Saúde nutricional: como comer bem em tempos de alta no custo de vida

29/08/2025
Nutricionista Carolina Schäffer (Foto: Arquivo pessoal) / Consumo diário de frutas, legumes e verduras é fundamental para a saúde

Nutricionista Carolina Schäffer (Foto: Arquivo pessoal) / Consumo diário de frutas, legumes e verduras é fundamental para a saúde

A alimentação equilibrada é um dos pilares fundamentais da saúde. No entanto, com a elevação do custo de vida no Brasil, manter uma dieta saudável tem se tornado um desafio crescente para muitas famílias.

A nutricionista Carolina Schäffer, que atua na atenção primária, chama atenção para a influência direta da realidade econômica sobre as escolhas alimentares da população. “Moradia, energia, transporte e medicamentos sofreram aumentos consideráveis nos últimos anos. Diante disso, as pessoas acabam optando por alimentos mais baratos e práticos, o que frequentemente significa alimentos ultraprocessados e pobres em nutrientes”, observa ela.

Essa tendência gera consequências preocupantes à saúde. Segundo Carolina, dietas com baixo teor de ferro, cálcio, vitaminas e fibras contribuem para anemia, constipação, baixa imunidade, obesidade, osteoporose e diversas doenças metabólicas. “A carência nutricional está presente em grande parte dos pacientes atendidos, especialmente em comunidades mais vulneráveis”, relata.

Apesar das dificuldades, a especialista reforça que é possível comer bem com recursos limitados, desde que haja planejamento e escolhas conscientes. “Alimentos da estação, feiras locais, hortas caseiras e a organização das refeições são estratégias eficazes”, afirma. Ela também destaca que a falta de tempo e o excesso de compromissos influenciam negativamente nas decisões alimentares, favorecendo o consumo de industrializados.

Do ponto de vista nutricional, o que mais falta no prato das famílias é variedade e cor. “Cada cor representa um grupo diferente de nutrientes. Um prato monocromático costuma ser nutricionalmente pobre. Já um prato colorido é reflexo de uma dieta mais equilibrada”, explica. “Além da carência de nutrientes, o consumo excessivo de ultraprocessados como refrigerantes, salgadinhos, embutidos, bolachas recheadas e alimentos congelados, tem se associado a aumento do risco de diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares, obesidade, câncer e até depressão”, acrescenta a nutricionista.

 

Como evitar doenças

Doenças evitáveis com alimentação adequada são vistas diariamente nos consultórios, como diabetes tipo 2, dislipidemias, esteatose hepática, obesidade, hipertensão, gastrite, insônia e distúrbios alimentares. “O consumo diário de frutas, legumes e verduras, a hidratação com água pura, o fracionamento das refeições e a redução de sal, açúcar e alimentos industrializados fazem parte de uma rotina alimentícia que compromete beneficamente a saúde”, orienta a especialista.

Carolina destaca ainda o papel estratégico do Sistema Único de Saúde (SUS) na promoção da saúde nutricional. “A Atenção Básica pode promover ações educativas, encaminhamentos para nutricionistas, visitas domiciliares e campanhas informativas”, afirma.

Para quem acredita que alimentar-se bem é inviável financeiramente, a nutricionista deixa um recado direto: “Comer bem não precisa ser caro. É possível, sim, desde que haja planejamento e escolhas conscientes. Evitar o desperdício, organizar refeições e investir em alimentos básicos e naturais pode fazer toda a diferença”.


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