Está vivo. E bem. Mas enfartou!

03/09/2026
Por Alan Caldas (Editor)

Por Alan Caldas (Editor)

Na segunda-feira, 31, Afonso Bastian estava voltando de reunião em Novo Hamburgo. Eram 3 da tarde e chovia forte. O trânsito era intenso na subida da BR-116 e Afonso vinha sozinho quando, de repente, assim do nada ele começou a sentir uma forte dor na linha do estômago. A dor rapidamente ficou maior e subiu, se espalhando pela região do peito e braço. Uma dor de “pressão”.

Ao mesmo tempo, ele começou a sentir calor. Um calor enorme. Estava frio naquele dia e ele estava com bastante roupa. Pensou em tirar o casaco, enquanto dirigia. Mas era carro indo e vindo, todos na subida da pedreira, antes de Ivoti, e ele achou melhor ir em frente.

O calor seguia esquentando ele e o suor começou a correr pela testa. Ele parou no trevo de acesso a Ivoti e encostou o veículo naquele recuo que tem ali. Tirou o casaco e tirou uma blusa de manga comprida que vestia. Ficou só com a camiseta, mas o calor não passava e aquela dor, tinhosa, em forma de pressão continuava oprimindo o peito.

Afonso arrancou a camionete e seguiu. Entrou pelo Travessão e quando estava perto do Travessão Rübenich lembrou de um amigo nosso, o Carlão. O Carlão andava sentindo coisa semelhante e, dias depois, caiu morto.

Quando lembrou disso, a pressão do Afonso foi lá em cima, porque ele concluiu:

– Estou tendo um enfarte!

Parou o veículo e ligou para o médico Thiago Serafim, seu amigo e Diretor Clínico do Hospital São José. Relatou o fato e o médico imediatamente viu o quadro e disse:

– Vem já para cá. Vou deixar tudo pronto.

Afonso estacionou na emergência do hospital e foi baixado. Fizeram exames iniciais, mas não se concluía o que estava ocorrendo com ele. Fizeram outros exames. Nada. Para tirar a dúvida, mais uma bateria e, então, veio o diagnóstico: estava enfartando!

Afonso ficou baixado no hospital, onde aguarda para o exame de cateterismo, que é em Novo Hamburgo, e após esse exame a possibilidade de cirurgia e colocação de suportes nas coronárias. Está bem. E estabilizado. Mas precisa seguir no hospital.

 

Hoje pela manhã o visitei e entre preocupações, lembranças e risos, recordamos os excessos de atividades dele. É secretário da Fazenda, mas acumula também a secretaria de Administração. Ajuda no Clube Vila Rosa. Cuida da “Cinquentão”, que é um grupo de jogadores. Atua na igreja que frequenta. E, acima de tudo e pior que tudo, ele ainda tem a política, que o absorve com todos os problemas que a política atual causa nas pessoas.

 

Afonso está com 63 anos de idade. Presta grande serviços à cidade e sociedade. Mas lembrei a ele que tudo que fizemos nada significará quando morrermos. Seremos enterrados em menos de 24 horas, que é o costume aqui desta cidade, e dois ou três dias depois os sobreviventes a nós não lembrarão quem fomos nem o que fizemos, e inclusive farão de tudo para apagar da memória quem fomos, para que eles, sobreviventes, possam aparecer na cena.

“Foi assim com todos que eu e você conhecemos, Afonso”, eu disse a ele. E lembramos de tantos que eram tudo e ajudaram tanto e que, logo após a morte, passaram a ser tidos e havidos como “ninguém”.

 

Rimos muito e lembramos muito dessa vida tão intensa que vivemos. E, na saída, eu disse:

– Vamos fazer uma selfie? Aí posso escrever que te visitei no leito de morte . . .

 

Caímos na risada. Abracei o Afonso, que tenho como irmão desde que ele chegando em Dois Irmãos começou a trabalhar conosco. E desejei pronto restabelecimento a ele, que é uma pessoa rara e uma grande, senão a maior, alma guerreira que vive entre nós aqui em Dois Irmãos.


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Poesia e arte no céu de Dois Irmãos (Foto: Pitter Ellwanger)

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