Fonte: Casa e Jardim / Foto: Pixabay
Nos meses mais frios do ano, manter portas e janelas fechadas para conservar o calor é um hábito comum. A prática, porém, reduz a circulação de ar dentro de casa e pode comprometer a qualidade do ambiente, com impactos para a saúde dos moradores.
Sem a renovação de ar, a ventilação dos ambientes diminui, o que favorece o acúmulo de poeira, umidade e microrganismos. “Isso pode agravar quadros alérgicos e facilitar a transmissão de vírus e outros agentes causadores de infecções respiratórias, especialmente quando há muitas pessoas compartilhando o mesmo espaço”, explica Sandra Guimarães, pneumologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.
Segundo ela, as baixas temperaturas comprometem parte dos mecanismos naturais de defesa das vias respiratórias. Além disso, a tendência de permanecer por mais tempo em ambientes fechados e pouco ventilados aumenta o risco de gripes e resfriados.
Os sintomas podem se agravar com a retirada de cobertores e casacos que ficaram guardados por bastante tempo. “Muitas vezes, esses itens acumulam poeira e ácaros e são utilizados sem lavagem prévia, aumentando a exposição a alérgenos”, pontua Roberto Stirbulov, pneumologista da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.
“Em pessoas que já têm doenças respiratórias, como a asma, essa exposição também pode desencadear crises”, ele adiciona.
Para reduzir esses riscos, algumas mudanças simples na rotina e na organização da casa ajudam a melhorar a qualidade do ar durante o inverno. Saiba mais a seguir!
Estimule a ventilação
A ventilação é essencial para evitar o acúmulo de poeira, ácaros e fungos — os principais poluentes de ambientes internos. Uma solução eficiente é a ventilação cruzada, técnica que promove a renovação natural do ar ao criar um fluxo contínuo entre portas e janelas opostas, garantindo frescor.
“Quando o ar consegue entrar por um lado da casa e sair pelo outro, essa circulação acontece de forma eficiente, levando embora calor, umidade e poluentes que ficam acumulados”, fala a arquiteta Dani Guardini, do Guardini Stancati Arquitetura + Design.
Além da ventilação cruzada, Dani destaca que a orientação da construção influencia a circulação do ar. Segundo ela, aproveitar os ventos predominantes e dimensionar corretamente portas e janelas favorece a renovação dos cômodos.
Mesmo que a casa não tenha sido projetada levando em consideração a ventilação cruzada, os especialistas sugerem que os moradores abram as janelas por pelo menos 30 minutos para estimular a circulação do ar.
Valorize a luz solar
Dani destaca a importância de planejar o projeto arquitetônico desde a implementação, levando em conta a posição da casa em relação ao sol. “Quando os ambientes recebem uma boa incidência de luz solar, eles ficam naturalmente agradáveis no inverno, o que incentiva a abertura das janelas por mais tempo”, analisa.
Para quem está projetando uma casa do zero, vale considerar a orientação solar durante o inverno. "A arquitetura deve criar cômodos que favoreçam a saúde, o bem-estar e a qualidade de vida", afirma Dani.
Para casas já projetadas, deixe persianas e cortinas abertas em espaços que recebem a luz do sol em alguma parte do dia.
Planeje o layout interno
Ainda na organização interna, procure manter os cômodos desobstruídos. Evite o excesso de móveis e divisórias que possam interferir na circulação do ar. “Ambientes fechados ou com muitos obstáculos dificultam a passagem do ar. Já espaços integrados permitem que o fluxo percorra a casa com facilidade”, diz Dani. O pé-direito mais alto também favorece a circulação natural do ar, visto que o ar quente tende a subir.
Lembre-se da umidificação
Durante o inverno, a umidade do ar tende a ficar baixa e o ar seco pode provocar irritação das vias respiratórias, tosse e sangramento nasal. “Manter a umidade do ar em níveis adequados ajuda a evitar o ressecamento das mucosas das vias respiratórias, preservando uma importante barreira de defesa do organismo contra vírus, bactérias e outros agentes infecciosos”, ressalta Sandra.
Mas alguns cuidados devem ser tomados. Umidificadores ou técnicas caseiras (como balde de água ou toalha úmida) devem ser utilizadas apenas quando a umidade do ar estiver próxima ou menor que 40%. “Quando a umidade do ambiente já está adequada, o uso indiscriminado do umidificador pode favorecer a proliferação de fungos e outros microrganismos”, explica Roberto.
Além disso, no caso de umidificadores, lembre-se de fazer a limpeza do equipamento para que ele não se torne um dispersor de microrganismos.
Mantenha a faxina em dia
A limpeza frequente da casa também ajuda a reduzir a concentração de poeira e outros alérgenos que se acumulam com facilidade durante o inverno. Para evitar que essas partículas se espalhem, prefira retirar o pó com um pano úmido, em vez de panos secos ou espanadores.
Outro cuidado importante é com cobertores, mantas e casacos que permaneceram guardados: eles devem ser lavados antes de voltar ao uso.
Além dos cuidados da casa
O médicos lembram que a saúde no inverno vai além de cuidados com o lar. “A vacinação continua sendo uma das principais formas de prevenção das doenças respiratórias”, reforça Roberto.
Ainda segundo ele, os efeitos do ar seco podem ser amenizados por outros hábitos. “É importante lembrar que a melhor forma de manter as vias respiratórias hidratadas é beber água. A hidratação do organismo é mais eficiente do que a umidificação do ambiente para proteger a mucosa respiratória”, ele completa.