Modelos da marca de lingeries Frida
O etarismo, também conhecido como ageísmo, é a discriminação baseada na idade, e afeta principalmente pessoas mais velhas, começando oficialmente a partir dos 50 anos.
Presente no mercado de trabalho, na publicidade, na mídia e até nas relações cotidianas, esse preconceito costuma reduzir indivíduos à sua faixa etária, desconsiderando suas experiências, capacidades e desejos. Apesar de muitas vezes ser naturalizado ou passar despercebido, o etarismo tem impactos profundos na autoestima, na saúde mental e na participação social dos mais velhos.
Empoderamento feminino
Graduada em Publicidade e Propaganda pela Feevale, Camila Julien Reginato, 35 anos, trabalha como franqueadora de lingeries no Instituto Frida, cuja proposta também é ajudar mulheres a reconstruírem sua autoestima, através do empoderamento feminino. “Queremos mostrar as mulheres sendo aceitas com seus próprios corpos, ressaltando a mulher mais madura”, comenta.
Camila compartilha que a ideia da marca surgiu através de um trabalho na Feevale, em 2017, que buscava criar algo inovador, visando mostrar a mulher real. Percebendo a falta de modelos reais, ela decidiu levar a ideia além, com o Instituto Frida consolidando-se como franquia em 2020.
Além da proposta do trabalho, a escolha para seu tema partiu de uma percepção pessoal. “Eu percebi que o padrão imposto pela mídia estava deixando as mulheres doentes, e era algo que eu não conseguia entender, eu me questionava por que aquilo era feito com as mulheres”, enfatiza.
Camila relembra momentos memoráveis, quando algumas de suas modelos finalmente se sentiram confiantes após posarem para a marca. “Eu já ouvi de uma das minhas modelos que tinha vergonha de sair de bermuda, porém, após a Frida, ela parou de ter essa vergonha”, compartilha.
A franqueadora ressalta a relação das marcas com o público, explicando que a inclusão beneficia a todos. “Não faz sentido usarmos somente mulheres mais novas, porque todo mundo compra, mas quem normalmente tem poder aquisitivo são as mulheres mais velhas”, explica.
Pessoas mais experientes
Recentemente, Camila realizou uma viagem para a Europa com sua avó, Irena Julien, e comenta sobre a valorização de poder passar um tempo com pessoas mais experientes. “Todo mundo quer viajar e curtir com pessoas da sua idade, e é tão bom viajar com pessoas mais velhas, com mais sabedoria, porque elas conseguem aproveitar também”, diz ela.
No cenário da mídia, Camila destaca que o etarismo age de forma escondida e sutil, subentendido em piadas. “Já houve de eu ver um comentário em uma postagem, de uma mulher mais velha, falando: ‘que coragem’. O etarismo faz com que as mulheres se sintam menosprezadas por elas terem a experiência de vida que elas têm, afetando-as mentalmente”, explica.
O Instituto Frida, iniciado em Dois Irmãos, se expandiu e já é conhecido em veículos nacionais, como Globo, Pequenas Empresas e Grandes Negócios, Revista Exame, Jornal Estadão e diversos outros veículos de mídia.
Etarismo x dança
Professora de Inglês, numeróloga e perita grafotécnica, Josaine Pretto, 54 anos, é ativa no cenário da dança desde criança, e é prova de que não há idade certa para estar realizando atividades físicas.
Sua jornada começou aos 6 anos, no balé clássico, ao qual praticou até os 21 anos. A parada se deu em um momento crítico da sua vida, que a impossibilitou de seguir no balé devido a uma complicação no joelho. Há dois anos, porém, sem ter tratado diretamente o joelho, Josaine pratica dança circular. O recomeço na dança partiu de um cartaz que lhe chamou atenção no posto de saúde. Entrou em contato com a professora para entender sobre, e então decidiu participar.
Para ela, a dança circular é um espaço seguro. “A dança sempre me fez bem, é um momento de integração comigo mesma, porém a prática não é uma terapia, e sim um processo terapêutico. Algo que eu noto muito na dança circular é o cuidado que nós temos uma com a outra”, relata.
Já no cenário da dança, ela comenta que muito do preconceito vem de si e dos outros, mas que se deve sempre pensar em fazer algo para si mesmo. “É sobre melhorar a autoestima, a mentalidade e o bem-estar emocional”, explica.
Mercado de trabalho
No cenário trabalhista, Josaine comenta que o processo de integração em um trabalho formal também é difícil. “A partir dos 30 anos, a mulher vai sendo colocada de lado, deixando de ser uma pessoa para ser uma função. Então, há espaço e oportunidade, mas o preconceito barra isso”, comenta.
Segundo Josaine, não existe idade certa, mas sim idade confortável, e que isso não significa abandonar práticas do dia a dia. “Conforme a idade tem de haver a moderação nas atividades, mas tu tens que cuidar de ti”, finaliza.