(Fotos: Divulgação)
Uma moradora procurou a redação do JDI na última semana para questionar sobre uma remoção de gatos comunitários ocorrida no dia 11 de junho, na Rua Rogério Engelmann, no bairro Beira Rio, próximo à Escola Municipal de Educação Infantil Clarice Arandt. A principal reclamação é quanto à falta de informação do local para onde os bichanos foram levados.
De acordo com ela, os animais viviam nos arredores da mata e eram monitorados, castrados e alimentados por protetores locais.
– Os agentes da Vigilância afirmaram que os animais seriam levados para um local seguro e estruturado, mas dias após o recolhimento um dos gatos capturados conseguiu retornar sozinho ao local de origem, provando que eles não foram abrigados em um ambiente seguro e fechado. O município não dispõe de um gatil municipal ou de um local público estruturado para acolhimento desses animais. Até o momento, as autoridades não esclareceram para onde os gatos foram levados ou em quais condições se encontram – comenta.
Segundo a moradora, a prefeitura alegou que a retirada ocorreu devido à presença de outros animais na região e à proximidade com a escola.
– No entanto, os protetores ressaltam que os felinos eram saudáveis, castrados e que a alimentação fornecida era controlada, não justificando uma remoção arbitrária que quebra o vínculo do animal comunitário com seu habitat – afirma ela, acrescentando que eles teriam sido levados para a Usina de Reciclagem e não a um abrigo adequado, como em outros casos, e que a situação foi informada ao Ministério Público.
– Só queremos os gatos saudáveis e o bem dos bichos, não precisam colocar de volta aqui na rua – conclui.
O que diz a prefeitura
A prefeitura informou que adotou medidas sanitárias para garantir a segurança das crianças na EMEI Clarice Arandt. Leia a seguir a resposta encaminhada ao JDI:
“A Prefeitura de Dois Irmãos, por meio das Secretarias de Saúde, Educação, Planejamento e Sustentabilidade, através do Meio Ambiente, e Serviços Públicos e Infraestrutura, informa que, no dia 11 de junho, começaram o remanejo de oito felinos comunitários que viviam em área localizada em frente à EMEI Professora Clarice Arandt, no Bairro Beira Rio, pela Vigilância em Saúde.
A medida foi adotada após vistorias técnicas que constataram risco sanitário às crianças, servidores e à comunidade escolar, em razão da presença diária dos animais no pátio da escola, com registro de fezes em áreas de recreação. A situação também comprometia o uso da horta escolar e atraía animais silvestres, como quatis, gambás, ouriços, lagartos e graxains, que se tem registro de ocorrência naquele local, ampliando os riscos à fauna local.
A ação é pautada na legislação vigente (Lei Federal nº 13.426/2017 e no ECA), que garantem tanto o bem-estar animal quanto a proteção integral das crianças em ambiente escolar.
A transferência dos felinos passa pela supervisão técnica de profissional veterinária especialmente contratada para a atividade, a qual faz toda a avaliação sanitária, bem como o acompanhamento necessário quanto a microchipagem e a castração.
Durante essa avaliação, foi identificado que um dos felinos estava com esporotricose, uma zoonose que pode ser transmitida às pessoas. O animal está sendo tratado de forma isolada em residência temporária, com acompanhamento veterinário específico, garantindo tanto sua recuperação quanto a segurança das pessoas em contato com os demais animais.
Em razão da constatação dessa zoonose, o terreno onde os felinos viviam está passando por processo de limpeza e higienização, como medida preventiva adicional para resguardar a saúde da comunidade escolar, dos moradores da região e dos animais silvestres.
Cabe ressaltar que toda a ação está sendo conduzida com a ciência do Ministério Público e o acolhimento dos animais foi feito por uma instituição do município, os quais prontamente se dispuseram a acolhê-los e alimentá-los.”