Por Alan Caldas (Editor e amigo)
No domingo, 20, Sara Capeletti Braun saiu de casa e foi até o supermercado Kern. Fez as compras e, na saída, ainda na rampinha de descida para a rua, sentiu-se mal. Não tinha mais forças. E precisou sentar-se.
Como o apartamento em que mora é praticamente em frente, ela chamou o esposo, Elemar, que estava na sacada. Enquanto Elemar estava vindo, chegou a vizinha Ana, que a conhecia e era amiga, e com a chegada do marido e dessa amiga, ambos a socorreram.
Chamaram o SAMU, cuja base é próximo e chegou quase imediatamente. Sara foi levada ao Pronto Atendimento do Hospital São José. Os profissionais viram a situação. Sara havia enfartado e estava com trombose na perna, concluiu-se preliminarmente. Diante disso, na mesma hora a transferiram para o Hospital Conceição, em Porto Alegre, um hospital de alta complexidade.
Ao chegar lá sua perna apresentava problema e concluíram que, sim, tratava-se de uma trombose na perna. A equipe médica do Conceição fez também na hora um cateterismo. Submeteram a Sara a uma intervenção cirúrgica na perna e a entubaram, e assim Sara foi colocada na UTI.
Disseram que era um enfarte, também, mas em “uma veia secundária e que não comprometeria a vida da Sara”. O problema seria realmente a trombose ocorrida na perna de Sara. E, em vista disso, ela ficou na UTI. Entubada, disseram aos familiares, para ficar mais calma, não agitada e que isso facilitaria a recuperação dela.
Isso foi tudo no domingo.
Na segunda-feira, 21, o filho Rafael levou o pai Elemar até Porto Alegre, “e até então tudo estava bem”, conta Rafael. O resto da segunda-feira correu normal. Porém, já quase à meia-noite, o hospital ligou para a família e pediu que fossem até lá.
Ao chegarem no hospital foram informados de que a trombose na perna da Sara havia piorado e que um trombo havia se deslocado e estava pressionando mais o trabalho do coração. A situação se complicava.
Na manhã de terça-feira, 22, a família foi então informada que ocorrera outro enfarte e que o coração da Sara não resistiu ao esforço e parou.
Sara estava morta, informaram.
Aos 67 anos e até dias atrás esbanjando saúde, morreu minha/nossa amiga Sara Capeletti Braun. Foi um choque para toda a cidade.
E um detalhe assustador: duas semanas atrás, a Sara fez uma enorme bateria de exames. Exames que atestaram que ela estava bem em tudo fisicamente, me disse o amigo Rafael, filho da Sara.
Fiquei pensando . . .
É quase inacreditável que isso tenha acontecido com ela. E acontecido dentro de um hospital com tantos enormes recursos quanto o Hospital Conceição.
Quase nem dá para acreditar que se perca uma vida de 67 anos, saudável e sem comorbidades DENTRO de uma UTI. É assustador isso!
A Sara é e será para sempre lembrada pelo seu trabalho e dedicação radical em favor da causa canina. Ela foi uma das bravas e adoráveis fundadoras da Associação Amigos dos Animais em Dois Irmãos.
Era defensora incontestável do direito à vida e cuidados dos cães em nossa cidade. E não recuava um milímetro na defesa deles. Não houve um só momento em que ela não tenha estado em luta pela causa animal.
Ela cobrava do poder público.
Ela cobrava das pessoas privadas.
Ela brigava. Xingava. A Sara fazia de tudo para que os cães seja do canil seja os de rua tivessem tratamento digno.
Voluntária 24 horas por dia, 365 dias por ano, a Sara não descansava até ver os direitos dos cães serem respeitados.
Entrevistei muitas vezes a Sara e posso com felicidade dizer que éramos amigos.
Quando soube da morte dela, fiquei chocado. E quando me contaram que morreu dentro de uma UTI de um hospital tão cheio de recursos e profissionais como o Conceição, fiquei horrorizado.
Não acredito que se tenha uma hora para morrer. Para mim, a morte é só uma doença que AINDA não vencemos. E perder a amiga Sara assim, de soco, e dentro de um hospital de alta complexidade, sinceramente é um escândalo para a medicina.
Se estivesse doente, se tivesse comorbidade, se bebesse, se fumasse... vá lá.
Mas a Sara nada disso tinha e fazia.
É um escândalo.
Estou triste.
Todos estamos, creio.
Mas nada disso adianta.
A Sara lutadora, guerreira, destemida, radical na defesa dos animaizinhos se foi. Morreu. E sua partida deixa um vazio imenso, enorme, dolorido e sem cura em todos nós.
Meus mais profundos, sentidos e tristes PÊSAMES ao meu amigo Elemar e a seus filhos e da Sara: Jonas, Patrícia e Rafael, que tanto bem eu quero.
Sara, prezada amiga:
– Que a terra te seja leve.
Vá em Paz.
Deixas um trabalho adorável nesta terra de tantos contrastes.
***
Cerimônia de despedida
Segundo a Funerária Dois Irmãos, a cerimônia de despedida de Sara Capeletti Braun ocorreu na manhã desta quarta-feira (23), na Capela Mortuária Municipal, seguindo após para os atos de cremação. Além dos filhos e do esposo, ela também deixa enlutados os netos Arthur, Bento e Helena, as noras Maria Silvane e Mariana, os irmãos Cleber e Cleomar, demais familiares e amigos.

Sara com os filhos Jonas, Patrícia e Rafael