Quilling: a arte que transforma o papel

08/06/2026
Denise Dick e alguns de seus trabalhos (Fotos: Divulgação)

Denise Dick e alguns de seus trabalhos (Fotos: Divulgação)

Surgida há séculos, o Quilling é uma técnica artística artesanal que utiliza tiras de papel enroladas, moldadas e coladas para criar desenhos decorativos. Essa arte é aplicada na confecção de cartões, quadros, lembranças e peças decorativas. O Quilling destaca-se pela criatividade, precisão e pelo aproveitamento de materiais simples e, muitas vezes, sustentáveis e acessíveis.

Natural de Santa Catarina, Denise Dick, formada em Design Industrial, se tornou um importante nome para a arte Quilling no Brasil. Hoje, ela mora em Dois Irmãos e trabalha de casa, produzindo obras de arte, lecionando a técnica em seus cursos, levando o Quilling ao público e agregando mais destaque e valor.

Artista desde a infância, Denise teve o primeiro contato com a técnica em 2012, quando estava grávida do primeiro filho. À época, pouquíssimo material didático estava disponível na internet, inclusive dificilmente em português.

Uma imagem no aplicativo de arte “Pinterest” a motivou a criar seu primeiro quadro “Porta Maternidade”, que no futuro inauguraria sua identidade e marca. Inspirada principalmente pela natureza, seu negócio leva o nome de “Petrichor”, substantivo que nomeia o cheiro de chuva em terra seca.

Denise destaca que existem vários estilos dentro dessa técnica. “A técnica é baseada na filigrana, que solda fios de ouro ou prata para a criação de joias e outros, mas o Quilling foi evoluindo e trazendo novas propostas. O meu estilo é mais contemporâneo, ou seja, utilizo mais o contorno e fundo pintado com aquarela”, explica.

 

JORNADA NO COMÉRCIO

Foi em 2014 que Denise abriu seu Ateliê, motivada pelo marido, Diego Mesquita, e já com experiência em venda de materiais artesanais. “Na época viemos morar em Dois Irmãos, então abri o CNPJ e pude me dedicar e investir totalmente na arte”, relembra.

Antes de se aprofundar na técnica, ela também trabalhava com outros projetos. “Eu sempre soube que viveria de arte, porém não era somente o Quilling que eu fazia, era também pintura em cerâmica e madeira, e estamparia manual, mas conforme o tempo passava as pessoas tinham um interesse especial no Quilling, então me dediquei somente a isso”, comenta.

As vendas, segundo ela, cresceram aproximadamente um ano e meio após o começo. “No final de 2015 foi quando eu percebi que podia me manter com as encomendas, pois antes era mais esporádico. O que me marcou, e marca para todo o artista, é ter seu trabalho comprado por alguém de fora, e isso aconteceu nessa época”, recorda.

Denise traz uma perspectiva realista sobre a comercialização da suas peças. “Existem altos e baixos para o pessoal da arte: a partir de julho até dezembro é a alta, com muitas datas especiais. Já no início do ano, por janeiro e fevereiro é mais parado, então se deve ter uma leitura e organização”, enfatiza.

 

PERTENCIMENTO E TÉCNICA

Sua primeira arte Quilling, simbólica e significativa, abriu portas para o interesse em se aprimorar. “Foram aproximadamente dois anos para encontrar o material certo; foi uma busca incessante atrás do melhor papel para trabalhar, porque ele não poderia desbotar, e na internet não se tinha especificações do que usar”, explica

Após a busca, a técnica foi facilmente adaptada. “Depois de entender mais detalhes sobre o papel, como por exemplo, o interior, eu pude rebobinar a técnica e modelar corretamente, inclusive aumentando os milímetros para ter fundo na obra”, relata.

Hoje em dia, ela cria diversos tipos de obras. “A minha base foi o Porta Maternidade, porque foi por onde eu comecei e cresci, porém atendo muitos pedidos de pets. Além disso, faço artes sacras, que foi um grande pedido das minhas alunas; paisagens e natureza, que é o que eu mais gosto artisticamente”, comenta Denise.

