Fonte: ACI-NH/CB/EV/DI/IV – Fotos: Divulgação
A NR-01 não é algo novo na legislação trabalhista brasileira, tampouco é uma questão de recursos humanos ou de saúde e segurança do trabalho. É uma questão de gestão de negócios. Essa foi a ênfase dada pelos palestrantes do Conecta Regionais: Dois Irmãos que a ACI promoveu na última sexta-feira (3), no Centro de Eventos do Klein Ville Hotel.
Durante cerca de duas horas, a advogada Solange Neves, CEO do escritório SNA Advogados, e Gerson Luís da Silva, consultor estratégico e de gestão, detalharam a norma e deram orientações aos 50 participantes da atividade, que foi aberta pela persidente Regional, Ronise Puhl de Morais, e teve moderação de Andressa de Oliveira Keller, diretora financeira e de marketing da WR Inox e integrante Comitê Regional Dois Irmãos da ACI.
Conforme Solange, a NR-1, criada pela Portaria MTb nº 3.214/1978, estabelece as diretrizes gerais de segurança e saúde no trabalho no Brasil. Desde maio de 2026, a norma exige que as empresas incluam os riscos psicossociais (como estresse, assédio e sobrecarga) no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) para garantir o bem-estar mental dos colaboradores.
O sucesso da implementação da mudança na NR-1 está na comunicação e cabe à liderança papel importante no relacionamento com a equipe, fazendo cumprir o que está pactuado no contrato de trabalho, dando feedback e ouvindo as demandas dos colaboradores. “A organização das funções, através de uma planilha, por exemplo é importante para que todos saibam o que devem fazer, os resultados sejam positivos e evitem-se casos de assédio moral na empresa”, explicou.
Gerson da Silva chamou a atenção dos participantes para o que define como ‘armadilhas’ às empresas, como achar que a NR-01 diz respeito ao RH, que comprar sistemas resolve a questão e que realizar pesquisa de clima assegura a saúde mental da equipe. “É preciso gerar evidências e ter tudo documentado sobre cada ato relacionado à NR-01, como treinamento ou capacitação”, disse. O consultor também enfatizou que a desorganização da empresa nesse sentido tem potencial de fazer surgir demanda ou crise reputacional.
Código e conduta e caixa de transparência
Destacando a importância da comunicação no ambiente corporativo, Solange disse que a criação ou a revisão do código de conduta e a manutenção de um canal de denúncia transparente e inviolável reduz o risco de a empresa sofrer autuação do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Também sugeriu às empresas olhar para dentro dos seus ambientes para identificar possíveis fatores que colocam os colaboradores e a operação em risco.
Silva enfatizou que a Semana Interna de Prevenção de Acidentes de Trabalho (SIPAT), além dos fatores técnicos relacionados ao trabalho, deve incluir informações sobre gestão de finanças pessoais, por exemplo, e dar dicas para evitar o endividamento dos colaboradores e, assim, evitar possíveis impactos no trabalho.
A advogada salientou que liderança é referência, por isso, além de ter conhecimento técnico sobre as funções de seus liderados, o líder preciso saber ouvir os colaboradores em relação às suas sugestões e fatores emocionais que possam impactar a produtividade.
Dicas às empresas
Conforme Gerson Luís da Silva, empresas de todos os portes e segmentos têm que incluir os riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos e ter bem-definida uma série de perguntas e respostas sobre a NR-01, como, por exemplo, de que forma é feito o desenvolvimento da liderança e os principais indicadores de RH. O consultor destacou que a responsabilidade da empresa as estende aos seus fornecedores e que investimentos em capacitação geram valor e evitam potenciais efeitos jurídicos futuros.
O especialista ainda disse que a capacitação também qualifica os profissionais para o atendimento às demandas dos clientes, que querem ser atendidos com rapidez cada vez maior.
