Sindicato dos Servidores apresenta proposta de 9,15%; prefeito diz que não é possível atender

18/03/2026
Bruno e Álvaro estiveram na Câmara (Fotos: Divulgação / Câmara)

Bruno e Álvaro estiveram na Câmara (Fotos: Divulgação / Câmara)

Na noite de segunda-feira (16), representantes do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Dois Irmãos (Sispumundi) estiveram na Câmara de Vereadores para tratar do Dissídio 2026. A reivindicação é de 9,15% e vale-alimentação de R$ 35,35.

O primeiro a se manifestar na tribuna foi Bruno Rodriguez, secretário executivo da entidade. Ele reclamou da ausência do prefeito Jerri Meneghetti nas negociações.

– Nós chegamos na reunião no dia 10 de março com todas as principais autoridades municipais sentadas na mesa junto ao Sindicato – vice-prefeito, secretários municipais importantes, dois procuradores jurídicos – e nenhum deles tinha autonomia para negociar. Isso é uma vergonha: um vice-prefeito estar sentado na ponta de uma mesa e não ter autonomia para falar sobre as despesas do município – afirmou.

– Já que a gente não pode falar das despesas, vamos falar das receitas: Dois Irmãos projetou para o ano de 2025 uma receita de R$ 206 milhões, e sabe quanto foi realizado? Foi arrecadado R$ 253 milhões; isso é R$ 46 milhões a mais daquilo que foi projetado. Seguindo essa projeção, em quatro anos será arrecadado R$ 1 bilhão. Dinheiro tem! Não tem como falar que não tem margem para negociação, pois a folha está em 41%. O que precisa é de vontade política, é estar o prefeito na mesa de negociações – acrescentou ele.

Ainda segundo Bruno, o Sindicato sempre foi bem recebido na prefeitura, mas nos últimos dois anos a situação está diferente.

– A folha de R$ 84 milhões por ano é a maior despesa municipal. Não deveria o maior ordenador da despesa, a autoridade que foi eleita para isso estar na reunião para negociar o aumento salarial? No ano passado, encaminhou a proposta aos 48 minutos do segundo tempo! Que tipo de negociação é essa? São esses 800 servidores, que envolvem uma enorme quantidade de famílias, que fazem a máquina funcionar, que fazem o realizado ser muito maior que o orçado. Esse ano não vamos aceitar uma proposta a toque caixa – concluiu ele.

 

Detalhes da proposta

Em seguida, falou o presidente Álvaro Rabaioli, detalhando a proposta da categoria:

– Foi pedido 9,15% de reajuste salarial, sendo 4,78% a média entre INPC e IPCA até o final de janeiro, e aumento real de mais de 4%. Quanto ao vale-alimentação, hoje é R$ 30,30 pagos por dia trabalhado, e foi pedido R$ 35,35 por dia trabalhado, sendo que os cargos em comissão hoje também recebem o vale-alimentação.

Ele também reclamou da ausência do prefeito Jerri nas assembleias da entidade:

– O Miguel (Schwengber), nos quatro anos em que foi prefeito, esteve presente nas assembleias. A prefeita Tânia (da Silva) também esteve presente por oito anos, negociando com os servidores, e o atual prefeito foi a uma única assembleia e depois nunca mais compareceu, nem deixou proposta para nós, sendo que agora, daqui quatro dias, o Departamento Pessoal vai estar fechando a efetividade do mês março para começar a trabalhar na folha de pagamento. Pedimos aos vereadores que também entrem nessa luta. Nós não vamos aceitar que a proposta chegue até aqui sem passar pela nossa avaliação; já pedimos, em ofício, a tribuna para semana que vem.

 

O que diz o prefeito Jerri

De acordo com o prefeito, a proposta de 9,15% não é possível de ser atendida.

– Os índices oficiais em nível nacional, por exemplo, fecharam em 3,59%. Na condição de gestor público, de buscar o equilíbrio entre um reajuste justo para os servidores e o cuidado com os recursos públicos, para que a prefeitura tenha condições de seguir cuidando da cidade e oferendo serviços públicos a todos os cidadãos, não podemos fechar com a proposta apresentada – disse ele, acrescentando que o cálculo da inflação precisa ser considerado até março, por isso a diferença no percentual.

Jerri não informou qual será a contraproposta da administração municipal.

– Teremos a aplicação dos índices e mais uma margem de aumento real, dentro da realidade da nossa região. Não divulgarei publicamente agora em consideração ao sindicato e à comissão interna de servidores, pois acredito que eles devem ser os primeiros a saber, assim como fazemos em todos os anos – comentou.

A respeito das reclamações de não atender a entidade, ele respondeu:

– Sempre recebi o sindicato. Na semana passada, quando nos procuraram, eu estava em viagem pedindo apoio e resolvendo situações referentes aos nossos projetos habitacionais, pois os prazos de aprovações na Caixa e nos Ministérios ocorreriam naquele período. Mas deixei toda a nossa equipe responsável à disposição do vice-prefeito, que atendeu o sindicato com toda a atenção. Hoje (quarta) estava marcado um encontro com eles, mas fui chamado para uma reunião de urgência para tratar de um grande investimento que estamos buscando na BR-116. Mas amanhã (quinta-feira) estaremos à disposição do sindicato para recebê-los e apresentar a definição dos valores.

Os projetos, conforme o prefeito, devem ser encaminhados ao Poder Legislativo na tarde de quinta (19).


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