“Aguentei até onde eu pude. Não aguentava mais, não vivia mais”, diz vítima

09/07/2021
Campanha do Conselho Nacional de Justiça (CNJ)

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Vítima de violência doméstica, uma mulher de 39 anos foi agredida pelo ex-companheiro durante 20 anos. Em pelo menos duas oportunidades, ela pediu a separação, mas acabou voltando após ser ameaçada pelo homem. Em agosto de 2019, encorajada pela família e por não aguentar mais ver o sofrimento dos filhos, ela pôs fim ao casamento. Apesar da separação, seguiu sofrendo ameaças, situação que só cessou após a prisão do ex-companheiro, em maio deste ano. “Hoje vivemos em paz. É outra vida, é outro ambiente”, diz a vítima, ponderando que, apesar de tudo, o medo ainda existe. “Estou em paz porque sei que ele está preso de novo. Mas e quando ele sair?”.

A vítima e o agressor se conheceram quando ela tinha 16 anos. Mesmo sob o olhar desconfiado do pai, ela insistiu no relacionamento. Segundo ela, o homem tinha atitudes agressivas desde o início do namoro. “Acreditava que ‘era só uma brincadeira’, um empurrão, um beliscão”, lembra, contando que se casaram em menos de um ano. “Os primeiros dias foram maravilhosos. Depois, começaram as agressões”, conta a vítima, relatando agressões físicas e psicológicas. “Sempre fui espancada, apanhava”, completa, contando que ele também não permitiu que ela concluísse os estudos.

Juntos, o casal teve três filhos – dois ainda são menores de idade. Além de presenciar as agressões sofridas pela mãe, eles também eram agredidos pelo pai. “Era tapa, empurrão, chute, beliscão”, conta a vítima, alegando que era ameaçada toda vez que tentava defendê-los. “Ele me machucava muito mais, porque agredia os meus filhos”, relata.

As agressões ocorriam por diversos motivos. A última briga ocorreu logo após ela chegar do trabalho. “Cheguei cansada, com uma sacola de brinquedos e itens de casa, que tinha ganhado de uma pessoa. Estava dando atenção para o meu filho, quando ele (ex-companheiro) fez uma pergunta e eu disse que responderia em seguida. Acho que ele queria atenção e se irritou. Jogou uma raquete na minha direção, mas eu desviei”, contou ela, relatando que, na sequência, foi agredida com um tapa no rosto e um soco no braço. Naquela noite, um dos filhos saiu de casa em busca de ajuda. Depois daquele dia, após conversas com redes de atendimento, a vítima decidiu denunciar o ex-marido. Na época, ele foi afastado do lar e, depois, preso. “Aguentei até onde eu pude. Não aguentava mais, não vivia mais. As pessoas percebiam que eu não estava bem. Aos poucos, senti que tinha que começar a contar, a desabafar”, diz ela, contando que muitas pessoas a incentivaram a pedir ajuda. “Tentei fazer de tudo para manter a minha família, mas não deu nada certo. Orei muitas vezes pedindo para que ele mudasse e nada mudava. E cada vez era pior. Foi e ainda é muito sofrido”, completa.

Segundo a vítima, o homem não era usuário de drogas e bebia socialmente. “Ele fez tudo isso de ruim. Perdeu a família, tinha tudo... filhos lindos”, comenta, falando do amor pelos três. “De tanta tempestade, de tanta coisa ruim, o que valeu a pena disso tudo foram os meus três filhos. São educados, trabalhadores, amorosos, cuidadosos”.


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