Pesquisa da UFPel busca identificar efeitos indiretos da pandemia no RS

12/07/2022
Fonte: g1 RS

Fonte: g1 RS

Para além das infecções que atingem milhões de pessoas, a pandemia de Covid-19 trouxe consequências indiretas para a população e que ainda são pouco conhecidas. Esses efeitos são foco de estudo coordenado pela Escola Superior de Educação Física da Universidade Federal de Pelotas (UFPel).

A pesquisa, que aborda a saúde mental e física da população adulta do Rio Grande do Sul, começou a ser desenvolvida em 2020 e está, neste momento, na quarta etapa de levantamento de dados. Com base nas informações recolhidas até o momento, o coordenador da pesquisa, Eduardo Caputo aponta dois principais efeitos: a prática de atividades físicas e sintomas de ansiedade e depressão. “O nosso objetivo geral é conseguir ter uma ideia de curto, médio e longo prazo dos efeitos indiretos da pandemia na saúde da população gaúcha”, afirma.

Do ponto de vista de curto e médio prazo, o pesquisador indica que, nos 10 primeiros meses de pandemia, a prática de exercícios físicos apresentou um comportamento em forma de “U”, com queda muito grande nos primeiros meses. “A gente tinha em torno de 40% das pessoas fazendo o que era recomendado [30 minutos diários], e passou a ter entorno de 20%. Depois, na segunda coleta, já houve um aumento, mas ainda não era o suficiente para bater os níveis de pré-pandemia”, afirma.

Em relação aos dados de saúde mental, a manifestação foi outra. “Há aumento muito grande dos sintomas de ansiedade e depressão nos três primeiros meses. A partir de março, há uma piora nos quadros de sintomas de ansiedade e depressão e, depois, uma queda em dezembro e janeiro, que também não é o suficiente para atingir os níveis pré-pandemia”, indica.

 

Outros aspectos

Outra questão identificada, principalmente na primeira coleta de dados, foi que as pessoas que tinham doenças crônicas não transmissíveis, consideradas grupos de risco, tiveram dificuldade de acessar medicamentos e de controlar a sua doença. “Quando a gente tem um quadro de doenças crônicas não transmissíveis piorados, isso a médio e longo prazo vai gerar uma carga maior no sistema”, alerta Caputo.

A situação pôde ser mais bem visualizada na segunda coleta, quando dados apontaram aumento de 25% de casos de multimorbidade (pessoas que têm mais de uma doença crônica) criados durante a pandemia. “Para quem não tinha multimorbidade, daquele grupo de pessoas, uma em cada quatro pessoas desenvolveu. É um número muito alto para um espaço curto de tempo”, avalia.

A expectativa dos pesquisadores é de que os dados gerados possam ser usados como base para a criação de políticas públicas que revertam em benefícios para a população. “Que as pessoas responsáveis pela formulação de políticas públicas possam tomar essas ações com base em dados científicos. A gente precisa ter uma visão mais ampla da pandemia”, afirma.

 

Levantamento de dados

Inicialmente, o projeto previa três coletas de dados, que foram feitas em junho e julho de 2020, dezembro de 2020 e janeiro de 2021 e junho e julho de 2021. Com a chegada da vacina e mudanças no cenário da pandemia, mais três coletas de dados foram incluídas no programa, incluindo variantes como vacinação, Covid longa e segurança alimentar, que podem ter efeito a longo prazo. Além da realização do levantamento que começou em junho e segue neste mês de julho, haverá outros em 2023 e 2024.

Cerca de 7 mil pessoas já responderam ao menos uma vez o questionário sobre a prática de exercícios, condições físicas e psicológicas e o acesso aos serviços de saúde, que é divulgado por meio das redes sociais do projeto. De acordo com Caputo, a busca é por atingir pessoas de todas as regiões do estado. Uma das características do estudo é de acompanhar os primeiros participantes, mas também conta com novos integrantes em cada etapa da pesquisa. “Quem respondeu lá em 2020, na primeira coleta, foi acompanhado em todas as outras fases e vai continuar sendo”, afirma.

Dessa forma, o estudo ocorre sempre em duas fase: a primeira de buscar pessoas para responder, e a segunda, quando a equipe entra em contato com os entrevistados em 2020, em torno de 1,8 mil pessoas. O trabalho será feito ao longo deste mês de julho. Neste caso, o objetivo, conforme o coordenador, é ter uma ideia de temporalidade, do que aconteceu com esse grupo de pessoas específico ao longo de 24 meses.

Caputo faz um chamado para que as pessoas respondam à pesquisa e para o acompanhamento da pesquisa. O grupo conta com dois financiamentos, um pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), outro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs).


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