Sucessão de gerações: Douglas, Maurício, Flávio e Francielle
Muito antes da década de 1970, no bairro Travessão, uma forte família da agropecuária mantém a tradição de criação de gado, uma vez daqueles que víamos pastar em campo, agora também criados em galpões. A família Boll, com seu legado e sucessão de gerações, marca sua história em Dois Irmãos.
Maurício Boll, 53 anos, que hoje atua à frente dos negócios, iniciou ainda jovem, por volta de 1986, trabalhando ao lado do pai, Flávio Boll, 82. Aquele ano também ficou marcado pela família como o início da criação de gados de corte.
Criar gado nem sempre foi uma tarefa descomplicada, Maurício ainda lembra a maior dificuldade que passou logo que assumiu o negócio: vendas sem retorno. Hoje, junto da família, atua diretamente em Dois Irmãos, fortalecendo a herança dos colonos e a agricultura familiar.
O DIA A DIA
O trabalho de criação para corte costuma iniciar em abril e se estender até dezembro. Depois, no período de quatro meses até a volta, o gado é solto no campo. Além disso, a estação também impacta no ramo, com dias secos sendo preferidos aos dias de chuva.
Segundo Maurício, o cenário hoje em dia é vantajoso para aqueles que criam apenas para corte. “Vacas leiteiras são menos simples de lidar, devido à alimentação que é totalmente regrada e demanda mais atenção e tempo”, explica.
Em suas terras, o gado é criado para recria e engorda, e leva de 60 a 80 dias para ir para o corte. “Todo mês temos que comprar gado novo. Plantamos nosso próprio milho para fazer a silagem e alimentar eles, e como são criados em espaços cercados, logo engordam”, pontua.
Dentre os 17 demais produtores de agricultura na região de Dois Irmãos, a família Boll atua diretamente com o município. Maurício comenta que uma parte do gado que produzem é fornecida à prefeitura, para a alimentação escolar, e as demais para frigoríficos da região e vizinhos.
AUTOMATIZAÇÃO NO CAMPO
Com um vasto espaço e tocando o negócio entre poucas pessoas, Maurício evoluiu as produções e criação automatizando a agricultura. “Se o trabalho for somente braçal, não é rentável, apesar de alguns consertos pequenos ainda poderem ser manuais”, comenta.
Há pouco tempo, um novo trator foi adquirido, mas além dele, diversas ferramentas de cultivo e até caminhão já foram comprados. “Participamos todo o ano da Expointer, buscando atualizações que possam ser interessantes para nos ajudar no dia a dia”, ressalta o criador.
NEGÓCIO FAMILIAR
Assim como para Flávio e Maurício, os seguintes na sucessão já estão em contato com o negócio, estudando e criando cada vez mais carinho pela vida no campo. Os filhos Francielle e Douglas, 15 e 12 anos, respectivamente, atuam ao lado do pai e do avô.
Francielle, recém-formada do Ensino Fundamental, agora cursa o ensino técnico de Agropecuária em Nova Petrópolis, na escola Bom Pastor. A jovem estuda durante a semana e volta para casa nos fins de semana, pronta para retornar ao campo.
Ela e o pai partilham de uma mesma mentalidade: tudo que se faz, tem que fazer bem, e principalmente gostar de fazer. “A sucessão é muito importante. Em Dois Irmãos há pouco disso, o que apresenta riscos para alguns negócios. Aqui, porém, vai ser assim, e já está sendo”, celebra Maurício.
A família é engajada e, para se preparem ainda mais, começaram em 2025 a fazer parte do Programa de Sucessão Familiar para famílias do campo, iniciativa da Sicredi Fronteiras, que atua desde 2024.