O tempo para criar é relativo. “Uma obra simples leva em média duas horas, mas já fiz outras que demoraram quatro horas, até contabilizei oito horas em uma que não tinha muita prática. Caso seja algo que eu nunca tenha feito, também vou ter um tempo para analisar”, conta.

A gratificação, para ela, supera os esforços. “Eu tenho uma questão bem pessoal, de terminar e olhar aquilo que eu fiz, e ver que além de mim, outras pessoas acham lindo e se perguntam ‘como é possível transformar papel nisso’. E ver minhas alunas ter essa sensação de encantamento com o que criaram, isso é maravilhoso”, se orgulha a artista.

 

SUSTENTABILIDADE

Diferente de outras técnicas e estilos, o Quilling pode ser um meio de arte sustentável, devido à utilização de papel, que é reciclável e biodegradável. “Algo positivo é que as sobras de corte do papel podem ser reutilizadas, tanto que tenho um potinho com esses restos. Além disso, é super acessível, tanto que a moldura tem potencial de ser a peça mais cara da arte, se utilizada”, analisa.

 

MATERIAIS PARA CRIAR

O Quilling, para quem vê de fora, pode parecer utilizar somente papel, mas não é bem assim. “Além do papel, tem a utilização da cola. Também temos as ferramentas manuais, tem a de enrolar, a pinça, o agulhão e a tesoura”, conta Denise.

 

CURSOS E OPORTUNIDADES

Denise tem diversas alunas espalhadas pelo Brasil e pelo mundo, que usam da técnica tanto para venda quanto para hobby. “Tenho uma aluna aqui no Rio Grande do Sul que esteve comigo na época da pandemia. Após o curso ela conseguiu deixar o emprego de atendente e hoje vive produzindo”, relata.

Os cursos nasceram em 2017, quando Denise ainda morava em Curitiba. “Fui procurada por uma pessoa que queria muito aprender, dei duas aulas para ela de forma presencial e ela me sugeriu que montássemos uma turma; eu aceitei e assim fizemos”, recorda.

Atualmente, Denise atende de forma presencial e on-line. “Quando as aulas são presenciais, eu normalmente viajo até as cidades. Pelo fato de ter morado em São Paulo, grande parte do meu público é de lá, então eu vou até lá para dar aulas”, explica ela.

 

MÍDIA E RECONHECIMENTO

Denise já esteve em diversos veículos de comunicação, de jornais digitais até TV aberta, e para ela o reconhecimento é um sonho realizado. “Eu sempre sonhei com isso: não em ser celebridade, mas sim ter a minha arte reconhecida. Há a dúvida de ‘será que é isso tudo?’, mas ao mesmo tempo eu trabalhei para isso, é o resultado chegando”, celebra.

 

UNIVERSIDADE DO PAPEL

A Universidade do Papel é um espaço em São Paulo criado pelo artista Enrique Rodriguez, a qual Denise volta neste ano. “Eu dei cursos lá em 2018 e 2019, além de algumas exposições. No ano passado eu retornei e os cursos também”, conta.

Além dos cursos, hoje ela trabalha em conjunto com a universidade. “Agora eu estou como parceira e sócia deles em um projeto de Formação em Arquitetura do Papel, em formato digital com uma plataforma com cursos e kits físicos à venda, com diferenças do Quilling, porém com um visual semelhante e materiais também”, finaliza.

As obras de Denise podem ser contempladas no seu perfil oficial do Instagram @artepetrichor, onde também atualiza conteúdo e responde a dúvidas.


› Compartilhe

GALERIA DE FOTOS

FOTOS DO DIA

Calor e sensação de abafamento marcam a semana (Foto: Octacílio Freitas Dias)

O Jornal Dois Irmãos foi fundado em 1983. Sua missão é interligar as pessoas da cidade, levando-lhes informações verdadeiras sobre todos os setores da sociedade local, regional, estadual e nacional.

SAIBA MAIS

SIGA-NOS!

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Jornal Dois Irmãos © 2026, Todos os direitos reservados Agência Vela