Quase metade da população do RS não tem hábito da leitura

08/07/2022
Fonte: g1 RS

Fonte: g1 RS

Se considerada a margem de erro de 3%, o Rio Grande do Sul se divide entre os que gostam de ler e os que não têm o hábito da leitura. Um levantamento divulgado nesta quinta-feira (7) pelo Instituto Pesquisas de Opinião (IPO) mostra que 51,7% dos gaúchos têm o hábito de ler livros e 48,3% não têm.

A pesquisa, embora demonstre um desestímulo à leitura disseminado em todo o Estado, apenas reflete o cenário nacional. Segundo o Instituto Pró-Livro, em estudo de 2019, cerca de 52% dos brasileiros tinham hábito de ler. “Essas pessoas não têm o hábito de ler nem na forma impressa e nem na digital. Esse indicador segue a tendência nacional, 48% dos brasileiros não mantém relação de proximidade com nenhum tipo de literatura”, diz o estudo.

A região de Uruguaiana, São Borja e Santana do Livramento, na Fronteira Oeste, fica acima da média geral do Estado no hábito de ler livros: 65,2%. Por outro lado, Norte e Noroeste concentram as cidades com menos leitores assíduos: Ijuí e região (55,9%) e Passo Fundo e demais cidades (52,9%). Porto Alegre e outras cidades da Região Metropolitana apresentam um equilíbrio maior entre os que leem e os que não leem livros por prazer. Ainda assim, é maior entre os que não têm o hábito da leitura em ambos os casos.

 

Perfil socioeconômico

O número de homens que leem livros por hábito e os que não leem é praticamente o mesmo: 49,9% leem e 50,1%, não. Entre as mulheres, porém, prepondera as que têm o hábito da leitura, extrapolando, inclusive, a margem de erro da pesquisa: 53,4% leem livros por prazer e 46,6% não têm o hábito.

O mesmo equilíbrio vale para aquelas pessoas que estão na ativa e as aposentadas. Entre os ativos, 51,5% tem o hábito da leitura e 48,5%, não. Entre os inativos, 52,2% leem livros por prazer e 47,8%, não. No entanto, quando considerados critérios como a faixa etária, a educação formal e a renda familiar, há uma tendência acentuada: quanto mais jovem, com maior escolaridade e com maior poder aquisitivo, mais envolvidos com o mundo da leitura será este público. O mesmo olhar vale no sentido inverso: quanto menor a escolaridade e renda e mais velhas são essas pessoas, menos atrativo pelo universo da leitura será o público.

O diretor-editorial da Editora Sulina, Luis Gomes, credita parte disso à inacessibilidade do livro como um bem a todos. Ele explica que as publicações com impressão em papel sofre os efeitos da alta do dólar, restringe o acesso a uma “elite” que pode arcar com os custos repassados ao consumidor. Um livro que produz sobre a obra de Machado de Assis terá em torno de 680 páginas. A estimativa, segundo Gomes, é que ele tenha baixa tiragem e custe pelo menos R$ 100. “No físico, ainda se trabalha com todos esses custos. No digital, conseguimos reduzir, mas quem tem condições a ter acesso? Tem que ter as plataformas. É uma elite”, resume.

 

Quem lê, lê bastante

O índice mais positivo da pesquisa é que, entre os 51,7% dos gaúchos que têm o hábito da leitura, eles leem cerca de 7,6 livros ao ano. A média do Estado é três vezes maior do que a média nacional, que, conforme a pesquisa de 2019 do Instituto Pró-Livro, eram de 2,5 livros por brasileiro.

A maioria, claro, fica na faixa entre uma e quatro obras: são 32,1% que leem um ou dois livros e 22,8% que leem de três a quatro. Mas a média é puxada por 18,8% que dizem ler 10 ou mais livros ao ano. Não souberam afirmar a quantidade 5,4% dos entrevistados. “Os 51,7% representam os gaúchos que leem uma média de 7,6 livros ao ano. Quando se coloca a lupa para entender o número de livros lidos ao ano, percebe-se que a maior frequência absoluta é de dois livros ao ano e a mediana é de quatro livros ao ano. Significa dizer que a maioria dos gaúchos lê uma média de três livros ao ano e que a média geral da pesquisa, de 7,6 livros ao ano, é motivada pelo amor à leitura de um em cada 10 gaúchos. Em média, 10% dos gaúchos leem de forma compulsiva, se puderem ‘devoram’ um livro por semana. Alguns chegam a ler de 60 a 100 livros por ano”, conclui o estudo.

De acordo com a pesquisa do IPO-RS, quanto menor a renda familiar, maior a relação com livros de religião ou espiritualidade e os de autoajuda. Conforme aumenta a renda, amplia-se o interesse por livros técnicos. Entre as famílias com renda acima de seis salários mínimos mostram mais apreço por uma literatura eclética, acompanhando os lançamentos. “É uma questão estrutural. Como se formam futuros leitores? Tem que ter um projeto de educação no país, que ensino seja direcionado a uma formação nas áreas humanas, na língua portuguesa, na parte técnica. Precisamos que tenha uma base educacional no país. Por isso que esses incentivos, seja pelo estado, seja por fundações, tem que entrar para tornar o livro mais acessível de distribuir o livro de outra forma”, afirma o diretor-editorial da Sulina.

 

Metodologia

A pesquisa foi feita com toda a população gaúcha a partir de 16 anos de idade, residente em 52 cidades pesquisadas. A técnica utilizada é de quantitativa probabilística estratificada, com amostra representativa da população de RS, com cotas por região, sexo biológico, idade e situação de trabalho. As entrevistas foram feitas entre 24 e 28 de maio com 1 mil pessoas por telefone ou presencialmente. O intervalo de confiança é de 95%.


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