Ano de desafios e aprendizagem para a escola Bruxinha Faceira

17/09/2020
Anelise e Matheus

Anelise e Matheus

Há mais de 20 anos dedicada à Educação Infantil, pela primeira vez a Escola Bruxinha Faceira se deparou com um silêncio absoluto tomando conta dos seus dois espaços educacionais, matriz e contraturno. “Nós, que nunca fechamos, com exceção de uma semana no inverno, não imaginávamos que um dia iríamos fechar por duas semanas. Isso nos assustou”, comenta Anelise Klauck Blume, diretora da escola, lamentando que, atualmente, já sejam seis meses sem aulas presenciais.  
Projetava-se um ano de realizações. “Todo mundo tinha a expectativa de um 2020 promissor, e foi assim na Bruxinha; estávamos cheios de energia, com bastante procura por vagas, fazendo adaptações de alunos novos”, conta Anelise, que meses depois se viu obrigada a fechar as portas. “Sabíamos que em outros lugares a situação estava difícil, mas não imaginávamos que chegaria aqui tão rápido”, completa, destacando que, naquele momento, a orientação era “fique em casa”. “Achávamos que, depois de duas semanas, poderíamos voltar em segurança. Não passava pela nossa cabeça a possibilidade de ficar bem mais tempo fechados”, completa a diretora.
Diante de um retorno incerto e a saudade entre família a escola, a interação através da agenda eletrônica Clip Escola, plataforma que a Bruxinha Faceira já utiliza há dois anos, foi a maneira que encontraram de manter o contato entre alunos, pais e educadores. “Gravamos vídeos com mensagens, músicas, poemas, cada um da sua casa. Na época, era realmente para matar a saudade, com muita espontaneidade e carinho”, diz Ane, contando que, dias depois, surgiu a ideia de compartilhar sugestões de atividades e, mais tarde, em abril, sentiu-se a necessidade de fazer mais. “Queríamos socializar, estar presentes, ver, ouvir as crianças”, conta a diretora, destacando que os profissionais buscaram, a partir de então, se qualificar para iniciar as aulas virtuais. “A base da Educação Infantil é o presencial, é o olho no olho, colo, carinho, conversa, socialização, e a gente espera que isso mude; mas, por enquanto, é a nossa única opção”, completa.
Ocorrendo pelo Google Meet, as aulas virtuais ocorrem diariamente, conforme a realidade de cada nível, com o objetivo de manter, de alguma forma, uma rotina escolar. “Produzimos aulas exclusivas, pensando nas especificidades, idades, perfis, tempo de concentração, habilidades que já tinham, e claro, com base no Projeto Político Pedagógico da escola”, diz Ane, contando que os horários foram definidos conforme a rotina das famílias, que também enfrentam o desafio de se reorganizarem em casa. “A participação dos pais é muito significativa, estão acompanhando os filhos na execução das tarefas”, conta Ane, feliz com o envolvimento das famílias. 
Desafiados a ensinar através da tela de um computador, os educadores precisaram explorar sua criatividade. “Tivemos que reaprender muita coisa, pesquisamos muito”, diz Ane, destacando que a equipe é unida e participativa, o que faz a diferença ao longo deste período. “Está sendo um ano desafiador, de muita aprendizagem. Tivemos momentos difíceis, mas, ao olharmos para trás vemos o quanto aprendemos, o quanto fizemos mesmo achando que não conseguiríamos. Tudo isso só é possível graças a união da equipe e de toda a comunidade escolar. É essa união e solidariedade que fez a diferença”, completa. Segundo a diretora, além da questão pedagógica, a escola também buscou diminuir o valor das mensalidades, em uma maneira de demonstrar solidariedade com as famílias, diante da crise econômica consequente da pandemia.  
Mesmo com todas as ações, ver e ouvir através da tela de computador não termina com a saudade. “O que mais dói é não podermos estar juntos. Imagina, você está dando aula online, eles lhe veem, você os vê, conversa, ri, canta, chora, mas não está presente, não está junto, está usando uma máquina para lhe transmitir visualmente”, comenta Anelise. Além da saudade, o coordenador do contraturno, Matheus Klauck Blume, reforça o quanto essa interação presencial faz falta, tanto para o desenvolvimento cognitivo quanto social da criança. “Olhamos para a Educação Infantil como a base da formação do ser humano; é como uma casa; ela começa pela base, não pelo telhado”, comenta.
Atualmente, a Bruxinha Faceira conta com 77 alunos de 4 meses a 5 anos 11 meses e 29 dias na Matriz, e 115 alunos de de 4 a 10 anos no contraturno. Ansiosa, a equipe da Bruxinha aguarda o retorno destas quase 200 crianças. “Estamos loucos para voltar. Sabemos que não será um voltar normal, mas um voltar possível. Não consigo imaginar escola sem afeto, e sabemos que este será um dos nossos maiores desafios”, finaliza Ane. 

 


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