Delegado destaca importância da educação no combate à violência doméstica

11/01/2022
(Foto: Divulgação)

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No final do ano passado, dentro da Campanha 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência Contra as Mulheres, agentes da Delegacia de Polícia Civil de Dois Irmãos estiveram nas escolas municipais para conversar com alunos do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental. A iniciativa também contou com a participação de membros da Coordenadoria da Mulher, Conselho da Mulher, Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) e Centro de Referência de Assistência Social (CREAS).

Em entrevista ao Jornal Dois Irmãos, o delegado Felipe Borba destaca os assuntos abordados durante as intervenções e os reflexos da ação em alunos e educadores. Confira:

 

Quais os assuntos abordados durante as palestras?

Delegado Borba – Primeiramente, procuramos conscientizar ou reforçar a concepção de que se trata de um problema cultural, histórico e complexo, esclarecendo que os jovens possuem papel relevante na transformação dos diversos fatores que contribuem para os casos em que o gênero aparece como motivo de violência. Expomos as espécies de violência doméstica e familiar contra a mulher, enfatizando que não somente casos de agressão física, com lesões corporais, caracterizam este tipo de violência, mas também de natureza psicológica, moral, sexual e patrimonial. Depois, comentamos sobre este fenômeno social, a forma como a legislação evoluiu a fim de modificar o cenário de submissão e menosprezo a que é submetida a figura feminina, e apresentamos os aspectos práticos sobre a atuação policial, explicando a dinâmica do atendimento e o encaminhamento de medidas protetivas de urgência ao Poder Judiciário.

 

Perceberam a identificação de alunos e professores com o assunto?

Delegado Borba – Foi muito evidente o interesse dos alunos e dos professores em relação ao assunto. Em diversas escolas o tema já havia sido tratado em alguns trabalhos, conforme comentado pelas respectivas direções, e muitos professores revelaram que se mostrou importante a consolidação do conhecimento através da nossa explanação. Era nítido, igualmente, o envolvimento emocional de alguns alunos, o que confirmava o que a gente também procurou pontuar: que provavelmente, na própria família, ou na de um familiar próximo, aconteceria algum tipo de violência doméstica contra a mulher.

 

Quais os efeitos destas ações preventivas nas escolas?

Delegado Borba – Nosso objetivo principal é promover a internalização de valores e de princípios capazes de nortear o comportamento destes jovens, e que eles multipliquem estas ideias às pessoas do seu círculo de convivência. Não há dúvida de que para que este fenômeno deixe de existir é fundamental a construção de reflexões, uma vez que nenhum argumento racional é capaz de legitimar ou tornar aceitável a violência contra a mulher. Como costumávamos dizer aos alunos, a fim de explicitar a situação de desigualdade que explica a promulgação da Lei Maria da Penha: é comum uma mulher ser morta em razão de sua condição de mulher, mas nunca se ouve que um homem foi morto por ser homem.

 

É possível que casos subnotificados venham à tona a partir de ações como esta?

Delegado Borba – Certamente. Em algumas escolas, alunos e professores pediam para conversar reservadamente com a gente depois da palestra, por vezes para indicar um fato suspeito e relacionado ao assunto ou até mesmo para relatar que na sua casa ou na casa da família de um colega ocorreria violência doméstica contra a mulher. Esta aproximação da Polícia Civil com os estudantes gera inúmeros benefícios, e essa visão de que o policial é um agente público capaz de auxiliar na garantia e na proteção de direitos fundamentais facilita e estimula a comunicação de fatos com essa natureza.

 

Como vê o papel da educação na prevenção e combate à violência?

Delegado Borba – Entendo que qualquer problema social, e a violência doméstica é uma espécie, só pode ser eficazmente tratado a partir da educação. Falo em educação não no sentido estrito, de capacitação ou de desenvolvimento de habilidades, mas de informação, de orientação, de debate e de construção de ideias a partir de argumentos. A violência doméstica e familiar contra a mulher tem raiz na cultura. Se compreendermos a cultura como um conjunto de ideias, tradições e padrões de conduta, é certo que somente a educação é capaz de transformar o cenário, extirpando ideias machistas, de submissão, de rebaixamento ou de tratamento desigual baseado no gênero, que ainda fazem com que seja considerado “normal” (tradição) atos de violência contra a mulher (padrões de conduta). O conhecimento que nós temos da realidade sobre este problema social tem que ser repassado, e entendemos que aos jovens, na fase da vida em que estão selecionando os valores e princípios que vão pautar os seus modos de agir, é de grande valia a apresentação que fizemos.


Delegado Felipe Borba


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