DIU: Um método seguro, eficaz e reversível

16/06/2025
Na imagem, o DIU de cobre. Os DIUs hormonais são iguais, apenas com diferença de cor para branco

Na imagem, o DIU de cobre. Os DIUs hormonais são iguais, apenas com diferença de cor para branco

O Dispositivo Intrauterino, mais conhecido como DIU, é um método contraceptivo que vem ganhando cada vez mais espaço entre as mulheres que buscam praticidade, segurança e eficácia na prevenção da gravidez. Mesmo sendo um método altamente eficiente, ele ainda é cercado de tabus, dúvidas e receios.

Para esclarecer esses pontos, conversamos com a ginecologista Maristane Cortes de Mattos Strada, que também é Coordenadora dos Programas da Atenção Primária da Secretaria da Saúde de Dois Irmãos e atua na área há mais de três décadas. “O DIU é um método contraceptivo de longa duração, seguro, eficaz e reversível. Ele é inserido dentro da cavidade uterina e tem como principal função evitar a gravidez”, explica a médica.

Ela reforça que o dispositivo age de diferentes formas. “Ele atua tornando o muco cervical mais espesso, dificultando a passagem dos espermatozoides, altera o endométrio, camada interna do útero, tornando-o impróprio para a implantação do óvulo. Além disso, gera um processo inflamatório local, que dificulta tanto a movimentação dos espermatozoides quanto a fecundação”, explica.

No Brasil, existem dois tipos principais de DIU: o não hormonal e o hormonal. A Dra. Maristane explica que o DIU de cobre, que pode ter também prata em sua composição, não possui hormônios. Já o DIU hormonal libera uma pequena quantidade de levonorgestrel, que é um tipo de progesterona. “O DIU hormonal, além de impedir a gravidez, traz alguns benefícios extras, como a diminuição do fluxo menstrual, redução das cólicas e, em muitos casos, até a suspensão total da menstruação”, pontua.

A respeito da faixa de valores, o DIU de cobre – que é o DIU não hormonal – junto da inserção é disponibilizado de forma gratuita pelo SUS. De acordo com o secretário da Saúde de Dois Irmãos, Nilton Tavares, desde o início de 2024, 44 mulheres optaram pela inserção do DIU não hormonal.  Já os DIUs hormonais, que não são disponibilizados pelo SUS, custam entre R$ 800,00 e R$ 900,00 e o custo da inserção varia de R$ 500,00 a R$ 2.500,00. Estes são valores médios, podem variar dependendo da clínica e região de compra.

Quanto a eficácia do método, Maristane explica que se compara a métodos definitivos, como a laqueadura. “O DIU é extremamente eficaz, com mais de 99% de efetividade. Ele se compara à laqueadura, mas tem a grande vantagem de ser reversível. Assim que a mulher quiser, pode retirar e, imediatamente, volta a ser fértil”, salienta.

 

E quanto à dor na colocação?

Essa é uma das maiores dúvidas entre as mulheres. A Dra. Maristane esclarece que varia de pessoa para pessoa. “Pode gerar desconforto e, em alguns casos, dor, principalmente em mulheres que nunca tiveram parto normal, já que o colo do útero é mais fechado. Mas é uma dor passageira, o procedimento é bem rápido, leva em torno de cinco a dez minutos e, na maioria dos casos, é bem suportável”. Ela acrescenta que existem formas de amenizar esse desconforto. “É possível usar analgésicos antes e depois, e, para mulheres mais ansiosas ou sensíveis, há a possibilidade de fazer com sedação leve em ambiente hospitalar, tornando o procedimento completamente indolor”, reforça.

Apesar dos inúmeros benefícios, como qualquer método, o DIU pode ter efeitos colaterais. “No caso do DIU de cobre, algumas mulheres percebem um aumento do fluxo menstrual e das cólicas, especialmente nos primeiros meses após a colocação. Já o DIU hormonal tende a diminuir o fluxo, podendo até levar à ausência total da menstruação em até 40% das mulheres”, explica. Ela ressalta que os efeitos colaterais variam muito. “Algumas mulheres podem apresentar acne, sensibilidade nos seios, dor de cabeça ou alterações de humor, mas isso não é regra. Muitas usam e não sentem absolutamente nada.”

Sobre os riscos, a médica deixa claro que eles são baixos, mas existem. “O DIU é muito seguro, mas pode acontecer a expulsão espontânea pelo útero, que é mais comum nos primeiros meses e ocorre em cerca de 5% dos casos”, comenta. Maristane diz que é importante procurar um profissional qualificado neste momento, pois somente um ginecologista é quem pode inserir o DIU. “Há risco pequeno de perfuração uterina durante o procedimento e de infecção nas primeiras semanas após a colocação. Porém, com o acompanhamento do profissional certo, a probabilidade é menor”, menciona.

Outro ponto importante é que, apesar de ser altamente eficaz na prevenção da gravidez, o DIU não protege contra Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). “Por isso, o uso de preservativo continua sendo fundamental, especialmente para quem não tem parceiro fixo ou não conhece o histórico de saúde do parceiro”, alerta.

 

Se, mesmo com o DIU, houver uma gravidez?

A Dra. Maristane responde que, embora raro, pode acontecer. “A maioria dos casos de falha está associada ao mau posicionamento do dispositivo ou à expulsão sem que a mulher perceba. Por isso, é essencial fazer acompanhamento com o ginecologista e realizar ultrassonografias periódicas para garantir que o DIU está bem posicionado”.

O tempo de duração também varia. O DIU de cobre pode durar até dez anos, enquanto o hormonal dura entre cinco e oito anos, dependendo da marca. “Depois desse período, é necessário trocar para manter a eficácia”, esclarece.

Por fim, a ginecologista reforça que o DIU é, sim, uma excelente escolha para quem busca praticidade, segurança e liberdade sem abrir mão da própria saúde. “Ele é seguro, eficaz, duradouro e totalmente reversível. Mas é muito importante que cada mulher, junto ao seu ginecologista, avalie se esse é o método mais adequado para o seu corpo, sua saúde e sua rotina. O melhor método é sempre aquele que se encaixa na vida de cada uma”, finaliza.


Dra. Maristane Strada (Foto: Divulgação)


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