Espécie é comum na região
Recentemente, o Jornal Dois Irmãos captou imagens de um graxaim-do-mato (Cerdocyon thous) passeando pelo novo loteamento residencial de Dois Irmãos, o Parque do Vale, próximo ao bairro União. Também conhecido como cachorro-do-mato, raposa-caranguejeira, lobinho, lobete, rabo-fofo, guancito, fusquinho ou mata-virgem, a espécie é um canídeo endêmico da América do Sul.
O animal passeava tranquilo, porém gerou curiosidade. Procurando entender mais sobre a espécie, o JDI entrou em contato com a bióloga e chefe do Departamento de Meio Ambiente, Valessa da Rosa. Confira o que ela disse:
É comum encontrar graxaim-do-mato na região?
Valessa – Sim. É uma espécie ocorrente em Dois Irmãos e em toda a região do Vale do Sinos. Entretanto, por possuir hábitos discretos e predominantemente noturnos, costuma ser avistado com mais frequência em áreas de mata, lavouras, campos e na transição entre ambientes naturais e urbanos, como loteamentos próximos à vegetação.
Qual seu habitat e costumes?
Valessa – Vive em fragmentos florestais, campos e áreas rurais. Tem hábitos principalmente noturnos e crepusculares, é onívoro (alimenta-se de frutos, insetos, pequenos vertebrados e carcaças) e desempenha importante papel no controle de populações de animais e na dispersão de sementes.
Como identificar um graxaim-do-mato?
Valessa – Possui porte médio, pelagem cinza-amarronzada, pernas mais escuras, focinho fino, orelhas triangulares e cauda longa e bastante peluda, geralmente com a ponta escura.
Como preservar e como o município contribui para sua conservação?
Valessa – A preservação depende da manutenção dos fragmentos de Mata Atlântica, da criação de corredores ecológicos, da redução de atropelamentos e de evitar perseguição ou alimentação dos animais silvestres. Em Dois Irmãos, a conservação ocorre por meio da proteção das áreas de vegetação nativa, fiscalização ambiental, ações de educação ambiental, recuperação de áreas degradadas e incentivo à conectividade entre os fragmentos florestais, permitindo o deslocamento seguro da fauna nativa, assim como placas de trânsito em locais de ocorrência de animais ou registros de atropelamentos. O registro desse indivíduo próximo a um loteamento demonstra que a espécie utiliza áreas de transição entre a cidade e a mata, reforçando a importância da conservação desses remanescentes florestais.
