Mês Farroupilha movimenta R$ 652,8 milhões e evidencia força do tradicionalismo na economia do RS

03/09/2026
Fonte: Feevale / Foto: Divulgação

Fonte: Feevale / Foto: Divulgação

Muito além da preservação de costumes e da valorização da identidade gaúcha, o tradicionalismo representa importante força econômica para o Rio Grande do Sul. É o que aponta uma pesquisa realizada pelo economista José Antonio Ribeiro de Moura, professor da Universidade Feevale, que estima em R$ 652,8 milhões o impacto financeiro do mês Farroupilha no Estado.

O levantamento considera uma série de despesas e investimentos relacionados às atividades tradicionalistas, incluindo alimentação e manutenção de animais, indumentárias, eventos, shows, produtos culturais, erva-mate, cutelaria, combustível e promoção das festividades.

O estudo evidencia a dimensão de uma cadeia que se movimenta durante o período e envolve diferentes segmentos da economia. Entre os principais componentes analisados estão os R$ 182,67 milhões relacionados ao consumo de churrasco, sendo R$ 140,62 milhões referentes a carne e R$ 42,05 milhões a carvão. A estimativa considera o consumo durante a Semana Farroupilha no Rio Grande do Sul e a Expointer, que ocorre no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio.

Outro destaque é o investimento realizado pelo público na aquisição de itens característicos da cultura gaúcha, como chapéus, lenços, guaiacas, bombachas, botas, vestidos, sapatilhas, alpargatas e ponchos. Nesse segmento, a pesquisa estima uma movimentação de R$ 46,51 milhões.

A cadeia ligada aos animais e às atividades campeiras também apresenta participação expressiva. Os gastos com alimentação, hotelaria, transporte e encilhas representam R$ 31,25 milhões, enquanto os investimentos em indumentárias e laços dos laçadores somam R$ 5,58 milhões – R$ 2,46 milhões em indumentárias e R$ 3,12 milhões em laços.

A música e as demais manifestações culturais também contribuem para esse movimento. De acordo com o levantamento, os shows e atrações de música gaúcha representam R$ 36,8 milhões, enquanto gastos com mídia de músicas gaúchas, bailes, cursos, acampamentos e produtos artesanais chegam a R$ 43,6 milhões.

Entre os produtos diretamente associados aos hábitos e à cultura tradicionalista, a erva-mate movimenta cerca de R$ 61,5 milhões, enquanto a cutelaria representa aproximadamente R$ 16 milhões. O deslocamento das famílias para os eventos também gera impacto econômico: a estimativa de gastos com combustível chega a R$ 8,84 milhões.

 

Eventos impulsionam investimentos

A realização das festividades tradicionalistas mobiliza recursos de diferentes agentes. Os CTGs respondem por R$ 44,22 milhões em investimentos na promoção dos eventos, enquanto os municípios destinam R$ 172,21 milhões para a realização das atividades. Já a condução da Chama Crioula e a promoção dos eventos das Regiões Tradicionalistas representam outros R$ 3,60 milhões.

Para o professor Moura, os dados ajudam a dimensionar uma característica que muitas vezes fica em segundo plano quando se fala sobre o tradicionalismo: sua capacidade de movimentar diferentes setores da economia. “O tradicionalismo é frequentemente associado à cultura e à identidade, mas também existe uma dimensão econômica muito significativa. Quando observamos os gastos com alimentação, vestuário, transporte, eventos, música, produtos culturais e serviços, percebemos que existe uma extensa cadeia produtiva associada às manifestações tradicionalistas”, destaca.

O pesquisador ressalta que o impacto não se concentra em um único setor. Pelo contrário, ele se distribui entre atividades comerciais, prestação de serviços, produção cultural, turismo, alimentação, transporte e investimentos públicos e privados, demonstrando a transversalidade econômica do tradicionalismo. “O mês Farroupilha transcende a preservação histórica e se consolida como um poderoso motor econômico, responsável por injetar mais de R$ 652 milhões na economia gaúcha. Esse volume expressivo de recursos irriga uma cadeia produtiva vasta e descentralizada, sustentando milhares de famílias, trabalhadores autônomos e pequenos negócios em diversas regiões”, afirma Moura.

 

Movimentação comparável a grandes setores exportadores

A dimensão estimada pelo estudo também pode ser observada quando o valor é comparado a indicadores de outros segmentos relevantes da economia gaúcha. Segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), o setor calçadista do Rio Grande do Sul exportou, em setembro de 2025, aproximadamente R$ 240 milhões.

Dessa forma, os R$ 652,8 milhões estimados para o mês Farroupilha equivalem a cerca de 2,7 meses de exportações de calçados gaúchos, considerando o ritmo registrado no mesmo mês. Na comparação com outros segmentos, a movimentação considerada pelo tradicionalismo no período corresponde, ainda, a 57,8% das exportações de fumo (fonte: Comex Sat-MDIC) e 53,65% das exportações de carnes (fonte: Boletim Indicadores do Agronegócio do RS), considerando os indicadores utilizados no levantamento.


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