Projeto da Turma 11 mostra que o respeito e a igualdade começam na infância

02/09/2026
Na Multitec / Na MOPEDI (Fotos: Divulgação)

Na Multitec / Na MOPEDI (Fotos: Divulgação)

A construção de uma sociedade mais justa, respeitosa e igualitária começa nos primeiros anos de vida. É durante a infância que as crianças desenvolvem valores, constroem suas primeiras relações sociais e aprendem a conviver com as diferenças. Nesse processo, a escola ocupa um espaço privilegiado na formação de cidadãos conscientes, empáticos e comprometidos com a construção de uma sociedade melhor.

Apesar dos avanços conquistados pelas mulheres ao longo da história, a desigualdade de oportunidades, o preconceito, a discriminação e diferentes formas de violência ainda fazem parte da realidade. Diante desse cenário, torna-se fundamental promover, desde os anos iniciais, práticas que incentivem o respeito, a empatia, a valorização das mulheres, a igualdade e a cultura da paz.

Foi a partir dessa compreensão que nasceu, na Escola Estadual Técnica Affonso Wolf, em Dois Irmãos, o projeto “Elas podem, elas fazem, elas transformam: respeito e igualdade começam na infância”, desenvolvido pela Turma 11, do 1º ano do Ensino Fundamental, formada por estudantes de seis anos, sob a orientação da professora Elisângela da Silva.

Ao longo de quatro semanas, os estudantes vivenciaram uma proposta que integrou literatura infantil, pesquisa, investigação, entrevistas, rodas de conversa, produções artísticas e científicas, participação das famílias e aproximação com a comunidade.

Mais do que conhecer histórias, o projeto buscou mostrar às crianças que o respeito começa nas atitudes do cotidiano e que a igualdade é construída nas relações estabelecidas na família, na escola e na sociedade.

 

Conhecer a história para compreender o presente

Um dos primeiros passos foi conhecer a origem do Dia Internacional da Mulher e compreender sua relação com a trajetória histórica das mulheres e suas lutas por direitos e igualdade. A turma também estudou o reconhecimento da data pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1977.

A partir desse estudo, os estudantes homenagearam as mulheres mais importantes de suas vidas, suas mamães, e produziram um quadro comparativo, identificando direitos que as mulheres não possuíam no passado e conquistas alcançadas ao longo dos anos.

A atividade permitiu compreender que muitos dos direitos existentes atualmente são resultado de transformações e conquistas construídas ao longo da história.

 

Literatura infantil como eixo das aprendizagens

A literatura infantil foi utilizada como eixo articulador do projeto. Quatro obras literárias foram contadas por familiares da Turma 11, aproximando ainda mais as famílias do cotidiano escolar.

As histórias deram origem a conversas e atividades sobre sentimentos, diferenças, respeito, coragem, escolhas e convivência, fortalecendo a parceria entre família e escola.

 

Seis mulheres, seis histórias de transformação

Ao longo do projeto, os estudantes conheceram a trajetória de seis mulheres que se destacaram em diferentes áreas da sociedade.

 

– Malala Yousafzai, ativista paquistanesa pela educação das meninas, tornou-se a mais jovem pessoa a receber o Prêmio Nobel da Paz, em 2014.

 

– Rachel de Queiroz, escritora brasileira, foi a primeira mulher eleita para a Academia Brasileira de Letras, em 1977, abrindo caminhos para a participação feminina na literatura e na cultura brasileira.

 

– Joana d’Arc foi apresentada como símbolo de coragem e liderança por sua participação na Guerra dos Cem Anos e na defesa da França.

 

– Marie Curie, uma das grandes cientistas da história, realizou pesquisas fundamentais sobre radioatividade e esteve envolvida na descoberta do rádio e do polônio. Recebeu dois Prêmios Nobel, de Física e de Química.

 

– Maria da Penha possibilitou uma abordagem, adequada à faixa etária, sobre violência contra as mulheres e proteção. Sua trajetória está diretamente relacionada à criação da Lei Maria da Penha, que em 2026 completa 20 anos.

