A cada 50 mortes por raios no mundo, uma é no Brasil; saiba como se proteger

28/04/2022
Fonte: GZH / Foto: Folha de S.Paulo

Fonte: GZH / Foto: Folha de S.Paulo

A morte do soldado Lucas Emanuel Ribeiro Pinto, 18 anos, atingido por raio enquanto caminhava numa rua do Centro de Quaraí, na Fronteira Oeste, no início da noite de segunda-feira (25), despertou a atenção para a questão. Por ano, o Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) estima que morrem no Estado, em média, oito pessoas e 18 cabeças de gado atingidas por raios.

Segundo o Elat, os raios atingem e matam mais de forma indireta, por meio de correntes que vêm pelo chão ou por objetos próximos. Estar embaixo ou próximo de uma árvore é um exemplo no qual muitas pessoas são atingidas indiretamente por uma descarga lateral, que se desloca do ponto atingido e encontra no corpo humano um caminho menos resistente para chegar ao solo. Um raio também pode atingir uma pessoa diretamente e causar a sua morte imediata se ela estiver, por exemplo, numa área descampada, sendo o ponto mais alto debaixo de uma forte tempestade.

A cada 50 mortes por raios no mundo, uma é no Brasil, que lidera o ranking mundial em incidência de raios, atingido por 78 milhões de descargas atmosféricas por ano. Em média, o fenômeno mata no país 110 pessoas, deixa mais de 200 feridos e causa prejuízos anuais de R$ 1 bilhão. No ranking de fatalidades causadas por raios de países com estatísticas confiáveis, o Brasil é o segundo na América Latina com o maior número de mortes (o México ocupa o primeiro lugar) e o sétimo no mundo.

No ranking brasileiro de densidade de raios, o Rio Grande do Sul está em 16º entre os Estados, e ainda assim há cerca de 4 milhões ocorrências por ano em terras gaúchas, cuja temporada de maior intensidade do fenômeno é entre setembro e janeiro. De acordo com o cientista Osmar Pinto Junior, um dos fundadores do Elat, com a tecnologia atual, no Rio Grande do Sul se detecta mais de 90% dos raios. Pinto Junior destaca que o máximo de raios já registrados em um único dia em Porto Alegre foi de 636, em 10 de setembro de 2020, e o máximo de raios registrado em um município gaúcho em um único dia foi de 14.432, em Uruguaiana, em 21 de maio de 2020.

 

O que é um raio?

Conforme o Elat, raio é o nome designado para um relâmpago que atinge o solo. Os relâmpagos são descargas atmosféricas de grande intensidade que ocorrem dentro das nuvens de tempestade – também conhecidas como nuvens Cumulonimbus – a partir de cargas elétricas provocadas pelo atrito entre partículas de gelo.

Quando o campo elétrico produzido por essas cargas excede a capacidade isolante do ar, a descarga elétrica se forma. Os raios percorrem distâncias da ordem de 5 km e podem ser denominados ascendentes, quando iniciam no solo e sobem em direção à tempestade, ou descendentes, quando iniciam na tempestade e descem em direção ao solo. A intensidade típica de um raio é de 20 mil ampères, cerca de mil vezes a intensidade de um chuveiro elétrico.

 

O QUE FAZER SOB RISCO DE TEMPESTADE

 

ÁREA RURAL

– Evitar colher frutas, abrigar-se ou caminhar perto de árvores;

– Não ficar próximo a animais ou andar a cavalo;

– Não ficar próximo a cerca de arame;

– Não carregar ou ficar próximo a objetos metálicos pontiagudos, como enxadas, pás e facões;

– Evitar ficar próximo de veículos, como tratores, carros ou dentro de carroceria de caminhão;

– Não abrigar-se em áreas cobertas, que protegem da chuva, mas não dos raios, como varandas, barracos e celeiros.

 

AO AR LIVRE

– Parar de jogar futebol ou permanecer no campo;

– Evitar caminhar em áreas descampadas, como terreno baldio, cemitério e canteiro de obra;

– Evitar caminhar ou ficar parado em rodovias, ruas ou estradas;

– Não subir em locais altos, como telhados, terraços e montanhas;

– Não ficar próximo a varal de metal, antena ou portão de ferro.

 

NA PRAIA, NA PISCINA OU NO RIO

– Sair da água;

– Não caminhar às margens da água na faixa de areia, calçadão, beira de rio ou piscina;

– Sair debaixo de guarda-sol, tendas e quiosques;

– Não ficar próximo a embarcações atracadas;

– Não realizar atividades de pesca navegando em embarcações ou na beira da água.

 

DENTRO DE CASA

– Evitar utilizar equipamentos elétricos ligados à rede elétrica ou ficar perto de tomadas;

– Evitar falar ao telefone com fio ou utilizar celular conectado ao carregador;

– Evitar tomar banho em chuveiro elétrico;

– Não ficar próximo a janelas e portas metálicas;

– Não ficar próximo à rede hidráulica (torneiras e canos).

 

OPÇÃO MAIS SEGURA DE ABRIGO EM QUALQUER CENÁRIO

– Entre em um veículo não conversível e feche as portas e vidros, evitando contato com a lataria;

– Entre em moradias ou prédios, mantendo distância das redes elétrica, telefônica e hidráulica, de portas e janelas metálicas;

– Entre em abrigos subterrâneos, tais como metrôs ou túneis.

– Afasta-se de qualquer ponto mais alto e de objetos metálicos, mantenha os pés juntos e agacha-se até a tempestade passar. Não fique deitado.

 

FONTE: Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe)


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