Tabagismo provoca danos silenciosos ao coração e aumenta risco de infarto e AVC

01/06/2026
Fonte: Assessoria de comunicação / Foto: Divulgação

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O tabagismo ativo e a exposição à fumaça do cigarro estão entre os principais fatores de risco evitáveis para doenças cardiovasculares, como infarto, Acidente Vascular Cerebral (AVC), angina, doença arterial periférica, tromboses e morte súbita.

No Dia Mundial sem Tabaco, celebrado no último domingo, 31 de maio, a Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio Grande do Sul (SOCERGS) faz um alerta à população gaúcha sobre os danos silenciosos provocados pelo cigarro ao coração e aos vasos sanguíneos, muitas vezes antes do surgimento de qualquer sintoma.

Criada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 1987, a data busca chamar atenção para os riscos do consumo de tabaco e para a necessidade de políticas eficazes de redução do seu uso. A própria OMS aponta que o uso do tabaco e a exposição à fumaça passiva estão entre as principais causas de doenças cardiovasculares, incluindo infarto e AVC.

Ao fumar, a pessoa inala milhares de substâncias tóxicas. A nicotina aumenta a frequência cardíaca, eleva a pressão arterial e favorece a contração dos vasos. O monóxido de carbono reduz a capacidade do sangue de transportar oxigênio. Outros componentes da fumaça provocam inflamação, lesão do endotélio, que é o revestimento interno das artérias, e maior tendência à formação de coágulos. Esse conjunto de agressões pode acelerar a aterosclerose, processo de acúmulo de placas de gordura nas artérias, conhecido popularmente como “entupimento” dos vasos.

“O cigarro não agride apenas o pulmão. Ele também atua diretamente sobre o sistema cardiovascular, favorecendo inflamação, trombose, redução da oxigenação e lesões progressivas nas artérias. Muitas vezes, esse dano evolui de forma silenciosa, até se manifestar por meio de um evento grave, como infarto ou AVC”, afirma o Presidente da Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio Grande do Sul (SOCERGS), Dr. André Luís Câmara Galvão.

Estudos internacionais ajudam a dimensionar o impacto. O estudo global INTERHEART, realizado em 52 países, identificou o tabagismo entre os fatores modificáveis associados ao primeiro infarto do miocárdio. Já uma meta-análise publicada no British Medical Journal apontou que fumar apenas um cigarro por dia está associado a aumento relevante do risco cardiovascular, com elevação de 47% no risco de doença coronariana e 54% no risco de AVC em estimativas combinadas.

A SOCERGS também chama atenção para o tabagismo passivo. A exposição ocorre quando uma pessoa não fuma, mas respira a fumaça produzida por quem fuma. De acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), não fumantes expostos à fumaça em casa ou no trabalho têm risco 25% a 30% maior de desenvolver doença cardíaca e risco 20% a 30% maior de AVC.

Os danos podem ser ainda mais preocupantes em pessoas com hipertensão, diabetes, colesterol alto, histórico familiar de doença cardiovascular, idade avançada ou doença cardíaca prévia. Gestantes, crianças expostas à fumaça dentro de casa e idosos também estão entre os grupos que exigem maior cuidado.

Apesar dos riscos, parar de fumar traz benefícios importantes em diferentes prazos. Nas primeiras horas, já ocorre redução da frequência cardíaca e dos níveis de monóxido de carbono no sangue. Com o passar dos dias e semanas, há melhora da função vascular, redução de efeitos relacionados à formação de coágulos e melhor controle da pressão arterial. Em médio e longo prazo, a cessação reduz de forma expressiva o risco de infarto, AVC e morte cardiovascular.

Fumantes e ex-fumantes devem procurar avaliação cardiológica para estratificação de risco, especialmente quando houver dor no peito, falta de ar, palpitações, desmaios, redução da tolerância ao exercício ou associação com outros fatores de risco, como hipertensão, diabetes, colesterol elevado e histórico familiar de doença cardiovascular precoce. A avaliação também é recomendada para fumantes pesados ou de longa duração, mesmo sem sintomas.

“O tratamento do tabagismo precisa ser compreendido como parte essencial da prevenção cardiovascular. Parar de fumar é uma das medidas mais eficazes para reduzir o risco de eventos graves e deve ser estimulada em todas as idades, com apoio profissional e acompanhamento adequado”, complementa o Presidente da SOCERGS, Dr. André Luís Câmara Galvão.

Em casos de suspeita de doença cardiovascular, sintomas ou presença de fatores de risco, procure um médico cardiologista. Outras informações podem ser obtidas no site da entidade www.socergs.org.br.

 

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Fontes dos dados citados: Organização Mundial da Saúde (OMS), Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), estudo INTERHEART e British Medical Journal.


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