Quais são as consequências do aumento de tarifa para 50% no Brasil pelos EUA?

10/07/2025
Por Alan Caldas – Editor

Por Alan Caldas – Editor

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (foto), sacudiu o tabuleiro diplomático e comercial brasileiro nesta quarta-feira, 9, ao enviar uma carta pública ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciando a imposição de uma tarifa de 50% sobre todas as exportações brasileiras aos EUA. A medida está prevista para entrar em vigor no próximo dia 1º de agosto.

 

O que esse aumento significa para nós, dois-irmonenses? Embora seja tudo recentíssimo, porque o anúncio foi ontem, fomos perguntar aos senhores empresários de Dois Irmãos “o que significa” para nossa cidade, região, estado e país esse aumento abrupto e unilateral das tarifas.

 

A seguir, um briefing daquilo que disseram os empresários de Dois Irmãos:

 

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Agnelo Seger diz que é hora da diplomacia entrar

Em viagem de negócios ao Nordeste brasileiro, Agnelo Seger disse que recebeu a notícia “com surpresa”. E que, para ele, o presidente Trump “está misturando política com economia e com dados não corretos”.

Cauteloso, o empresário diz que é preciso “não tomar a sopa tão quente quanto é servida”. Lembrou que o presidente americano “costuma mudar bastante de ideia”, e que está na hora de o corpo diplomático brasileiro entrar em cena e “atenuar estas questões, pois estamos todos numa saia justa”.

Em relação ao Grupo Herval, do qual é presidente, o empresário Agnelo disse que a venda ainda não é tão relevante para os EUA, mas que esse aumento de tarifas “pode prejudicar nossos investimentos e pretensões com o mercado americano”.

 

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Para Sérgio Wirth, o “made in Brazil” foi abalado

Diretor da Indústria de Calçados Wirth, o empresário Sérgio Wirth disse, hoje cedo, que em relação à provável tarifa nova é preciso primeiro ver o posicionamento dos clientes lá fora. Segundo ele, “não tem como saber o que vai acontecer sem que, primeiro, o cliente se pronuncie referente a tarifa nova”.

Conforme Sérgio, o produto “made in Brazil” já vem há muito tempo abalado, e ele marca a data como sendo “desde o primeiro governo Lula”.

Sérgio diz que é preciso aguardar “e ver qual será a reação dos clientes”. Porém, em Dois Irmãos, acredita ele, “creio que não vai fazer muita diferença, pois já quase não existe mão de obra nova e a que está trabalhando no setor calçadista dá para dizer que quase 40% já estão aposentados”.

 

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Germano Grings diz que sentiremos as consequências da geopolítica

Ao falar sobre o assunto tarifa, Germano Grings, do Grupo GG10, é enfático ao dizer que “inviabiliza quase todos os produtos brasileiros, pois estamos num mundo extremamente competitivo”.

Segundo Germano, produtos como calçados, móveis, suco de laranja, carros, aviões, eletrodomésticos e tudo mais “ficam totalmente inviabilizado com essa tarifa”. Ele diz, sem citar nomes, que grandes empresas gaúchas “serão bastante prejudicadas”.

Quando perguntado se conseguia avaliar a questão da nova tarifa no setor calçadista, Germano diz não ter o volume de informação necessário para uma opinião profunda. “Mas arrisco dizer que nossas fábricas, sejas as que fabricam aqui ou as filiais no Nordeste, serão gravemente afetadas”.

Ele disse também que empresas aqui da região ou cidade que exportam para os EUA e têm estrutura pesada lá, “embora eu não tenha os números atualizados, igualmente sofrerão, e de fato acredito que deveremos ter algum desemprego aí”.

Germano lembra que a reciprocidade, ou a “Lei de Retaliação”, para nós brasileiros economicamente falando “não será boa”. Ele analisa a questão levando em conta que o Brasil importa dos EUA aviões e softwares, basicamente, e produtos estratégicos. “Aviões podemos comprar da Airbus, mas softwares e tecnologia não”, diz Germano, “e subir essa taxa vai fazer subir o custo Brasil, que já é extremamente alto”.

Germano diz que o Brasil terá problemas se não conseguir negociar melhor, “e no final do dia vamos cair nas mãos dos chineses, que talvez seja o que nosso presidente de fato deseja”, disse ele.

Por fim, o empresário lembra que não é nada bom para o nosso país a maneira como o governo se posiciona na questão geopolítica. “Apoiar Hamas e Irã, tem consequências”, disse Germano, “e vamos senti-las”.

 

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Para Astor Ranft, é só pressão

O empresário calçadista Astor Ranft, diretor do grupo Calçados Pegada, tem uma visão bem objetiva da notícia dada pelo presidente norte-americano.

No entender de Astor, esse anúncio de tarifa de 50% “é só uma bravata política, um instrumento de pressão”. E, segundo ele, “as tarifas vão ser negociadas e não devem entrar em vigor nestes níveis em que foram anunciadas”.


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