé, Pelotas e Uruguaiana é de R$ 206 milhões. Hoje, os ativos estão sob o guarda-chuva da Infraero. Na prática, o vencedor de cada disputa terá de administrar todos os terminais que compõem o respectivo bloco. Na visão de analistas, a estratégia buscou garantir que empreendimentos menores ficassem sem interessados. É o caso do trio gaúcho.

Os grupos investidores também precisarão pagar ao governo um percentual da receita obtida com as concessões a partir do quinto ano dos contratos. A pandemia fez a demanda por voos despencar a partir de 2020. Contudo, o investimento nos aeroportos mira em prazo mais longo, o que estimulou a atração de interessados. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) afirma que os 22 terminais leiloados nesta quarta-feira respondem por aproximadamente 11% do tráfego de passageiros no país, “em condições normais de demanda”.

Em entrevista após o leilão, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, reconheceu o momento de dificuldades na aviação, mas celebrou o resultado da disputa. Ele relatou que o país “precisa correr atrás de investimentos agora”:

— Começamos com o pé direito, um leilão extraordinário. Há de ressaltar a presença de grandes grupos que acreditam no Brasil. Vieram para cá e apresentaram suas propostas.

 

“Infra Week”

A disputa desta quarta faz parte da sexta rodada de concessão aeroportuária do governo federal. Na quinta-feira (8), ocorre o leilão da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), no trecho de Ilhéus a Caetité, na Bahia. Por fim, na sexta-feira (9), serão ofertados cinco terminais portuários. Um fica no porto de Pelotas, e os outros quatro estão localizados no Maranhão.

O terminal do município gaúcho é voltado especialmente para cargas de toras de madeira. Por isso, contribui para a cadeia logística da celulose. A estrutura tem área de cerca de 23 mil metros quadrados. A sequência de leilões foi apelidada de “Infra Week” — semana da infraestrutura, no termo em inglês.

 

 

Os três aeroportos gaúchos

 

Bagé

O Aeroporto Comandante Gustavo Kraemer fica na zona rural de Bagé, a 60 quilômetros da fronteira com o Uruguai. A partir de maio, deve ter voos comerciais ligando o município a Porto Alegre, segundo anúncio feito pela Azul Linhas Aéreas em fevereiro. O terminal já opera com aeronaves particulares, táxis aéreos e jatos executivos.

Dimensões da pista: 1,5 mil metros x 30 metros

Terminal de passageiros: 600 metros quadrados

Passageiros embarcados e desembarcados:

Em 2019: 1.950

Em 2020: 1.774

 

*

Pelotas

O Aeroporto João Simões Lopes Neto fica a sete quilômetros do centro de Pelotas. Já recebe voos comerciais regulares da Azul que conectam o município a Porto Alegre

Dimensões da pista: 1,9 mil metros x 42 metros

Terminal de passageiros: 1,1 mil metros quadrados

Passageiros embarcados e desembarcados:

Em 2019: 34.760

Em 2020: 10.107

 

*

Uruguaiana

O Aeroporto Rubem Berta fica a seis quilômetros do centro de Uruguaiana e a oito quilômetros da fronteira com a Argentina. Já recebe voos comerciais regulares da Azul que conectam o município a Porto Alegre

Dimensões da pista: 1,5 mil metros x 30 metros

Terminal de passageiros: 800 metros quadrados

Passageiros embarcados e desembarcados:

Em 2019: 20.835

Em 2020: 4.671

 

* Fontes: Infraero, Anac e Ministério da Infraestrutura


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