 

– Já Rosa Parks, símbolo da luta pelos direitos civis nos Estados Unidos, mostrou às crianças como um ato de coragem pode contribuir para enfrentar situações de injustiça e desigualdade.

 

As seis histórias ajudaram os estudantes a compreender que mulheres, em diferentes épocas e lugares, participaram de importantes transformações sociais, científicas, culturais e políticas.

 

 

Mulheres que Transformam: a comunidade dentro da sala de aula

Depois de conhecer mulheres que transformaram a história, os estudantes passaram a pesquisar mulheres presentes em sua própria realidade.

Por meio de entrevistas e pesquisas realizadas junto às famílias, identificaram mulheres que se destacavam em diferentes áreas. Algumas delas foram convidadas para a roda de conversa “Mulheres que Transformam”.

A turma recebeu a bombeira militar Helen Lopes Nunes, representando a segurança pública; a agente de saúde Lisonia Maria Reckziegel, representando a área da saúde; a técnica de futsal Danieli Luzia Reichert e atletas da equipe feminina de futsal Milano, de Dois Irmãos, representando o esporte.

Todas essas mulheres haviam sido citadas nas pesquisas realizadas pelos estudantes junto às suas famílias.

As convidadas compartilharam suas histórias de vida e trajetórias profissionais, falaram sobre suas profissões e sobre os desafios de serem mulheres inseridas na segurança pública, na saúde e no esporte.

A agente de saúde Lisonia Maria Reckziegel contou sobre sua trajetória profissional e apresentou às crianças um pouco de sua profissão, explicando como é atuar na área da saúde e como é ser uma mulher inserida nesse espaço profissional.

A bombeira militar Helen Lopes Nunes compartilhou suas experiências relacionadas à segurança pública e falou sobre sua trajetória como mulher em uma profissão que exige preparo, coragem e dedicação.

Já a técnica de futsal Danieli Luzia Reichert e as atletas da equipe feminina Milano compartilharam suas vivências no esporte, contando sobre suas trajetórias, experiências e desafios.

A atividade permitiu aproximar o conteúdo estudado em sala de aula da realidade dos estudantes, mostrando que as mulheres podem ocupar diferentes espaços profissionais e sociais, desenvolver seus talentos, superar desafios e contribuir para a sociedade.

 

Mulheres que Inspiram Gerações: memórias que atravessam o tempo

Outro momento marcante foi a roda de memórias “Mulheres que Inspiram Gerações”, realizada com a presença das avós e bisavós da turma.

Elas compartilharam memórias sobre suas infâncias, vida adulta, trajetórias de trabalho, desafios enfrentados e transformações acompanhadas ao longo dos anos.

A atividade possibilitou uma rica troca de experiências entre diferentes gerações, estabelecendo uma ponte entre as histórias das mulheres do passado e a realidade das crianças no presente.

 

Cidadania e proteção: informação também é cuidado

A Brigada Militar, representada pelos soldados Razeira e Schmidt, também participou do projeto na atividade “Cidadania e Proteção”.

Os estudantes conversaram sobre respeito às mulheres, cultura da paz, adultos de confiança e formas de buscar ajuda em situações de risco. Também conheceram números importantes, como o 180, relacionado à orientação e ao atendimento em casos de violência contra a mulher, e o 190, número de emergência da Polícia Militar.

A Brigada Militar apresentou ainda informações e dados sobre a violência contra as mulheres no município de Dois Irmãos.

Na sequência, dando continuidade ao processo investigativo, a Turma 11 realizou pesquisas sobre a violência contra as mulheres em nível nacional, buscando conhecer dados relacionados ao Brasil e informações sobre atendimentos e denúncias realizados pelo Ligue 180.

 

Família e comunidade como parte da aprendizagem

O envolvimento das famílias foi um dos grandes diferenciais do projeto. Elas participaram das contações de histórias, contribuíram com as pesquisas e ajudaram os estudantes a identificar mulheres importantes em suas vidas.

Esse processo mostrou às crianças que grandes transformações não acontecem apenas nos livros de História. Elas também acontecem diariamente na família, na escola, no trabalho e na comunidade, por meio de mulheres que cuidam, trabalham, ensinam, pesquisam, lideram, praticam esportes, protegem, acolhem e transformam.

