Fonte: Assessoria de comunicação / Foto: Divulgação
Por muito tempo associada quase exclusivamente ao tremor, a doença de Parkinson costuma se manifestar de forma silenciosa e heterogênea, o que representa um dos principais desafios para pacientes e médicos. Reconhecer os sinais iniciais pode antecipar o diagnóstico e impactar de maneira relevante a evolução do quadro.
De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 500 mil brasileiros vivem com a doença, número que deve crescer com o envelhecimento da população. A tendência é que haja um aumento expressivo nas próximas décadas, acompanhando a transição demográfica do país. O neurocirurgião do Hospital Moinhos de Vento, Alexandre Reis, explica que a condição está relacionada à diminuição da dopamina, neurotransmissor essencial para o controle motor.
“A dopamina faz uma espécie de regulagem fina do movimento. Sem ela, o cérebro perde a capacidade de ajustar corretamente as ações motoras e passam a surgir sintomas, como tremores, lentidão progressiva, rigidez muscular e instabilidade postural, com aumento do risco de quedas. Nem todo paciente com Parkinson treme, o que é importante para evitar interpretações equivocadas”, afirma.
Os sinais que passam despercebidos
Antes das manifestações mais evidentes, o organismo costuma emitir indícios sutis, frequentemente atribuídos ao envelhecimento.
Um dos sinais mais comuns é a assimetria dos movimentos. Durante a caminhada, por exemplo, um dos braços pode deixar de balançar naturalmente. Também podem surgir episódios leves de desequilíbrio, como tropeços ou dificuldade ao se levantar. Mudanças na escrita são outro indicativo: a letra, antes regular, passa a ficar progressivamente menor, fenômeno conhecido como micrografia.
“São mudanças discretas, mas consistentes. Muitas vezes, quem percebe primeiro é alguém próximo, não o próprio paciente”, observa o neurocirurgião. “Esse olhar atento pode encurtar o caminho até o diagnóstico.”
Sem cura, mas com controle possível
Apesar de ainda não haver cura, os avanços terapêuticos têm permitido preservar a qualidade de vida por mais tempo. O tratamento envolve medicamentos para controle dos sintomas associados a outras abordagens. De acordo com a Chefe do Serviço de Neurologia e Neurocirurgia do Hospital Moinhos de Vento, Sheila Martins, a fisioterapia é um dos pilares desse cuidado.
“Quando iniciada precocemente, ela pode diminuir a incapacidade causada pela doença. Ajuda a preservar a mobilidade e, principalmente, a prevenir quedas, que são uma das principais causas de complicações”, afirma a neurologista.
Esse aspecto é decisivo. Quedas e traumas podem acelerar a perda de independência e comprometer a longevidade, o que torna a reabilitação contínua indispensável. Em situações específicas, a cirurgia também pode ser indicada como estratégia para ampliar o controle dos sintomas em estágios mais avançados.
Uma doença além da idade
Embora seja mais frequente com o avanço da idade, o Parkinson não se restringe à população idosa. Casos em pessoas mais jovens, ainda que menos comuns, reforçam a natureza multifatorial da condição, que envolve fatores genéticos e ambientais. Para Martins, o avanço mais relevante no seu enfrentamento está na disseminação de informação qualificada.
“Reconhecer o Parkinson para além do tremor é um passo importante para lidar melhor com uma condição crônica que não implica, necessariamente, perda da autonomia. Quanto mais cedo identificamos a doença, mais cedo conseguimos intervir. E isso se traduz em mais qualidade de vida ao longo dos anos”, conclui.