Espectadores prestigiam o documentário Em Busca do Self em Dois Irmãos

28/07/2026
Por Cláudia Kunst

Por Cláudia Kunst

Às vésperas do aniversário de nascimento de Carl Gustav Jung, um dos maiores pensadores da mente humana, que completaria 151 anos no dia 26 de julho, Dois Irmãos foi presenteada com a exibição do documentário Em Busca do Self, no Teatro Adriano Schenkel. Sob a direção de Lucas Costanzi, o documentário apresenta uma síntese das teorias de Jung e do neuropsiquiatra Viktor Frankl por meio de suas experiências de vida e de consultório.

A inspiração para o documentário Em Busca do Self, segundo o diretor, surgiu como decorrência de seu trabalho anterior, intitulado Teatro das Sombras, que também trata sobre Jung, mas especificamente sobre o arquétipo da Sombra.

Em Busca do Self, em sua sinopse, “investiga como as ideias de Carl Jung e Viktor Frankl podem nos ajudar a compreender o ser humano contemporâneo. Através de entrevistas com psicólogos, o filme mostra que seus pensamentos permanecem atuais e necessários. Em um mundo marcado por crises de identidade e vazio existencial, Em Busca do Self propõe uma reflexão clara e urgente — um caminho onde sentido e significado se encontram.”

De acordo com o diretor, o primeiro filme com a temática da psicologia analítica foi lançado em 2022, após uma inquietação decorrente do momento político vivido pelo Brasil. “Estávamos extremamente polarizados por causa da política, famílias brigando. De certa forma, ainda estamos. E, através dessa inquietação, busquei entender esse fenômeno, um caminho para uma possível explicação. Cheguei, então, ao conceito da Sombra, abordado dentro da psicologia de Jung”, explica Lucas.

O documentarista destaca que Em Busca do Self é quase uma continuação de Teatro das Sombras, tratando do amadurecimento do ser humano que, de acordo com o conceito junguiano, busca a totalidade. “Esta é uma reflexão para uma sociedade moderna que está tão egocêntrica e infantilizada em diversos aspectos”, acrescenta.

 

Contato com a psicologia

Lucas conta que teve seu primeiro contato com a psicologia, de forma mais ampla, a partir das pesquisas realizadas para o documentário Teatro das Sombras, há cerca de seis anos.

Questionado sobre suas próximas produções, o diretor salienta que, nos últimos anos, seu trabalho tem sido uma tentativa de levar reflexão ao público sobre a sociedade e o homem contemporâneo e que, desta vez, em vez de abordar a psicologia, o fará por meio da Filosofia.

“Minha próxima produção será sobre o filósofo brasileiro Mario Ferreira dos Santos, que foi um dos maiores, senão o maior filósofo do Brasil que ninguém conhece. Tem mais de 100 obras publicadas que tratam de assuntos e temas que muitos pensadores atuais vêm abordando agora e que ele já tratava há muitos anos. Temos essa pérola perdida no nosso país”, justifica.

Seu interesse é resgatar a obra do filósofo e trazer a possibilidade de destacar o Brasil no pensamento filosófico, mostrando a pluralidade do país em outras áreas.

 

151 anos de Carl Gustav Jung

O psiquiatra suíço completaria 151 anos no último dia 26 de julho, um dia após a exibição do documentário em Dois Irmãos. Sua obra reverbera através de seus conceitos e métodos como os arquétipos, inconsciente coletivo, individuação, tipos psicológicos e sincronicidade. A obra de Jung influenciou importantes nomes da psiquiatria, entre eles a brasileira Nise da Silveira, que introduziu a psicologia analítica no Brasil e se tornou uma das precursoras da arteterapia no país.

Lucas destaca que Dois Irmãos recebeu a exibição do filme após ele passar por Vacaria, primeiro município do interior a receber a obra fora do circuito de profissionais ou interessados nos temas da psicologia.

“Já passamos o filme na França, Portugal, Porto Alegre, São Paulo e sempre em núcleos de psicologia. Mas resolvemos, agora, circular por diversos municípios para um público mais diverso. Devemos fazer um tour com algumas sessões únicas para assistir ao filme e debater o tema”, complementa.

Para Lucas, a experiência do público proporcionou dois tipos de retorno (feedback): “Para o público que já tinha iniciação no conceito, acharam o filme introdutório, ou seja, já conheciam parte do que o filme trata. E, para os que não tinham contato com o conceito, o filme apresentava muitas informações. Acredito que acertamos no meio-termo: não perder a forma da teoria e, ao mesmo tempo, deixá-la mais palatável aos leigos no tema”, finaliza.

Certamente, Em Busca do Self é um filme que traz um tema urgente para nossa sociedade. O direcionamento da inquietação do diretor foi fundamental para a realização desta obra e, vemos aqui, a arte cumprindo seu papel através do audiovisual e do cinema. Além disso, os ensinamentos de Carl Gustav Jung e Viktor Frankl estão mais atuais do que nunca, servindo de norteador para o encontro de respostas para perguntas que, muitas vezes não conseguimos responder. Em Busca do Self é um documentário assertivo e, mais do que isso, sensível.

 

Saiba mais: https://www.sabujofilmes.com/produto/teatro-das-sombras/

 

 

Depoimentos

 

“Confesso que saí da sessão com o coração inquieto e, ao mesmo tempo, triste por não termos conseguido reunir mais pessoas para assistir a um conteúdo tão necessário. Como psicóloga clínica, me deparo diariamente com o sofrimento humano. Entre tantos temas que chegam ao consultório, um deles tem se tornado cada vez mais frequente: o vazio existencial. Um vazio que se manifesta na falta de tempo para o que realmente importa e na dificuldade de distinguir aquilo que tem valor daquilo que apenas tem preço. Uma das psicólogas entrevistadas no documentário fez uma observação que me marcou profundamente. Hoje, o sofrimento também chega à clínica por meio das crianças, não apenas dos adultos e adolescentes. Isso nos convida a uma reflexão urgente. Porque saúde mental não se constrói apenas com respostas. Ela nasce, sobretudo, da coragem de fazer as perguntas certas e de se reconectar consigo mesmo.” Elisandra Bremm

 

“Achei maravilhoso! Eu já havia lido o livro de Viktor Frankl e um pouco de Carl Jung. Tudo que se fala sobre a psique humana me fascina. Em Busca do Self é tão simples... é buscar a beleza da Vida. Não posso deixar de citar o ponto que me marcou, na passagem no documentário que falaram sobre acidentes, ele realmente muda a pessoa e a vida passa a ter mais sentido. Comigo foi isso, antes do AVC e depois do AVC, posso dizer que existe uma nova Nilva. Nos pequenos gestos, eu passei a olhar as coisas com mais atenção. Ou seja, a gente busca fora o que está dentro. O nosso self é a coisa mais linda que tem”. Nilva Wagner Heilmann

 

“O escritor teve muita sensibilidade ao apresentar o tema, trazendo aspectos do cotidiano humano permitindo empatia com a audiência. Além disso, foi muito boa a escolha dos profissionais.” Paulo Ricardo Silva Ferreira


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Poesia e arte no céu de Dois Irmãos (Foto: Pitter Ellwanger)

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