 

Resultados: conhecimento que se transforma em atitude

Com o desenvolvimento do projeto, os estudantes ampliaram seus conhecimentos sobre a história das mulheres, suas conquistas, direitos e contribuições para a sociedade.

As atividades favoreceram a construção de atitudes de respeito, empatia, cooperação e valorização das diferenças, possibilitando que meninas e meninos compreendessem que possuem os mesmos direitos, oportunidades e possibilidades de escolha.

A literatura, a pesquisa, a investigação, as entrevistas e as rodas de conversa também contribuíram para o desenvolvimento da oralidade, criatividade, autonomia, pensamento crítico e formação cidadã.

Ao longo do percurso, os estudantes produziram registros escritos, artísticos e científicos que evidenciaram as aprendizagens construídas.

 

Da sala de aula para a comunidade

O projeto ultrapassou os limites da sala de aula e chegou às feiras científicas.

Na Multitec, feira científica da Escola Estadual Técnica Affonso Wolf, a Turma 11 participou da categoria 1 — Ensino Fundamental Anos Iniciais, concorrendo com projetos de turmas do 2º, 3º, 4º e 5º anos.

O projeto conquistou o 1º lugar da categoria, resultado que possibilitou à turma representar a escola na MOPEDI, feira científica do município de Dois Irmãos.

Nas duas apresentações, os estudantes assumiram o protagonismo e compartilharam com o público os conhecimentos e experiências construídos ao longo do projeto.

Ao final, encerravam sua apresentação com uma frase que sintetizava a mensagem que desejavam transmitir:

“Nós escolhemos fazer a diferença. A nossa geração escolheu transformar o mundo, começando pelo respeito e pela igualdade.”

 

Uma conquista que se transforma em compromisso

Para a professora Elisângela da Silva, responsável pelo projeto, a conquista do primeiro lugar na Multitec e a participação na MOPEDI representam momentos de grande orgulho.

“Eu acredito que educar para o respeito desde a infância representa uma importante estratégia de prevenção às diferentes formas de violência e de promoção da igualdade de oportunidades entre meninos e meninas, contribuindo para a formação de uma sociedade mais justa, democrática e humana.”

Segundo a professora, o projeto nasceu de uma necessidade que ultrapassa os muros da escola.

“Precisamos informar, sensibilizar e incentivar nossas crianças para que compreendam, desde cedo, que meninas e meninos possuem os mesmos direitos, que as mulheres precisam ser valorizadas e respeitadas e que a violência não pode fazer parte das nossas relações.”

Elisângela destaca ainda o envolvimento dos estudantes, das famílias e da comunidade durante todo o percurso.

“Tenho muito orgulho da participação e da dedicação dos nossos estudantes, do envolvimento das famílias e de todas as pessoas da nossa comunidade que aceitaram estar conosco, compartilhar suas histórias e contribuir para que esse projeto acontecesse.”

 

Uma semente para o futuro

O projeto mostrou que trabalhar a temática das mulheres nos anos iniciais não significa apenas conhecer grandes personalidades da História, mas também reconhecer e valorizar as mulheres que fazem parte da vida das crianças: mães, avós, bisavós, professoras e profissionais das mais diversas áreas.

As conquistas alcançadas — a apresentação à comunidade escolar, o 1º lugar na Multitec e a participação na MOPEDI, levando essa mensagem para a comunidade de Dois Irmãos — representam momentos de grande orgulho para os estudantes, as famílias e a escola.

Ao mesmo tempo, permanece a certeza de que, em uma sala de aula de crianças de seis anos, foi possível construir uma experiência capaz de deixar marcas para o futuro.

Uma semente de respeito, igualdade, empatia, coragem e cultura da paz.

Uma semente que, se for cuidada, poderá crescer junto com cada uma dessas crianças e, no futuro, contribuir para a construção de uma sociedade mais justa, democrática, respeitosa e humana.

Porque a transformação começa quando as crianças compreendem que também podem fazer parte dela.

Elas podem.

Elas fazem.

Elas transformam.

E a transformação começa na infância.


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