Golpes causaram prejuízo de mais de R$ 3 milhões em Dois Irmãos no ano passado

01/10/2025
(Foto: Arquivo JDI)

(Foto: Arquivo JDI)

A Polícia Civil de Dois Irmãos concluiu na semana passada o levantamento de dados sobre golpes em 2024. Segundo informações repassadas pelo delegado Felipe Borba, no último ano foram registrados mais de 500 casos, que causaram prejuízo superior a R$ 3 milhões.

Para efeito de comparação, em 2023 as perdas chegaram a R$ 2 milhões, num total de 400 registros de ocorrência. A maioria dos casos é de Dois Irmãos; somente uma pequena parcela refere-se a vítimas de Morro Reuter.

Em entrevista ao Jornal Dois Irmãos, o comandante da Polícia Civil no município destaca os principais tipos de golpe e de que forma a população pode se precaver.

 

Quais os tipos de golpes mais comuns registrados atualmente?

Delegado Borba – Os mais comuns seguem sendo os relacionados a falsos funcionários de bancos, justificando que há uma transação suspeita e orientando a vítima a promover diversos comandos por meio do celular e de alguém se passando por algum familiar ou conhecido, pedindo que a vítima faça um pagamento via Pix. Depois, temos os golpes do falso boleto, em que a vítima efetua o pagamento de um boleto que teve o código de barras alterado pelos estelionatários; e do falso pagamento, quando a vítima se satisfaz com o recebimento de um falso comprovante e faz a entrega de um bem ou produto. Mais recentemente, temos observado o golpe do falso advogado, mediante o qual o criminoso se passa por advogado(a) da vítima, referindo que houve êxito em ação judicial, mas que para que os valores sejam liberados deveria ser promovido o pagamento de alguma taxa; e o golpe relativo a investimentos ou proposta de emprego: neste caso, a vítima efetua pagamentos alegados pela empresa contratante como essenciais para o contrato.

 

Dentre os golpes mais comuns, qual é o mais difícil de ser combatido e evitado? Por quê?

Delegado Borba – Qualquer golpe promovido pela internet, celular ou redes sociais em geral é difícil de investigar, tendo em vista a complexidade vinculada às diligências necessárias, pois muitas demandam autorização judicial para a execução, e pelos obstáculos que os criminosos utilizam, como habilitação de chip de celular em nome de laranjas e abertura de contas com documentos falsos. Certamente os golpes, hoje em dia, são os crimes de mais difícil elucidação.

 

Qual foi o golpe que causou maior prejuízo no ano passado? De quanto foi?

Delegado Borba – No ano passado, tivemos dois golpes em que o prejuízo foi em torno de 100 mil reais cada um. O primeiro versava sobre investimentos, quando a vítima foi ludibriada a efetuar pagamentos para que tivesse um retorno, até que, em determinado momento, promoveu o aporte de 100 mil reais e parou de receber qualquer vantagem, sendo bloqueado o contato mantido. O outro foi sobre a compra de veículo, sendo a vítima enganada por um falso anúncio em plataforma digital.

 

Qual o tipo de golpe mais inusitado e de que forma ele acontece?

Delegado Borba – Mais recentemente, tivemos tentativa de golpe perante parentes de pessoa falecida, que foram procurados por golpistas sob a invocação de que tal pessoa teria pegado empréstimo com agiotas vinculados a uma facção criminosa, e que o pagamento da dívida estaria pendente, promovendo ameaças.

 

Pela sua experiência, o senhor acredita que ainda há muitos casos que não são registrados?

Delegado Borba – Certamente há muitos casos não registrados. Primeiro, porque a própria vítima pode não ter percebido que foi enganada. Isto é bastante comum, por exemplo, em supostas rifas para auxiliar tratamento de saúde para crianças. Segundo, pois a vítima pode se sentir envergonhada de admitir seu equívoco, como acontece no caso de expectativa de investimentos ou negócios vantajosos. E terceiro, na medida em que a vítima pode acreditar no conjunto de ameaças promovidas no contexto dos golpes, sendo um deles justamente a promessa de um mal, caso ela procure auxílio policial.

 

Em geral, de que forma a população pode se precaver?

Delegado Borba – Os criminosos querem dinheiro. E, para isso, vão explorar alguma vulnerabilidade nas vítimas visadas. Ter cautela, cuidado e atenção é essencial. Não se deixar levar por propostas e ofertas de elevada vantagem. Não promover pagamentos sem conferir os dados do beneficiário. Não clicar em links desconhecidos e não atender chamadas ou responder mensagem de números estranhos. Sempre se certificar de que está tratando com quem acredita e buscar auxílio policial em qualquer caso suspeito. A prevenção é o melhor e único caminho eficiente para reduzir o número de golpes.

Como última recomendação, dobrar os cuidados durante o final de semana e evitar realizar transações a partir das 16h de sexta-feira, pois os criminosos intensificam as tentativas de golpe a partir do fechamento das agências bancárias, dificultando que as vítimas consigam esclarecer o crime ou que o banco promova o bloqueio das contas beneficiárias, o que vai ser possível somente a partir de segunda-feira, quando os valores certamente já terão sido sacados ou pulverizados para outras contas.

 

Por quais meios a vítima pode registrar um golpe ou uma tentativa de golpe?

Delegado Borba – Pode registrar em qualquer Delegacia de Polícia, presencialmente, ou pela Delegacia Online, no site da Polícia Civil.

 

Poderia citar um ou mais casos em que um golpe foi evitado ou o dinheiro recuperado por conta da vítima ter acionado a Polícia Civil?

Delegado Borba – Tomamos a iniciativa de criar um grupo no WhatsApp em que estão os gerentes de todas as instituições financeiras com agência em Dois Irmãos. Assim que a vítima comparece na Delegacia, caso ainda não tenha ido até o banco, nós promovemos o contato com a respectiva gerência. Por meio de operações internas, muitas vezes o banco consegue bloquear os valores ou desfazer a transação. Através dessa medida, muitos prejuízos são evitados e o dinheiro recuperado.


Delegado Borba orienta de que forma a população pode se precaver


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