Por Cláudia Kunst
Estamos na última semana de julho de 2026. Chegamos à metade do ano e nos perguntamos como — e por que — o tempo parece correr cada vez mais depressa, se continuamos a ter as mesmas 24 horas de sempre.
Esta semana, em meio ao trabalho e às tantas atividades que insistem em disputar nossa atenção e nossos prazos, dei-me ao luxo de parar. Passei alguns minutos fotografando os pássaros que brincavam e se alimentavam entre as delicadas flores do ipê-amarelo, em frente à minha casa. Dediquei boa parte desse tempo, especialmente, ao serelepe beija-flor, inquieto e incansável, que parecia desafiar a lente da câmera.
Na mitologia grega, Kairós, o deus do tempo oportuno, contrapõe-se a Cronos, o deus do tempo cronológico. Por alguns instantes, tive a impressão de experimentar a dinâmica desse tal Kairós. A natureza não obedece ao relógio nem às urgências que criamos para nós mesmos. Ela segue seu próprio compasso — talvez o tempo de Kairós.
É verdade que vivemos em uma sociedade guiada pelos ponteiros do relógio e pelas inevitáveis 24 horas do dia. Mas que não percamos a capacidade de vez ou outra, “perder” um pouco de tempo observando os pássaros, as flores e a natureza, que, silenciosamente, continua nos ensinando aquilo que tantas vezes insistimos em não aprender.