Djenifer, Danieli e Andryeli na Multitec 2025
Na escola estadual Affonso Wolf (Vale Verde), uma iniciativa liderada por três alunas do primeiro ano do ensino médio, turma 111, está promovendo reflexão, acolhimento e escuta. Como parte do projeto de pesquisa da Multitec, Djenifer Vitória Balem (15 anos), Danieli de Souza Vaz (16) e Andriely Morais Corrêa (16) instalaram uma urna anônima no banheiro feminino da escola para que outras meninas pudessem escrever sobre o que pensam e sentem em relação ao assédio.
A ideia surgiu durante as conversas sobre o projeto, intitulado “O Poder da Voz”. “Queríamos abrir um espaço onde meninas pudessem se expressar com segurança, sem medo de julgamento”, comenta Andryeli. No início, houve receio, pensaram que talvez ninguém aceitaria escrever sobre. “Achávamos que a direção não aprovaria, mas deu tudo certo e fomos bem acolhidas por todos”, relatam.
“A intenção sempre foi dar voz às meninas e criar um espaço seguro para o desabafo”, traz Djenifer. “O banheiro foi escolhido por ser um local mais reservado e frequentado apenas por alunas, o que ajudaria a tornar o ato de escrever mais confortável”, informa Danieli. “Uma das motivações foi descobrir se o assédio também ocorria dentro do próprio ambiente escolar, de forma muitas vezes silenciosa”, complementa Andryeli.
As mensagens recebidas foram lidas com cuidado e seguem em anonimato. “Algumas revelaram experiências difíceis. Outras deixaram palavras de apoio”, dizem as estudantes. O grupo pretende usar o conteúdo para promover conversas internas, debates e rodas de apoio. Mais do que um trabalho escolar, a ação se tornou um canal de acolhimento real.
Ampliar o espaço de escuta
Embora o foco tenha sido as meninas, por estatísticas e experiências que mostram que elas são as maiores vítimas, o grupo reconhece que meninos também sofrem assédio e que ações futuras podem ampliar esse espaço de escuta. “Nosso trabalho foi voltado às meninas, mas isso não quer dizer que os meninos não sofram ou não tenham voz”, afirma Djenifer.
As três jovens acreditam que esse tipo de iniciativa pode ajudar a transformar o ambiente escolar em um espaço mais seguro, acolhedor e respeitoso. “Mesmo que alguns colegas façam piadas ou não levem o assunto a sério, sabemos que essa conversa precisa acontecer. Só assim alguma mudança pode surgir”, diz Danieli.
As estudantes prepararam, além disso, mensagens que resumem o espírito do projeto para ajudar quem já sofreu ou sofre algum tipo de assédio. “Você tem voz. Denuncie, conte para alguém. Não guarde para si o que pode te machucar”, escreve Andryeli. “Você não está sozinha. Acredite na sua força”, reforça Danieli. “Não se esconda pois a sua voz abre caminhos”, finaliza Djenifer.