Programação especial marcará o momento
O Museu Histórico Municipal de Dois Irmãos (MHMDI) será reaberto no dia 18 de outubro (domingo), após passar por um amplo processo de restauração, adequação e qualificação de seus espaços.
A programação iniciará às 15h30 e contará com apresentação do Coral Cantares, proponente do projeto junto às leis de incentivo, além de apresentações culturais, visita guiada com intervenção cênica e ato de entrega do museu restaurado.
– A edificação preserva parte do legado de Dois Irmãos e do Vale do Sinos por meio da história das famílias que nela viveram e contribuíram para o desenvolvimento da região. Mais do que narrar a imigração, o espaço busca contar a história da casa e da comunidade, valorizando a identidade e a participação dos moradores na construção da memória local e regional – diz a nota divulgada pela prefeitura.
O processo de restauro teve início em 2021, com a elaboração dos projetos técnicos, incluindo os projetos arquitetônicos e de acessibilidade. Concluída essa etapa, as obras da edificação tiveram início em 2025, assim como o projeto museológico e museográfico.
Ambas as fases foram realizadas com recursos captados junto a patrocinadores e contrapartida do município, através do Sistema Estadual de Cultura – Pró-Cultura RS, do Governo do Estado, por meio da Lei de Incentivo à Cultura. Ao todo, foram investidos cerca de R$ 3.051.000,00.
– O projeto contará, ainda, com ações de educação patrimonial em escolas do município, através de um esquete protagonizado pela atriz Thaís Backes. De acordo com a sinopse, a personagem explica, de forma lúdica, o que é um restauro, como se tivessem dado uma poção de juventude para o prédio, cuidando de cada detalhe para preservar o passado, já que Dois Irmãos é uma cidade referência na preservação do patrimônio – acrescenta a nota.
O QUE FOI FEITO
– O restauro foi uma intervenção ampla, pois a edificação apresentava diferentes necessidades de conservação e recuperação em seus elementos históricos. Com a abertura de partes que estavam anteriormente encobertas, foi possível identificar com maior precisão as condições das estruturas de madeira – que receberam tratamento e dedetização –, encontrando peças com deterioração, perdas de seção e outros comprometimentos. A partir dessas condições, algumas peças puderam ser preservadas, enquanto outras precisaram receber reparos, enxertos, complementações ou substituições.
– Nas paredes e revestimentos, foram realizadas recomposição e recuperação de rebocos. As esquadrias de madeira e os tampões de madeira tiveram seus desenhos e leitura preservados, com base em fotografias históricas e no levantamento cadastral anterior, mantendo a originalidade do aspecto visual das janelas, foram refeitos, mantendo a maioria das ferragens dos mecanismos de abertura e fechamento.
– A cobertura também foi objeto de revisão de sua estrutura, tratamento das madeiras e recuperação dos elementos de acabamento. Nas áreas em pedra grês, foram realizadas limpeza e recuperação das superfícies. O assoalho histórico também foi recuperado, priorizando o reaproveitamento das tábuas existentes, com reforços, correções e substituições localizadas conforme as condições observadas em cada trecho. No terraço, foram realizadas desmontagem e recomposição de trechos necessários às intervenções, além de adequações relacionadas à drenagem.
– Além da recuperação dos elementos históricos, foi necessário adaptar a edificação às atuais normas de acessibilidade e às necessidades de funcionamento do Museu. Para isso, foram implantados novos acessos e percursos, incluindo uma plataforma elevatória e uma passarela metálica, importantes medidas de acessibilidade inexistentes até então no espaço, além de novas instalações elétricas, iluminação, paisagismo, climatização, monitoramento, alarme e elementos de segurança.
– Também estão sendo executados novos projetos expográfico e luminotécnico. A acessibilidade comunicacional, com audiodescrição e linguagem simples, com tradução em alemão, também integra o projeto museológico, contribuindo para qualificar a apresentação e a valorização do acervo.
As intervenções tiveram aprovação do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural (COMPAC), além do acompanhamento de técnicos da Prefeitura e agentes do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado do Rio Grande do Sul (IPHAE).
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SAIBA MAIS
Datada de aproximadamente 1862, a edificação do Museu é um dos poucos exemplares da técnica construtiva enxaimel que permanece em pé no perímetro urbano de Dois Irmãos. Este ano, o espaço completou 37 anos de atividade como equipamento cultural.
O imóvel foi adquirido pelo município em 1985, passou por uma reforma em 1986 e teve suas novas instalações inauguradas naquele ano. O espaço tornou-se uma instituição museal em 11 de junho de 1989, na gestão de João Arnildo Mallmann e Renato Dexheimer.