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O Rio Grande do Sul registrou saldo negativo na geração de vagas formais de trabalho em abril, segundo dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged) divulgados pelo Ministério do Trabalho nesta quinta-feira (28). Foram 134,5 mil contratações e 135,9 mil demissões – fechando o mês com a perda de 1.396 vagas.
Dessa forma, o RS foi uma das três unidades da federação que apresentaram saldo negativo de vagas no país, junto com Alagoas (-1.505) e Rio Grande do Norte (-1.396).
No acumulado do ano, contudo, o saldo é positivo. O RS abriu 594,9 mil postos de trabalho e fechou 549,5 mil vagas – um resultado de 45,4 mil postos a mais.
Agro tem maior queda
A agropecuária foi o segmento que registrou a maior queda em vagas, com saldo negativo de 3.120 postos, resultado de 6.071 contratações e 9.191 demissões no mês passado.
– A avaliação é de que o resultado do Caged referente ao mês de abril apresenta uma variação pequena, que se explica pela sazonalidade de algumas culturas. Isso é uma característica do nosso Estado e que tende a oscilar nos próximos meses, mas que, na segunda metade do ano, deve contar com um crescimento natural nos postos de emprego. Culturas específicas, como a da maçã e seu encerramento de ciclo, se destacam nos resultados – afirma José Scorsatto, secretário estadual do Trabalho e Desenvolvimento Profissional.
– É bastante comum nessa época do ano nós termos um número maior de dispensas do que de contratações, tem um fundo completamente sazonal. No agro, isso acontece em abril e maio. É quando a safra se encerra, e todas aquelas pessoas que são safristas e que foram contratadas com o único objetivo da safra são dispensadas, como acontece em Vacaria, onde muitas pessoas inclusive vêm de fora do Estado para ajudar na colheita – observa o economista-chefe da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), Antônio da Luz.
O comércio foi o outro setor que registrou variação negativa de vagas em abril. Foram 35.715 admissões e 36.428 demissões, resultando em 713 postos formais de trabalho a menos no segmento.
O setor da economia que apresentou maior variação positiva de contratações no Estado em abril foi o de serviços. Foram 52.805 contratações e 51.513 demissões — saldo de 1.292 vagas.
A indústria teve resultado pouco abaixo, com saldo positivo de 1.114 vagas após 31.175 contratações e 30.061 desligamentos. Já a construção apresentou pequena variação positiva de 31 vagas, após 8.803 admissões e 8.772 demissões.
– O que chama atenção é que a indústria, mesmo com saldo positivo, não está tendo o crescimento que era esperado, e o número de novas contratações acaba ficando um pouco abaixo da expectativa. Já o comércio, que apresentou variação negativa, é impactado também por duas questões macroeconômicas, a alta taxa de juro e o alto nível de endividamento da população, que afeta o poder de compra e impacta o setor como um todo – destaca Lisiane Fonseca da Silva, economista e professora da Feevale.
Resultado por município
Os três municípios gaúchos que apresentaram os maiores saldos de contratações em abril foram Santa Cruz do Sul (825), Canoas (687) e Venâncio Aires (357).
Santa Cruz e Venâncio tiveram estes resultados principalmente a partir das admissões na indústria, que tiveram saldos positivos de 823 e 321 postos de trabalho, respectivamente. Em Canoas, o setor de serviços foi o principal destaque do mês passado, com saldo positivo de 716 novas vagas formais.
Já os três municípios do Estado que apresentaram os maiores saldos negativos no mês foram Vacaria (-880), Passo Fundo (-627) e Porto Alegre (-427).
Vacaria teve esse resultado, justamente, em razão do fim da colheita da maçã no período, com o saldo negativo das vagas na agropecuária chegando a 923. Passo Fundo e Porto Alegre, por outro lado, apresentaram as principais quedas em serviços, com saldo negativo de contratações no setor de 608 no município da Região Norte e 505 na Capital.
Números nacionais
Em todo o Brasil, o saldo de novos empregos de carteira assinada em abril foi de 85.888. O dado é resultado das 2.268.655 admissões e 2.182.767 desligamentos que ocorreram no mês.
O acumulado do ano no país chegou a 699.762 novos postos de trabalho abertos, registrando crescimento de 1,5% em relação ao saldo em dezembro de 2025. Já no acumulado dos últimos 12 meses, o saldo de novos postos de trabalho é de 1.059.860, resultando em crescimento de 2,3% neste período.
No país, o maior crescimento do emprego formal em abril ocorreu no setor de serviços, com saldo positivo de 69.601 postos de trabalho. Na sequência, vêm construção, com saldo positivo de 23.525, e indústria, com saldo de 9.256 novos postos.
Os resultados negativos ficaram por conta da agropecuária, que registrou menos 8.378 vagas, e comércio, com saldo negativo de 8.114.