Por Cláudia Kunst
Uma verdadeira avalanche de grandes shows tem passado pelo Brasil desde o início deste ano — e o Rio Grande do Sul, mais uma vez, está na rota das turnês. Nesta semana, uma grata surpresa para os amantes do southern rock: duas grandes bandas estadunidenses desembarcaram na capital em noites consecutivas. Primeiro, no dia 7 de abril, terça-feira, o lendário Lynyrd Skynyrd, um dos principais nomes do gênero. No dia seguinte, quarta-feira, 8 de abril, foi a vez do Blackberry Smoke, banda mais recente, mas fortemente influenciada por grupos como o próprio Lynyrd.
Dois shows carregados de significado para os gaúchos. O Lynyrd Skynyrd se apresentou pela primeira vez no extremo sul do Brasil, enquanto o Blackberry Smoke realizou sua segunda passagem pelo país, incluindo Porto Alegre. O Jornal Dois Irmãos esteve presente para conferir ambas as apresentações.
No show do Lynyrd Skynyrd, alguns fãs de Dois Irmãos marcaram presença e fizeram questão de não perder a oportunidade, especialmente pela longa trajetória da banda e pela possibilidade cada vez mais remota de um retorno futuro.
Lynyrd Skynyrd
Um show vibrante, repleto de clássicos, coro da plateia e muito rock. Assim foi a apresentação da lendária banda Lynyrd Skynyrd no Araújo Vianna, em Porto Alegre.
Para quem aprecia a mistura entre country, blues e rock, a sensação ao final foi de alma lavada. Atualmente a banda é formada por Johnny Van Zant, Rickey Medlocke, Michael Cartellone, Mark Matejka, Peter Keys, Keith Christopher e as backing vocals Carol Chase e Stacy Michelle.
Fundada em meados dos anos 1960, em Jacksonville, na Flórida, a banda possui uma trajetória marcada por episódios trágicos, mas segue ativa até hoje, mesmo sem integrantes originais em sua formação. O guitarrista Gary Rossington, último remanescente da formação clássica, faleceu em 2023.
Para quem não conhece a história do grupo, o Lynyrd Skynyrd vivia o auge da carreira em 1977, durante a turnê de lançamento do álbum Street Survivors, quando o avião que transportava a banda caiu em uma área rural do Mississippi, no sul dos Estados Unidos. O acidente matou o vocalista Ronnie Van Zant, o guitarrista Steve Gaines, a backing vocal Cassie Gaines, além de integrantes da equipe de produção e tripulação.
A banda retornou aos palcos apenas dez anos depois, em 1987, quando os membros sobreviventes decidiram realizar uma turnê tributo e convidaram Johnny Van Zant, irmão mais novo de Ronnie, para assumir os vocais. Desde então, apesar de novos desafios ao longo da trajetória, o grupo permanece em atividade.
João Gaertner, 44, supervisor de serviços e morador do Travessão, esteve no Araújo Vianna e afirmou que imaginava nunca ter a oportunidade de assistir ao grupo ao vivo. “Não consegui ir a São Paulo nas outras vezes e achei que iria para o túmulo sem vê-los. Meu muito obrigado à produtora”, brinca.
Ele conta que conhece a banda desde os anos 1990, mas tornou-se fã em 2011. Mesmo adepto do streaming, ainda guarda com carinho os CDs Second Helping e God & Guns.
Sua música favorita é The Ballad of Curtis Loew, presente no álbum Second Helping, canção que, infelizmente, não integrou o setlist da noite.
João destaca dois momentos marcantes da apresentação: “o primeiro foi quando Johnny Van Zant levantou a bandeira do Rio Grande do Sul. O público simplesmente foi à loucura. O segundo, claro, foi no encerramento com Free Bird, especialmente quando mostraram no telão a imagem do Ronnie Van Zant cantando. Foi emocionante.”
Durante o show, uma homenagem aos ex-integrantes falecidos também emocionou o público, com seus nomes sendo exibidos no telão.
Veja o setlist:
Workin’ for MCA, What’s Your Name, That Smell, I Need You, Gimme Back My Bullets, Saturday Night Special, Down South Jukin’, Still Unbroken, The Needle and the Spoon, Tuesday’s Gone, Simple Man, Gimme Three Steps, Call Me the Breeze, Sweet Home Alabama e Free Bird