Na Câmara: Elton, Kelly, Eloir, Sandra e Rosa (Fotos: Divulgação)
Dois Irmãos está participando do movimento de 21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência Contra a Mulher (20 de novembro a 10 de dezembro). A mobilização promove ações de conscientização sobre o combate ao racismo, à violência e a todas as formas de discriminação e desigualdade.
A programação no município conta com três encontros abertos ao público. O primeiro foi realizado na segunda-feira (24), quando o tenente Elton Dhein, comandante da Brigada Militar de Dois Irmãos, fez uso da tribuna popular na Câmara de Vereadores. O segundo aconteceu nesta quarta (26) – Vozes Contra o Racismo, no Instituto Olívia do Bem – e o terceiro será no dia 2 de dezembro – exibição do documentário “Eu, Dona de Mim”, às 18h30, no Complexo Esportivo Municipal.
As atividades são coordenadas pela Coordenadoria da Mulher e pelo Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (COMDIM), com o apoio da Secretaria de Desenvolvimento Social e Habitação. Segundo Kelly Berlitz, da Coordenadoria da Mulher, o objetivo é ampliar o diálogo com a comunidade e reforçar a importância da proteção dos direitos humanos.
Debate e conscientização
Em sua manifestação na Câmara, o tenente Elton destacou a importância do debate sobre o assunto na busca pela conscientização da sociedade.
– Em 2021 houve uma alteração legislativa, dentro da Lei Maria da Penha, que possibilitou trazer aos ambientes escolares os debates referentes aos eventos de violência: o que é a violência, quais as possibilidades, quais as formas de cometimento de violência. Entendemos que, se trabalharmos isso na comunidade, nas escolas ou nos demais ambientes onde seja possível esse debate, nós vamos, sim, daqui a alguns anos, ter outros números. Porque a gente percebe pelas estatísticas que, mesmo conversando sobre o assunto, mesmo debatendo, mesmo havendo a edição de Leis, os números continuam nos assustando. Todos nós, ao ligarmos a televisão, vemos inúmeros fatos extremamente violentos ocorrendo no dia a dia. Só para exemplificar: no final de semana tivemos dois casos, um deles de lesão corporal e o outro de descumprimento de medida protetiva, que terminaram com prisão em flagrante. Se nós tivéssemos uma sociedade mais organizada, não teríamos a necessidade de ter a utilização do direito penal para intervir naquela relação, e isso provavelmente não ocorreria – comentou.
Ele também falou os procedimentos adotados pela BM:
– O atendimento feito pela Brigada Militar é uma intervenção que sempre ocorre num momento muito hostil, porque o agressor está exaltado, não raras as vezes embriagado ou talvez drogado, e a mulher vítima naquele momento também se encontra fragilizada. É necessário que os policiais, se deparando com uma situação de flagrante, façam a detenção, e essa detenção via de regra não é amistosa. Então é necessário que os policiais militares façam uso dos instrumentos de menor potencial ofensivo, e isso acaba gerando, querendo ou não, mais um trauma para aquela família. Pensando nisso, a Brigada Militar tem feito durante o ano alguns cursos organizados pelo Departamento de Ensino da BM que visam trazer uma melhor compreensão desses contextos familiares e propiciar o conhecimento necessário aos policiais, para que essa intervenção seja o menos danosa possível – concluiu o tenente Elton.