Como a família Wittmann contribuiu para o município que temos hoje

02/10/2021
José Luiz e Nelsi Wittmann

José Luiz e Nelsi Wittmann

Os Wittmann são conhecidos atualmente pelos loteamentos na cidade de Dois Irmãos. Mas, antes dos loteamentos, a história dessa família começa com José Luiz Wittmann e sua esposa, Nelsi Schneider Wittmann, e uma criação de pintinhos em Picada Café.

Enquanto conta a história da sua vida com detalhes, José Luiz Wittmann conta também parte da história do município de Dois Irmãos. Com 87 anos, oito filhos e oito netos, ele demonstra um vigor que supera sua idade e dona Nelsi traz uma doçura no olhar ao contar sobre os eventos ocorridos.

José Luiz nasceu em Picada Café. Estudou para ser padre por um tempo, mas depois desistiu da ideia, mas sempre quis que os filhos estudassem mais do que ele e investiu na sua educação. Porém, explica: “Tudo que eu fiz na vida para ganhar dinheiro eu não aprendi na escola, foi por conta própria, sendo pioneiro”.

 

Os aviários

Quando decidiu criar pintinhos para comercialização, José Luiz precisava comprar terras para viabilizar a ideia. Era necessária uma separação de 800 metros entre os núcleos, e por isso ele precisava comprar um grande espaço em boas condições. Ele lembra que havia uma terra boa à venda em Dois Irmãos, atualmente nos fundos da Casa da Vovó, mas tinham quatro interessados: Os Rossi, as freiras, os padres jesuítas e os Wendling. “Um dos motivos que eles optaram por mim é porque eu ia transformar isso em uma área econômica rural”, comenta.

Quando comprou a terra, ele começou a importar galinhas e galos dos Estados Unidos para ter uma qualidade diferenciada em sua criação. Naquela época, não havia celular nem internet. Para ter acesso a um telefone, ele tinha que sair de Picada Café, pegar o carro, fazer uma lista de ligação e ir até a telefônica. Às vezes, José Luiz ficava uma manhã inteira sentado na telefônica esperando as ligações. Para efetuar a compra, ele tinha que pegar um avião para São Paulo e depois voltar para Picada Café. Ele sempre se importou muito com a higiene e prevenção de contaminação entre os núcleos. Se um caminhão de ração entrasse na propriedade, a cada núcleo ele tinha que limpar os pneus, os funcionários tinham que tomar banho, trocar de roupa e passar os pés no pedilúvio (um tapete sanitizante) para chegar ao galinheiro. Cada núcleo tinha o seu morador que trabalhava lá.

A produção iniciou com 4 mil pintinhos por mês e os colonos compravam porque naquela época todos queriam criar suas galinhas.  “Começou a ter mais consumidores e eu triplicava a produção por ano. Eu produzi 550 mil pintos por mês no auge e vendia 100 mil pintos por mês para a Sadia em Chapecó”, relembra ele.

 

Grandes investimentos

Para ter uma noção da importância do empreendimento, foi feita uma ampliação da subestação em São Leopoldo, e os maiores consumidores de energia da cidade tinham que ajudar no investimento – na época os maiores consumidores eram quatro fábricas de sapatos e a granja dos Wittmann. A granja fazia diferença e dava retorno em impostos e renda para Dois Irmãos.

Para manter a granja, eles precisaram abrir estradas, fazer ruas, comprar retroescavadeira, trator e mais terras para ter espaço adequado para criar as galinhas. Mais tarde, outros grandes produtores começaram a criar pintinhos e o sistema integrado de criação de aves começou a se popularizar. “Então eu disse para a minha mulher, esse é o nosso fim. Com o sistema de criadores integrados, ele não conseguia competir com eles, pois os funcionários das granjas eram todos registrados”, conta José Luiz.

 

Os loteamentos

Como os Wittmann já tinham as máquinas e retroescavadeiras por causa do galinheiro, eles decidiram migrar para a construção civil. À medida que o espaço que tinha para criar as aves foi reduzindo, a família foi criando loteamentos. Eles contam que quando fizeram o loteamento do Vale Verde, o bairro era longe da cidade, não existiam a avenida e a Escola Estadual Affonso Wolf, nem supermercado. Para que o Vale Verde tivesse vida própria, eles decidiram abrir um mercado que existe até hoje. Nelsi ficou responsável pelo negócio até que ficasse economicamente viável e conseguissem vender para alguém do ramo.

Os Wittmann também construíram uma ponte para acesso ao Centro e a área da escola foi doada, bem no centro do loteamento. “A gente é obrigado a ceder uma área institucional e geralmente se dá os cantos do loteamento, mas neste caso optamos por dar o melhor lugar do loteamento e funcionou, é um bom colégio”, diz o filho Raul Wittmann. “A cidade cresce mais organizada via loteamento, porque o Estado já exige as coisas principais. De cada loteamento que se faz, no mínimo 35% da área vai para o município, ou seja, precisa doar uma parte para área verde e recreação, área institucional e ruas”, acrescenta.

A igreja do Vale Verde também está sobre um terreno doado pelos Wittmann – os outros foram adquiridos pela comunidade, e a condição para a doação era que o projeto também fosse fornecido pela Wittmann. A ideia de José Luiz, que é um homem religioso, é que mesmo sendo uma igreja pequena, todos conseguissem assistir à missa em dias de feriado, nos quais a igreja ficava lotada. Então ele pediu para a arquiteta Carmem Silveira que projetasse uma igreja com um pátio grande e que, ao se abrir as portas, de qualquer lugar do pátio, fosse possível enxergar o padre e acompanhar a missa.

Outro empreendimento da família, que é relevante para a parte de turismo e entretenimento, é o Lago Wittmann. Ele tem a dimensão do Lago Negro em Gramado e atrações como pedalinhos em forma de cisne, uma tirolesa sobre o lago, camping e passeios a cavalo. A área do lago ainda pertence aos Wittmann, mas atualmente está arrendada para terceiros.

 

Casa da Vovó

Outro ponto turístico da cidade criado pela família é a Casa da Vovó. A esposa de José Luiz conta, sorrindo: “Eles se admiram muito quando eu digo que eu sou a vovó.” A Casa da Vovó começou como um local onde eles vendiam ovos trincados da granja e galinhas que não estavam mais produzindo ovos.

Com o passar do tempo, Nelsi começou a fazer schmier, pães, cucas, sonhos e sopa no pão. As receitas da massa do sonho e da sopa no pão fizeram tanto sucesso que continuam sendo as mesmas até hoje, mesmo que o restaurante atualmente esteja arrendado para terceiros. “A Casa da Vovó leva o nome de Dois Irmãos para fora do município, é muito reconhecida”, destaca Raul. 

As construções feitas pela família mudaram a estrutura da cidade e colaboraram para o desenvolvimento do município. Eles conseguiram se recuperar de uma crise no setor aviário, transformando isso em uma oportunidade de sucesso e, com isso impactando positivamente a vida dos moradores.


Casa da Vovó é um dos locais mais conhecidos de Dois Irmãos (Foto: Octacílio Freitas Dias)


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