Memórias do rock em Dois Irmãos

27/06/2025
The Ticks (Fotos: Divulgação)

The Ticks (Fotos: Divulgação)

Com o advento da internet e dos jogos online, somado ao impacto da pandemia, que afastou as pessoas do convívio social, Dois Irmãos aos poucos foi perdendo a efervescência de sua cena musical.

Ao longo dos anos, diversas bandas marcaram presença nos palcos locais. Entre elas, Ordinários, Pulsatrix, Empire of Darkness, Mary Jane e tantas outras, contribuindo para a diversidade sonora que caracterizou a produção artística do município. Bandas com estilos distintos – rock, punk, heavy metal –, mas com a mesma energia e vontade de fazer arte.

Festivais como The Best of Metal, Festival Independente de Rock, entre outros eventos culturais, como Boate Express, bar Távola e Bodega, consolidaram esse cenário, tornando-se marcos importantes na história da música local e regional.

No entanto, como acontece com qualquer movimento artístico, o tempo impõe sua própria dinâmica, e muitos desses nomes acabam sendo esquecidos, mesmo após períodos de grande relevância e reconhecimento.

Ainda assim, as trajetórias desses músicos merecem ser preservadas e compartilhadas. Mais do que simples lembranças, essas histórias integram um patrimônio imaterial profundamente enraizado na cultura de Dois Irmãos. Através da música, registrada em CDs, fitas cassete ou arquivos em mp3, mantém-se viva a memória de uma arte que acompanha e transforma nossas vidas.

O Jornal Dois Irmãos resgatou algumas dessas histórias, trazendo aos leitores lembranças e recordações que outrora fizeram parte da cultura do município.

 

Marcando os anos 2000 com The Ticks

Há 25 anos surgia a banda The Ticks, fundada por Cristiano Rossi, 46 anos, e cofundada por seu primo, Rodrigo Góss, falecido em outubro de 2021, aos 44 anos. O projeto, que surgiu quase por acaso, durou 10 anos, e teve como sua maior inspiração a então dupla dois-irmonense Débora Lehnen e Patrícia Braun.

“Elas nos mostraram que era possível tocar sem a maior produção do mundo. Elas eram únicas, e só isso importava”, lembra Cristiano. Ele conta que um dia estavam no antigo Távola, bar no bairro Primavera, e as meninas estavam se apresentando. No intervalo de 15 minutos, ofereceram a oportunidade para outra pessoa tocar, e Cristiano não perdeu a chance. “Eu logo levantei a mão, e meu primo, muito nervoso, concordou em me acompanhar. Ali nascia mais uma dupla, que posteriormente se transformaria na The Ticks”, relembra.

Cristiano carrega a música como parte essencial de sua história. Desde os 8 anos, com um violão nas mãos, até os palcos com a banda The Ticks, sua trajetória foi marcada por paixão e autenticidade. “Hoje vejo que a música sempre esteve em mim, mas foi a partir da adolescência que decidi levá-la a sério”, compartilha.

A banda, que começou como um duo, passou por diversas formações, até que evoluiu a três integrantes, que contava com a participação de Cristiano Rossi (vocal, violão e guitarra), Rodrigo Góss (vocal e contrabaixo) e Renan Kaeffer (vocal e bateria). “É engraçado, porque o Renan entrou como baterista para um projeto e acabou ficando até o fim”, relembra Cristiano. Segundo ele, por muito tempo, tiveram apenas três membros, mas a banda se consolidou em cinco integrantes com as entradas de Maurício Roese (guitarras) e Daniel Braun (teclados). “Essa foi a formação final do The Ticks”, conclui.

 

The Ticks e The Beatles

Misturando no seu repertório releituras de bandas de rock clássico e composições autorais, como “Até o fim da certeza”, “Toma Jeito” e “Matinal”, The Ticks certamente consolidou sua época com paixão.

Cristiano conta que o nome The Ticks foi decidido em homenagem à famosa banda inglesa dos anos 60, The Beatles, em um trocadilho com beat, batida em inglês, e beetle, besouro. “Assim como eles, fizemos um trocadilho com tick, que pode ser tanto um sinônimo para carrapato em inglês como para marcação de tempo da bateria”, conta, bem humorado. “Era um pouco bobo, mas éramos adolescentes na época, o importante era se divertir”, define.

Cristiano recorda que a banda se apresentava em muitos bares da região e cada show era um agito. Um dos pontos altos da carreira da The Ticks foi abrir para a banda Graforreia Xilarmônica, da qual eram fãs. “Frank Jorge, o vocalista, subiu ao palco para cantar conosco. Foi mágico, não era só um ótimo vocalista, como também meu ídolo”, salienta.

Cristiano, que trabalha como designer, deixou a música como um sonho possível, por ora. E apesar do sucesso que a The Tricks teve na época, reconhece que o alcance poderia ter sido muito maior, caso existisse mais incentivo e projetos na área musical. “Fico pensando o quão longe poderíamos ter ido se tivessem outros projetos musicais naquela época”, comente. “Claro, fico muito grato pela visibilidade que conseguimos, mas se ao menos algum órgão, iniciativa ou departamento estivesse atuando na área, o objetivo seria outro”, enfatiza.

Cristiano, além da The Ticks, foi músico da também extinta Caveira Barbuda. Já Renan, apesar de não ser músico em tempo integral, continua na área e toca em duas bandas: Rocktage e The Troit.

Nos altos e baixos, The Ticks permaneceu firme e forte, evidenciando o fato de que música é paixão, é fogo, é arte. Afinal, como bem coloca Cristiano, a música é uma nova linguagem para a alma. “Boa música é boa cultura, e boa cultura significa uma boa sociedade”, finaliza ele.


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