Dois-irmonense Carmen Backes transforma sua paixão em arte e ensino

14/05/2026
Carmen Backes: “Qualquer escolha nos leva a abrir um mundo novo”. Ao lado, com Áurea Rapaki junto ao mosaico de São Miguel

Carmen Backes: “Qualquer escolha nos leva a abrir um mundo novo”. Ao lado, com Áurea Rapaki junto ao mosaico de São Miguel

No dia 8 de maio foi celebrado o Dia do Artista Plástico. Um nome conhecido nas artes plásticas de Dois Irmãos é o de Carmen Backes, que carrega uma grande paixão pelo ofício e uma trajetória marcada pela dedicação, criatividade e ensino.

Atualmente moradora de Ivoti, Carmen Lúcia Backes tem 65 anos e descobriu a arte ainda na infância. “Eu pintava o que via e moldava personagens da Disney em sabão”, recorda. O primeiro convite para ensinar surgiu por meio de uma colega de colégio, que a convidou para ministrar aulas para algumas mães no Imaculada Conceição. “Elas organizaram a sala e fui dar aula para elas. Bons tempos, muitas saudades”, relembra.

 

Inspiração e processo criativo

Segundo Carmen, a inspiração nasce da necessidade de cada obra. “Ela vem da necessidade do momento, da finalidade da obra. É o momento de aplicar o conhecimento”, explica. Para a artitsa, a etapa mais especial do processo criativo se dá no início de cada trabalho. “O melhor momento é quando se inicia uma obra, quando você molda o pensamento e ele se torna matéria”, destaca.

Carmen é Mestra em Arte Decorativa pelo Instituto Marbel Blanco, de Buenos Aires, onde estudou durante três anos técnicas tradicionais reconhecidas mundialmente, como Zhostovo e Khokhloma, da Rússia; Folk americano; Floral Francês; e Bauernmalerei, de origem alemã, entre outras. Além disso, atua com diversas formas de expressão artística, como cerâmica, pintura em porcelana, pintura em tela com óleo e acrílico, mosaico, pintura em vidro e fusing (fusão de vidro). “É difícil escolher a técnica de que mais gosto. Pinto em qualquer substrato”, resume.

 

Obra de destaque

Entre os trabalhos mais marcantes da carreira, Carmen destaca o mosaico de São Miguel, localizado em frente à Igreja Matriz, em Dois Irmãos. “O projeto foi proporcionado pela arquiteta Áurea Rapaki. Sou muito grata a ela”, afirma, emocionada.

Sobre o reconhecimento artístico, Carmen acredita que os artistas têm conquistado mais espaço. “Hoje em dia, o artista tem suas obras reconhecidas. Em termos de valorização, acho muito relativo. Quando alguém deseja muito uma obra e entende seu valor, acaba comprando”, observa.

Ela também comenta sobre a diferença de valores praticados na região em comparação com grandes centros. “Uma porcelana pintada à mão, aqui, custa cerca de R$ 150. A mesma peça, em São Paulo, pode chegar a R$ 400”, exemplifica.

 

Aprendizado contínuo

Durante sua formação, Carmen costumava produzir releituras de obras para compreender melhor diferentes técnicas artísticas. “Quando estudávamos um artista novo, eu fazia pelo menos duas releituras para entender a técnica. Hoje isso me ajuda muito na hora de escolher qual técnica utilizar”, explica.

Ela também relembra com carinho os tempos de faculdade na Feevale, onde cursou Artes Plásticas. “Eu amava as aulas de História da Arte mais do que qualquer outra matéria. Eram muitas viagens no tempo, muitas descobertas de coisas às quais hoje ninguém dá importância. Eu me imaginava vivendo naquela época. Era fascinante. E assim as portas se abrem para poder empreender”, comenta.

Para quem deseja seguir o caminho da arte, Carmen deixa um conselho: “Tem que vir do coração. Qualquer escolha nos leva a abrir um mundo novo.”

 

(Fotos: Divulgação)


Alguns de seus trabalhos de pintura em porcelana


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