Atleta de Morro Reuter foi a melhor brasileira na prova (Foto: @fparadizo)
A corredora Marlei Willers, de Morro Reuter, segue fazendo história. Neste domingo (2), ela sagrou-se campeã do Mundial Master e terminou a Maratona de Nova York na 18ª colocação geral, mesmo sem largar no chamado pelotão de elite.
A Maratona de Nova York é uma das sete maiores do mundo, integrando o chamado World Marathon Majors, circuito que ainda conta com as provas de Boston, Londres, Berlim, Chicago, Tóquio e Sydney. Sua participação nos Estados Unidos se deu por ela ter alcançado o índice na Maratona de Berlim, na Alemanha, no ano passado.
– É uma felicidade que mal cabe em mim! Fazer uma ótima prova é a recompensa de um processo e preparo intensos e de muita dedicação. Obrigada de coração a todos os que torcem por mim. Mais uma Maratona concluída e dessa vez com direito à melhor colocação mundial na classificação geral Master, ficando depois apenas das atletas olímpicas. Que orgulho! Acredite nos seus sonhos – postou a atleta de 47 anos nas redes sociais.
O grande desempenho de Marlei também a coloca em destaque no ranking nacional da Confederação Brasileira de Atletismo, com o segundo melhor tempo feminino em maratonas no ano de 2025. Em conversa com a redação do JDI, a atleta deu detalhes da prova e falou sobre o momento especial vivido na carreira. Acompanhe:
Qual foi seu tempo na Maratona de Nova York?
Marlei – Meu tempo foi de 2 horas, 41 minutos e 58 segundos. É uma prova bem desafiadora, porque não é 100% plana. Foi um grande resultado, nem eu esperava alcançar. Para quem vem para performar, não é uma prova indicada para tempo, e eu consegui fazer um ‘tempaço’. Em Porto Alegre, fiz 2h40min59s, e agora, dois anos depois, conseguir esse tempo com certeza é um grande feito para mim como atleta.
Quais foram suas conquistas?
Marlei – Além de eu correr a Maratona de Nova York, dentro da maratona aconteceu o Mundial Master, em que eles aproveitam a estrutura do evento e premiam atletas acima de 40 anos; eu fiquei campeã do Mundial Master. Minha categoria é 45 a 49 anos, mas eu fiz o melhor tempo entre todas as categorias. É primeira vez que participo do Mundial, que acontece uma vez por ano. No Brasil, infelizmente ele quase não é conhecido e apoiado, mas por aqui é muito reconhecido. Então eu ganhei três medalhas: uma por participar da maratona, ficando na 18ª colocação geral entre todas as corredoras – e isso que eu não larguei na elite, mas no meio da galera geral, sem conseguir aquecer; e duas pelo Mundial, uma também de participação e outra por ter sido campeã.
Qual a emoção por mais esse grande momento?
Marlei – É muito trabalho e dedicação. Essa conquista não veio ontem, dos 42km, mas de 8 anos de muito trabalho dentro da corrida, não só trabalho físico, mas também muito trabalho mental. Também de renúncia de muita coisa, de coragem de fazer muitas escolhas, de deixar muitas coisas para trás, porque muitas vezes eu tive que abrir mão de muita coisa minha, pessoal, para poder viver isso, me afastando de certas rotinas que eu tinha para poder viver esse momento e me entregar. A vida de atleta é uma vida em que você tem que se dedicar 100%, estar sempre presente, é algo muito duro, solitário. Mas com certeza valeu por todos os momentos em que me reergui, me reinventei, me reestruturei e que lutei pelo que sempre sonhei e sempre quis. Comecei a correr para poder viajar, para conhecer o mundo, e estou conseguindo realizar meu sonho, levando não só o nome da Marlei, mas ajudando a fomentar o esporte individual que é tão pouco reconhecido em nível mundial, se a gente for analisar, e principalmente no Brasil. Poder mostrar para as pessoas que com trabalho, com dignidade, com paciência, com resiliência, sendo justo, sendo limpo, sendo correto, a gente consegue conquistar grandes coisas e grandes resultados. Quero muito agradecer, pois nesta caminhada muita gente contribuiu e contribui para isso acontecer; não estou aqui sozinha, tem muitas pessoas envolvidas, e a minha eterna gratidão a essas pessoas por confiarem não só na Marlei, mas no esporte, nas oportunidades, em pessoas que querem, sim, construir uma sociedade mais leve, mais feliz, mais saudável e com um olhar mais positivo para o dia de amanhã.
Quais são os próximos desafios?
Marlei – Não parei para pensar nos próximos desafios ainda, mas uma das coisas que ontem eu conquistei foi o índice para poder fazer qualquer Major no ano que vem. Nessas Majors, além de se inscrever e pagar uma grana altíssima, você tem que ter os índices, tem que ter os tempos, senão não consegue fazer. Também consegui minha vaga para fazer o Mundial do ano que vem, que será na África do Sul, mas ainda não sei a cidade. Agora é voltar para casa, se reorganizar e pensar no meu ano de 2026. Por enquanto não tenho nada agendado, mas pretendo fazer alguma prova aí no Brasil, das pessoas que sempre me apoiam e organizam os eventos. Aproveito para convidar o pessoal para o meu treinão em parceria com a Feevale, no dia 29 de novembro, sábado pela manhã. Será um grande evento, esperamos um público de mais de 1.000 pessoas.