EXPRESSÃO E CRIATIVIDADE

11/03/2026
Primeira tela de Inês, a casa dos pais (Fotos: Divulgação)

Primeira tela de Inês, a casa dos pais (Fotos: Divulgação)

Inês Cegolini Togni descobriu ainda menina que a arte faria parte da sua vida. Aos 12 anos, já se encantava por qualquer manifestação artística, do palco às palavras, das rimas às paisagens desenhadas no quadro negro por uma professora estagiária. “Nelas eu entrava, imaginando os cenários comigo”, recorda.

A arte estava na família, e ela carrega memórias afetivas. “Meu pai, minha mãe, meus irmãos e irmãs incentivavam o canto e meu pai fazia para nós bonecos de cera na palma da mão. São lembranças boas, sentimentos, beleza, liberdade”, relembra.

Foi na aposentadoria do magistério, em 2005, que ela finalmente se permitiu responder ao chamado que insistia desde a infância. “Percebi que eu estava muito ativa, inspirada, sonhadora”, afirma.

Sua primeira obra começou carregando o amor familiar ainda num curso. “A primeira tela que eu pintei foi a casa dos meus pais, em que cresci. Uma casa linda, estilo italiano. Pintei várias vezes para a família, a pedido deles. Eu pintei para mim inicialmente e ‘me senti’, como se diria numa linguagem figurativa”, comenta ela.

A comercialização das obras começou cedo. “Ainda em 2005 vendi várias telas, mas sinceramente não lembro o ano exato em que vendi a primeira. Acho que eu não acreditava que faria da pintura algo tão especial”, revela.

A inspiração, para ela, está na natureza. “Cresci no meio dela, verde, cascata e arroios de águas límpidas, açudes, matos, perfumes naturais de flores e folhas, cantos que aconteciam na nossa família toda. Retiro a beleza dos pequenos detalhes de tudo, de coisas que poucos percebem como, por exemplo, imperfeições de uma parede antiga, de desenhos que se formam em folhas caídas e coloridas”, conta.

Para Inês, a arte é a melhor expressão possível. “A arte em si, que é a forma de beleza que vem da alma e está lá quando nenhuma outra forma consegue mostrar ou realizar. Acredito que ninguém faz arte pensando em enriquecer ou se eternizar, já que poucos adquirem e as exposições não retribuem economicamente”, comenta.

Apesar do amor, ela fala sobre a realidade. “A arte custa caro para ser realizada, ocupa muito tempo do artista, exige espaço para armazenagem, muitos precisam de cursos para atualização e o material nem sempre é encontrado perto dos ateliês. A divulgação é caríssima e surte pouco efeito”, conta.

A produção de quadros corresponde ao espaço e a troca de hobbies. “Eu produzo a quantia conforme meu ateliê comporta. Preciso dar uma travada e me dedicar a outras atividades como bijuterias, caminhadas, passeios, leitura e escrita. Com certeza, se não houver uma exigência específica, poderia produzir três por semana ou mais. Gosto mesmo de criar com liberdade”, enfatiza.

A artista já levou sua arte a várias exposições, inclusive Paris, Portugal, São Paulo e virtualmente ao Rio de Janeiro. “Participei de exposições em Gramado, Lajeado, Nova Bréscia, que é minha terra natal, e cidades vizinhas de nossa doce cidade. Em Dois Irmãos, porém, tive as mais significativas exposições no Espaço Cultural da Antiga Matriz”, orgulha-se.

Hoje, a pintora tem quadros em andamento e abraça uma nova técnica. “Sempre tenho quadros em produção. Os mais desafiadores são da linha Mix, um estilo muito específico que eu resolvi fazer, em que numa mesma tela muitos elementos são sobrepostos, encaixados formando um verdadeiro mix de elementos, como se parecesse um baú no qual se coloca tudo o que a imaginação permitir”, informa.

Alguns dizem que arte não se ensina, mas para ela, pode ser desenvolvida. “Gostaria de acrescentar que a pintura é uma arte muito especial, atemporal e que de uma forma ou outra permanecerá para sempre, mesmo que a geração atual não atribua a ela o valor que ela tem. Nem tudo é arte aquilo que chamamos de arte, mas com certeza há muitos talentos que não têm oportunidades tanto nas artes plásticas, no desenho, na música, na dança, na escrita ou em outras áreas”, finaliza.


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