Obesidade infantil aumenta durante a pandemia e preocupa especialistas

12/07/2021
Por Giordanna Benkenstein Vallejos

Por Giordanna Benkenstein Vallejos

A obesidade infantil é um problema mundial de saúde pública a ser superado. Dados nacionais mostram que 3 a cada 10 crianças de 5 a 9 anos estão acima do peso no país. O Brasil estará na 5ª posição no ranking de países com o maior número de crianças e adolescentes com obesidade em 2030, com apenas 2% de chance de reverter essa situação se nada for feito, segundo o Atlas Mundial da Obesidade. Além disso, a OMS estima que em 2025 o número de crianças obesas no planeta chegue a 75 milhões, sendo considerado um problema de saúde global.

Devido à pandemia, as crianças não foram para a escola, deixaram de sair tanto de casa e por consequência ficaram mais sedentárias e com os hábitos alimentares desregrados. O pediatra Jorge Alberto Pires Pereira diz ter percebido a diferença nos seus pacientes em Dois Irmãos. “Normalmente coloco os pacientes no gráfico de desenvolvimento de peso, e é notório que a maioria teve um aumento de peso de março de 2020 para cá”, afirma o médico. Outra diferença percebida pelo pediatra é que algumas mães têm consultado em função do ganho de peso como queixa principal. Quando a obesidade infantil é diagnosticada, é feita uma investigação por meio de exames de sangue para ver se existe algum comprometimento em relação a triglicerídeos, colesterol total ou glicose, por exemplo. Dessa forma é possível saber qual a melhor mudança na alimentação da criança e um acompanhamento com uma nutricionista é recomendado.

Um dos fatores que interferem, além da alimentação e atividade física, é a genética da família. “Temos que ver também o padrão familiar, porque muitas vezes a criança é obesa, o pai é obeso e a mãe é obesa. Então, eles acham que aquele perfil físico é o normal e parece que eles não enxergam essa obesidade infantil, sendo que ela existe e é prejudicial para a criança”, diz Jorge. A obesidade infantil preocupa, pois pode gerar doenças como hipertensão, diabetes, aumento na sobrecarga dos joelhos, entre outras condições que podem comprometer a saúde da criança antes mesmo de chegar à vida adulta.

 

Mudança nos hábitos

A nutricionista da Secretaria da Educação, Ana Paula Gassen, que trabalha auxiliando a coordenar a merenda das escolas do município, também percebeu uma diferença nos hábitos alimentares das crianças de Dois Irmãos. “Eu percebo que o hábito deles mudou no sentido de estarem comendo poucas frutas na escola. Talvez em casa eles não tivessem muito o hábito de comer fruta. As merendeiras estão relatando que está sobrando frutas da merenda”, comenta.

Ana Paula acrescenta: “A gente nota que com certeza eles estão bem desregrados com relação à alimentação. Algumas famílias comentam que o filho aumentou de peso. A mudança principal que notei foi no hábito, da criança ter comida à disposição em casa e ficar beliscando durante o dia, sem ter aquela refeição completa como deveria”.

 

Rotina alimentar é fundamental

Segundo a nutricionista, para amenizar o problema, o primeiro passo é colocar uma rotina alimentar na vida da criança, ou seja, não deixar ela se alimentar simplesmente a hora que quiser. Além disso, dentro das refeições principais, é importante sempre oferecer um carboidrato, uma fonte de proteína e salada, sendo ideal a criança ingerir durante os lanches pelo menos três frutas ao dia e evitar alimentos industrializados, como bolachas recheadas e salgadinhos.

Algumas crianças podem ter dificuldade em aceitar frutas e vegetais. “O primeiro passo para a criança comer é os pais comerem, elas precisam ser guiadas pelo exemplo. Então, tem que insistir, fazer diferentes preparações da mesma salada ou fruta para mudar a forma de apresentação e ver onde ela vai ter uma maior aceitação”, explica Ana Paula.

Existe também o Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de Dois Anos (bit.ly/36srqak) e o Guia Alimentar para a População Brasileira (bit.ly/3xumFJu), ambas publicações do Ministério da Saúde que também podem ser uma forma de auxiliar para uma alimentação mais saudável.


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