Declínio cognitivo: o benefício de aprender a tocar um instrumento depois dos 40 anos

16/06/2026
Fonte: Katherine Shirley Bravo, Em El Tiempo / Foto: Pixabay

Fonte: Katherine Shirley Bravo, Em El Tiempo / Foto: Pixabay

Com o passar dos anos, o cérebro humano sofre naturalmente uma redução de volume, um processo conhecido como atrofia cerebral que pode afetar as funções executivas, a memória e a coordenação.

No entanto, estudos recentes indicam que a neuroplasticidade — a capacidade do cérebro de se reconfigurar em resposta a novas experiências — oferece uma maneira eficaz de combater essa deterioração.

Dentre as diversas atividades recomendadas para promover essa adaptabilidade, o aprendizado de um instrumento musical destaca-se como um exercício abrangente capaz de fortalecer a reserva cognitiva.

 

Fatores por trás da atrofia cerebral

A perda de tecido cerebral geralmente começa por volta dos 30 anos, afetando áreas críticas como o córtex pré-frontal, responsável pela resolução de problemas, e o hipocampo, responsável pela memória e orientação espacial.

Segundo o psicólogo cognitivo Daniel Gustavson, da Universidade do Colorado em Boulder, esse fenômeno se traduz em uma diminuição da plasticidade neuronal, perda de sinapses e menor eficácia de neurotransmissores importantes, como a dopamina e a serotonina.

Fatores genéticos e de estilo de vida também influenciam a velocidade com que essa atrofia se manifesta, podendo apresentar-se como lapsos de memória ou dificuldades de atenção.

 

O papel da aprendizagem musical na saúde neurológica

Especialistas argumentam que a “estrutura mental” gerada pela aprendizagem constante atua como uma reserva cognitiva contra danos relacionados à idade.

Aprender a tocar um instrumento é uma das atividades de maior impacto, pois exige coordenação bimanual e ativa simultaneamente várias regiões do cérebro, incluindo aquelas dedicadas à audição, à leitura musical e à motricidade fina.

Esse processo fortalece o corpo caloso, o trato de substância branca que conecta os hemisférios direito e esquerdo, facilitando melhorias na capacidade de realizar múltiplas tarefas simultaneamente e na regulação emocional.

Uma pesquisa publicada na revista ‘Frontiers in Aging Neuroscience’ corrobora essa premissa, demonstrando que adultos mais velhos que começaram a ter aulas de música apresentaram melhorias na conectividade estrutural de áreas associadas à linguagem e à memória.

 

Recomendações para estimular o cérebro em qualquer idade

Para que uma atividade seja eficaz no desenvolvimento da neuroplasticidade, ela deve apresentar um desafio constante, porém alcançável. De acordo com especialistas como a cientista cognitiva Maya Shankar e a neurologista Golnaz Yadollahikhales, a escolha da atividade deve ser baseada na motivação pessoal para garantir a consistência, o fator mais importante na consolidação de novas conexões neurais.

Seja por meio de aulas formais, tutoriais digitais ou em grupo, o valor da aprendizagem não reside em alcançar a maestria, mas sim no esforço contínuo.

— Se nosso cérebro permanecer maleável ao longo da vida, podemos moldar sua trajetória e melhorar tanto nossas experiências cotidianas quanto nosso futuro — conclui Shankar.


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